A importância do psicopedagogo para a inclusão escolar
Carolina Alves Ludugero[1]
Kimberly Eduarda da Motta[2]
RESUMO
O papel do psicopedagogo é de grande relevância para a inclusão dos alunos no ambiente escolar. Este trabalho trata-se de uma pesquisa bibliográfica, através de leituras seletivas. Tem como objetivo dissertar sobre a importância do psicopedagogo para a inclusão escolar, e as formas de como a sociedade pode contribuir para que a inclusão seja efetivada. Embora existam documentos e leis que asseguram o direito aos alunos com deficiência o acesso às escolas de ensino regular, na maioria dos casos não faz jus ao real significado da inclusão escolar. Para que a inclusão ocorra de modo eficaz, é necessário a interação de toda a sociedade, trabalhando juntamente com o psicopedagogo a fim de atingir o bem em comum, o aprendizado de forma significativa e adaptada às necessidades de cada indivíduo. Além de aprofundamento em estudos pela parte docente da escola, para que suas práticas sejam aperfeiçoadas.
PALAVRAS-CHAVE: Psicopedagogia. Inclusão Escolar. Aprendizagem.
INTRODUÇÃO
A psicopedagogia surge com o intuito de auxiliar as pessoas e investigar os motivos pelos quais apresentam dificuldades de aprendizagem.
É necessário trabalhar com a inclusão em todos os ambientes, principalmente no ambiente escolar, local em que o indivíduo está em preparação para viver em sociedade.
Embora, atualmente, a inclusão escolar seja uma realidade vivenciada no Brasil e no mundo, bem como foram criadas várias leis para que sejam assegurados os direitos de todos os alunos ao acesso às escolas, a inclusão escolar tem sido mal compreendida e efetivada, há muitos aspectos que devem ser considerados e seguidos para que a inclusão ocorra de forma efetiva, a fim de valorizar o indivíduo, e não somente estar matriculado e fazer parte fisicamente da escola, o aluno precisa sentir que faz parte da sociedade em que vive.
A inclusão é um longo processo, que implica a inserção de todos. E, para que a inclusão seja realmente concretizada, é preciso que haja uma preparação maior dos profissionais da educação, da escola, da sociedade em geral, e que o ambiente seja adaptado aos alunos.
Este trabalho de conclusão de curso tem como objetivo apresentar como o psicopedagogo possui papel de grande importância para a inclusão escolar, e as formas de como toda a sociedade, e principalmente os profissionais da educação, podem contribuir para que a inclusão seja efetivada.
A inclusão escolar é respaldada em várias leis, é um direito adquirido dos indivíduos, e mesmo assim, em muitos casos não é isso que acontece. Acredito que seja viável e importante falar sobre esse assunto, pois além de ser um direito adquirido, a inclusão aplicada no ambiente escolar, apresenta resultados positivos quanto à formação integral do indivíduo.
A metodologia utilizada inclui pesquisas bibliográficas, por meio do qual foram revisados artigos sobre o tema, declarações e leis que garantem os direitos da inclusão dos alunos na escola.
Ao longo deste artigo será apresentado o papel do psicopedagogo, inclusão escolar e a relação entre família e escola, que objetivam um bem em comum, a inclusão efetiva.
O PAPEL DO PSICOPEDAGOGO
Em se tratando de psicopedagogia e inclusão escolar, muitos autores discorrem sobre o tema, portanto, o desenvolvimento deste trabalho baseou-se em pesquisas bibliográficas, através de leituras seletivas sobre o assunto abordado.
A psicopedagogia surge com o objetivo de auxiliar as pessoas que apresentam dificuldades de aprendizagem.
[...] A psicopedagogia não nasceu aqui e tampouco na Argentina, Investigando a literatura sobre o tema, podemos verificar que a preocupação com os problemas de aprendizagem teve origem na Europa, ainda no século XIX.
A psicopedagogia surgiu na Europa, mais precisamente na França, em meados do século XIX, onde a Medicina, a Psicologia e a Psicanálise, começaram a se preocupar com uma opção nos problemas de aprendizagem e suas possíveis retificações. A corrente européia influenciou o começo da psicopedagogia na Argentina, e a mesma influenciou a identidade da psicopedagogia brasileira. (BOSSA. 2007. p. 38)
O psicopedagogo é um profissional que atua na prevenção, identificação, avaliação e intervenção nas dificuldades de aprendizagem, buscando compreender os fatores que podem interferir no desenvolvimento cognitivo, emocional, social e educacional dos indivíduos. Sua atuação está relacionada à investigação dos processos de aprendizagem e à identificação de possíveis obstáculos que dificultam a aquisição de conhecimentos e o desenvolvimento de habilidades. Para isso, considera as particularidades de cada pessoa, respeitando suas características, seu ritmo de aprendizagem e suas experiências individuais. Nesse sentido, o trabalho psicopedagógico não se limita à identificação das dificuldades apresentadas pelo aluno, mas também procura compreender suas causas e desenvolver estratégias que contribuam para a superação dos obstáculos encontrados ao longo do processo educativo.
Para realizar esse trabalho, o psicopedagogo desenvolve análises, planejamentos, intervenções e adequações que buscam atender às necessidades específicas de cada indivíduo. Sua atuação exige conhecimentos teóricos e metodológicos que permitam compreender a aprendizagem em suas diferentes dimensões, considerando que as dificuldades podem estar relacionadas a fatores individuais, familiares, escolares e sociais. Entre esses fatores, podem ser destacados aspectos emocionais, dificuldades de interação, experiências escolares anteriores, condições do ambiente familiar, metodologias de ensino e barreiras presentes no contexto educacional. Dessa forma, torna-se fundamental que o profissional realize uma investigação cuidadosa de cada situação, evitando interpretações superficiais e buscando compreender o aluno de maneira integral. A partir dessa análise, é possível elaborar estratégias de intervenção mais adequadas, capazes de favorecer o desenvolvimento das potencialidades do estudante e contribuir para a construção de uma relação mais positiva com o conhecimento.
Além disso, o psicopedagogo pode desempenhar um papel importante na orientação de professores, familiares e demais profissionais envolvidos no processo educativo, contribuindo para a identificação de estratégias que favoreçam a aprendizagem. No ambiente escolar, sua atuação pode auxiliar na reflexão sobre as práticas pedagógicas, na identificação de barreiras à participação dos alunos e na elaboração de propostas que respeitem as diferenças individuais. A parceria entre o psicopedagogo, a escola e a família também é essencial, pois permite compartilhar informações, acompanhar o desenvolvimento do estudante e estabelecer objetivos comuns para o enfrentamento das dificuldades identificadas. Quando necessário, o profissional pode trabalhar em conjunto com especialistas de outras áreas, respeitando os limites de sua atuação e contribuindo para um acompanhamento mais abrangente das necessidades do indivíduo.
Portanto, o trabalho do psicopedagogo é fundamental para promover melhores condições de aprendizagem, uma vez que busca compreender as dificuldades apresentadas pelos estudantes e desenvolver intervenções que favoreçam seu progresso educacional. Para isso, é necessário que o profissional mantenha uma postura investigativa, ética e comprometida com as particularidades de cada pessoa, utilizando seus conhecimentos para propor estratégias coerentes com as necessidades identificadas. Mais do que buscar a superação de dificuldades, a psicopedagogia procura valorizar as capacidades individuais, fortalecer a autonomia e estimular a confiança do aluno em suas próprias possibilidades. Dessa maneira, a atuação psicopedagógica pode contribuir significativamente para a melhoria do processo de ensino e aprendizagem, favorecendo o desenvolvimento integral dos estudantes e a construção de práticas educativas mais acolhedoras, inclusivas e comprometidas com o sucesso escolar.
Portanto, a prática psicopedagógica é baseada em mediações no processo educacional e cognitivo. Lomonico descreve uma série de propósitos que tem como direção salvar o sujeito da aprendizagem:
Preventivamente, ele atua juntos aos professores, pais, e técnicos, de vários modos:
Proporcionando condições para análise e reflexão sobre o papel da escola; Proporcionando condições para que as situações de ensinos sejam percebidas e organizadas, de acordo com o desenvolvimento dos alunos, mediante conhecimento e reflexão sobre habilidades e princípios que são pré-requisitos para as aprendizagens;
Auxiliando toda equipe escolar na determinação, escolha e elaboração dos objetivos educacionais, das estratégias de ensino e dos instrumentos de avaliação;
Proporcionar condições para a ação e reflexão sobre os erros metodológicos dos professores e erros dos alunos, a fim de encontrar soluções mais accessíveis para os mesmos.
Numa linha terapêutica, ele poderá:
Discutir e, se necessário, preparar e/ou ajudar o professor para a realização de atendimento psicopedagógico a grupos de alunos (5 a 8 anos) ou individualmente;
Participar do diagnóstico dos distúrbios específicos de aprendizagem;
Dar atendimento psicopedagógico a grupos de alunos, quando dispuser de tempo;
Auxiliar professor na compreensão de problema de aprendizagem e/ou bloqueio de aprendizagem, de modo que ele levante alternativas de ação para solução dos mesmos. (1992, p.19 apud GRAÇA et al, 2014).
A INCLUSÃO ESCOLAR
A inclusão escolar refere-se a uma educação em que a escola deve adaptar-se ao aluno que visa incluir. A maneira em que a sociedade interagia com as pessoas com deficiência antigamente, vem se modificando ao longo do tempo.
Muitos não eram vistos como cidadãos, de direitos e deveres, e sim como pessoas sem valor, inválidas, inferiores. Sassaki (2005, p.22) assegura que:
... o mundo caminha para a construção de uma sociedade cada vez mais inclusiva. Sinais desse processo de construção são visíveis com frequência crescente, por exemplo, na escola, na mídia, nas nossas vizinhanças, nos recursos da comunidade e nos programas e serviços (SASSAKI, 2005, p. 22).
Diversos documentos respaldam a legalidade em que é assegurada a educação inclusiva, preferencialmente na escola regular.
Existem várias dimensões que tratam da inclusão, porém, é no espaço pedagógico que esta é percebida em toda sua abrangência efetiva.
Um dos principais documentos sobre inclusão social, é a Declaração de Salamanca, elaborada em 1994. Na qual proclama que:
• cada criança tem o direito fundamental à educação e deve ter a oportunidade de conseguir e manter um nível aceitável de aprendizagem,
• cada criança tem características, interesses, capacidades e necessidades de aprendizagem que lhe são próprias,
• os sistemas de educação devem ser planeados e os programas educativos implementados tendo em vista a vasta diversidade destas características e necessidades,
• as crianças e jovens com necessidades educativas especiais devem ter acesso às escolas regulares, que a elas se devem adequar através duma pedagogia centrada na criança, capaz de ir ao encontro destas necessidades,
• as escolas regulares, seguindo esta orientação inclusiva, constituem os meios mais capazes para combater as atitudes descriminatórias, criando comunidades abertas e solidárias, construindo uma sociedade inclusiva e atingindo a educação para todos; além disso, proporcionam uma educação adequada à maioria das crianças e promovem a eficiência, numa óptima relação custo-qualidade, de todo o sistema educativo. (SALAMANCA,1994)
De acordo com a Constituição Federal da República Federativa do Brasil (1988), na seção que pactua a educação como direito de todos, no Cap.III, Artigo 208 assegura que, “o dever do Estado com a Educação será efetivado mediante a garantia de: [...] III – atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino”.
O Decreto nº 7.611, de 17 de novembro de 2011, dispõe:
Art. 1º O dever do Estado com a educação das pessoas público-alvo da educação especial será efetivado de acordo com as seguintes diretrizes:
I - garantia de um sistema educacional inclusivo em todos os níveis, sem discriminação e com base na igualdade de oportunidades;
II - aprendizado ao longo de toda a vida;
III - não exclusão do sistema educacional geral sob alegação de deficiência;
IV - garantia de ensino fundamental gratuito e compulsório, asseguradas adaptações razoáveis de acordo com as necessidades individuais;
V - oferta de apoio necessário, no âmbito do sistema educacional geral, com vistas a facilitar sua efetiva educação;
VI - adoção de medidas de apoio individualizadas e efetivas, em ambientes que maximizem o desenvolvimento acadêmico e social, de acordo com a meta de inclusão plena;
VII - oferta de educação especial preferencialmente na rede regular de ensino; e
VIII - apoio técnico e financeiro pelo Poder Público às instituições privadas sem fins lucrativos, especializadas e com atuação exclusiva em educação especial. (BRASIL, 2011)
O art. 54, da lei nº 8.169, de 13 de julho de 1990 - Estatuto da Criança e do Adolescente, menciona alguns deveres que o Estado deve assegurar às crianças e adolescentes, e no inciso III garante: “atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino” (Brasil, 1990).
É possível observar que as pessoas com deficiência têm respaldo em várias leis e documentos, quanto à oferta de ensino nas escolas regulares. É possibilitado também, que esses alunos tenham atendimento educacional especializado, visto que com o apoio desse atendimento, é possível trabalhar e ampliar suas potencialidades, agregando com o ensino regular.
Portanto, além do apoio em direitos legais para o mantimento da educação inclusiva, é necessário o apoio de toda a sociedade, para a permanência e o cumprimento das políticas públicas de educação.
FAMÍLIA, ESCOLA E A INCLUSÃO
A família é o primeiro grupo em que o indivíduo é inserido, são as primeiras pessoas que se tem relações e interações, com suas normas e valores próprios. É imprescindível que a família esteja ciente que é através dela, que a criança vai desenvolver sua personalidade, e aprender a compreender o mundo a partir da realidade que se vive, e também a se relacionar com outras pessoas fora do convívio familiar. Segundo Corrêa (2010, p. 150),
Família é a unidade básica de desenvolvimento e experiência, realização e fracasso, saúde e enfermidade. É o primeiro grupo a que pertence o indivíduo e onde ele tem a oportunidade de aprender através de experiências positivas (afeto, estímulo, apoio, respeito, sentir-se útil) e negativas (frustrações, limites, tristezas, perdas) todas elas fatores de grande importância para a formação de sua personalidade.
A família não pode se isentar das responsabilidades relacionadas à educação e ao desenvolvimento dos filhos, pois desempenha um papel fundamental na formação pessoal, social e educacional da criança. Nesse sentido, é essencial que todos os integrantes da família se envolvam, de maneira colaborativa, no processo educativo, buscando informações, serviços, orientações e recursos que contribuam para atender às necessidades específicas de seus filhos. Quando se trata de crianças com necessidades educacionais especiais, essa participação torna-se ainda mais importante, uma vez que o apoio familiar pode favorecer o desenvolvimento de habilidades, a autonomia, a socialização e a aprendizagem em diferentes contextos. Para que a família consiga exercer adequadamente sua função educativa, é necessário que receba orientação e suporte sobre os direitos da criança, as responsabilidades dos familiares e as características relacionadas à deficiência apresentada pelo filho. Dessa forma, os familiares poderão compreender melhor as necessidades da criança e desenvolver estratégias que contribuam para sua aprendizagem e seu desenvolvimento também no ambiente doméstico.
Além disso, a participação da família no processo de inclusão escolar deve ocorrer de maneira contínua, por meio do diálogo, da troca de informações e da construção de estratégias conjuntas com os profissionais da educação. Essa parceria permite que as experiências vivenciadas pela criança em casa sejam consideradas no planejamento das ações pedagógicas, favorecendo a continuidade do trabalho desenvolvido pela escola. Quando existe uma relação de confiança e cooperação entre os familiares e a equipe escolar, torna-se mais fácil identificar dificuldades, reconhecer avanços e buscar alternativas que contribuam para superar possíveis barreiras à aprendizagem e à participação do aluno. Assim, a responsabilidade pela educação não deve ser atribuída exclusivamente à escola ou à família, mas compreendida como um compromisso compartilhado, no qual cada parte contribui de acordo com suas possibilidades e atribuições.
Nesse contexto, é fundamental que escola e família mantenham uma relação de parceria, respeito e colaboração, especialmente no processo de inclusão de estudantes com necessidades educacionais especiais. A escola precisa reconhecer a importância da presença familiar e criar oportunidades para que os responsáveis participem das decisões, das atividades e das discussões relacionadas à vida escolar da criança. Da mesma forma, a família deve sentir-se acolhida e valorizada, compreendendo que sua participação é indispensável para a construção de um ambiente educativo mais inclusivo e favorável ao desenvolvimento integral do estudante. A aproximação entre essas duas instituições contribui para o estabelecimento de objetivos comuns e para a adoção de práticas que respeitem as particularidades de cada aluno, promovendo melhores condições de aprendizagem, convivência e participação social. Conforme destacam Padilha e Oliveira (2003), a família também deve ser incluída no espaço escolar, fortalecendo os vínculos entre os envolvidos no processo educativo e contribuindo para a efetivação de uma educação inclusiva, democrática e comprometida com as necessidades de todos os estudantes.
De acordo com Cunha (2014, p. 100), “não podemos pensar em inclusão escolar, sem pensarmos em ambiente inclusivo. Inclusivo não somente em razão dos recursos pedagógicos, mas também pelas qualidades humanas”. A partir dessa perspectiva, compreende-se que a inclusão escolar não depende apenas da disponibilização de materiais adaptados ou da existência de estruturas físicas acessíveis, mas também da construção de um ambiente acolhedor, respeitoso e comprometido com a valorização das diferenças. É fundamental que todos os profissionais da instituição escolar estejam preparados para reconhecer as particularidades dos estudantes, respeitar suas limitações e potencialidades e desenvolver práticas que favoreçam sua participação efetiva nas atividades escolares. Dessa maneira, a inclusão deve ser compreendida como um processo que envolve não somente aspectos estruturais e pedagógicos, mas também atitudes, valores e relações humanas que contribuam para o desenvolvimento de uma educação mais justa e democrática.
A adaptação da escola para atender às necessidades dos alunos vai muito além da reorganização dos espaços físicos e da instalação de recursos de acessibilidade. Trata-se de um processo contínuo, que exige mudanças na cultura institucional, nas políticas educacionais e nas práticas desenvolvidas no cotidiano escolar. Para que a inclusão aconteça de maneira efetiva, é necessário que a instituição reveja suas formas de organização, seus métodos de ensino e suas estratégias de avaliação, buscando garantir oportunidades de aprendizagem para todos os estudantes. Isso significa reconhecer que cada aluno possui características, ritmos e formas de aprender diferentes, sendo necessário planejar ações pedagógicas que considerem essa diversidade e ofereçam condições adequadas para a construção do conhecimento. Além disso, a escola precisa promover uma cultura de respeito às diferenças, combatendo atitudes discriminatórias e incentivando a convivência, a cooperação e a participação de toda a comunidade escolar.
Nesse contexto, as adaptações pedagógicas assumem um papel essencial para a efetivação da educação inclusiva, pois possibilitam que os conteúdos, as atividades e as estratégias de ensino sejam organizados de acordo com as necessidades educacionais dos estudantes. Essas adaptações podem envolver a utilização de materiais didáticos diferenciados, recursos visuais, tecnologias assistivas, atividades diversificadas e outras estratégias que facilitem a compreensão dos conteúdos e a participação nas aulas. Também é importante que os professores recebam formação continuada e tenham acesso ao apoio necessário para identificar as barreiras à aprendizagem e buscar alternativas que favoreçam o desenvolvimento de cada aluno. Portanto, a construção de uma escola inclusiva exige o comprometimento de toda a comunidade escolar, bem como a articulação entre acessibilidade física, recursos pedagógicos, formação profissional e valorização das relações humanas. Somente por meio dessas ações será possível promover um ambiente educacional que respeite as diferenças, reconheça as potencialidades individuais e assegure a todos os estudantes o direito de aprender e participar plenamente da vida escolar.
É essencial que os professores tenham um maior conhecimento sobre seus alunos, para que as barreiras sejam quebradas e que se tenham um bom relacionamento.
A política de inclusão dos alunos na rede regular de ensino que apresentam necessidades educacionais especiais, não consiste somente na permanência física desses alunos, mas o propósito de rever concepções e paradigmas, respeitando e valorizando a diversidade desses alunos, exigindo assim que a escola defina a responsabilidade criando espaços inclusivos. Dessa forma, a inclusão significa que não é o aluno que se molda ou se adapta à escola, mas a escola consciente de sua função coloca-se a disposição do aluno (CARVALHO,2006. p. 23).
É justo que os alunos tenham uma educação de qualidade, e para isso é necessário que os professores tenham cursos, palestras, oficinas, de forma que possam aprofundar-se no assunto, para facilitar e organizar o ensino e aprendizado, e proporcionar uma inclusão efetiva para seus alunos.
Na escola, o psicopedagogo pode propor mudanças nas metodologias de ensino, sendo um papel e uma intervenção muito importante, pois se não for dada a devida atenção e compreensão das dificuldades iniciais que a criança apresenta, ela poderá criar um bloqueio para o aprendizado.
Os teóricos nos aconselham que o psicoeducador deve fazer parte da equipe da instituição, seja uma escola ou um hospital, pois o conhecimento e o contato entre pares tornam o trabalho investigativo mais eficaz. (CARVALHO, 2016)
Para que se consiga alcançar resultados mais rapidamente, deve ser feita uma aliança entre professores, psicopedagogos e coordenadores, para discutir os problemas e buscar soluções, fazendo os ajustes necessários com a orientação do psicopedagogo.
CONCLUSÃO
Levando em consideração que há algum tempo atrás, as pessoas com deficiência eram excluídas e tratadas como inferiores, a sociedade está cada vez mais se adaptando e aprimorando para incluí-las, tanto na sociedade em geral, como na escola, e ainda pode ser melhorado em muitos aspectos.
Diante do exposto, pode-se entender que o psicopedagogo possui um papel de grande importância para a compreensão da deficiência e da dificuldade dos alunos, buscando sempre alternativas e adaptações, visando a aprendizagem efetiva do indivíduo. Embora existam vários documentos e leis que asseguram a inclusão escolar dos alunos em escolas de ensino regular, trata-se de um processo longo para que haja de fato a inclusão, pois os profissionais da educação precisam aperfeiçoar-se nesse assunto, através de cursos e capacitações, para que os alunos possam receber um aprendizado de qualidade e efetivo. É válido também, ressaltar a importância da família no processo de aprendizagem dos indivíduos.
REFERÊNCIAS
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PADILHA, Anna Maria Lunardi; OLIVEIRA, Ivone Martins de (orgs.) EDUCAÇÃO PARA TODOS: As muitas faces da inclusão escolar. –Campinas, SP: Papirus, 2013.
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