Práticas pedagógicas, educação e sociedade: a educação ambiental na formação cidadã de crianças

Josiane Godinho da Silva Rodrigues

Damaris de Jesus Silva

 

DOI: 10.5281/zenodo.23376344

 

 

RESUMO

A educação ambiental desempenha um papel fundamental na formação de cidadãos conscientes e comprometidos com a preservação da natureza e com a sustentabilidade. No contexto escolar e comunitário, as práticas pedagógicas voltadas à conscientização ambiental contribuem para aproximar os conhecimentos teóricos das experiências cotidianas das crianças, estimulando a reflexão, a participação e a responsabilidade coletiva. Este artigo tem como objetivo analisar a importância das práticas pedagógicas de educação ambiental na formação cidadã infantil, tomando como referência uma experiência educativa realizada com crianças da comunidade São José do Pingador, localizada no município de Lambari d’Oeste, Mato Grosso. A atividade envolveu a apresentação de problemas ambientais e a realização de uma roda de conversa, na qual as crianças foram incentivadas a propor ações para contribuir com a preservação do planeta. Metodologicamente, o trabalho caracteriza-se como um relato de experiência, de abordagem qualitativa e caráter descritivo, fundamentado na observação da participação das crianças e em pesquisa bibliográfica e documental. Os resultados relatados indicaram envolvimento e interesse dos participantes, que apresentaram sugestões relacionadas ao uso racional da água, à economia de energia elétrica, à separação dos resíduos e à redução do consumo de plástico. Conclui-se que práticas educativas participativas podem favorecer a sensibilização ambiental desde a infância, fortalecendo valores de cuidado, cooperação e responsabilidade socioambiental.

 

Palavras-chave: Educação ambiental. Práticas pedagógicas. Sustentabilidade. Educação infantil. Formação cidadã.

 

 

1 INTRODUÇÃO

 

A educação desempenha uma função essencial na formação dos indivíduos e na construção de uma sociedade comprometida com a cidadania, a justiça social e a preservação ambiental. Por meio das experiências educativas, crianças e adultos podem ampliar seus conhecimentos sobre a realidade, desenvolver atitudes responsáveis e compreender a importância da participação coletiva na busca por soluções para os problemas que afetam a sociedade.

Entre os desafios contemporâneos, as questões ambientais ocupam posição de destaque, considerando os impactos provocados pela poluição, pelo desmatamento, pelas queimadas, pelo desperdício de recursos naturais e pelas mudanças climáticas. Esses problemas afetam os ecossistemas, a biodiversidade e as condições de vida das populações, tornando necessária a construção de uma consciência ambiental fundamentada no conhecimento, na responsabilidade e na participação social.

Nesse cenário, a escola e os espaços educativos comunitários apresentam possibilidades significativas para o desenvolvimento de práticas pedagógicas voltadas à preservação da natureza. A educação ambiental, quando trabalhada de maneira contextualizada e participativa, permite que as crianças compreendam a relação entre as ações humanas e o ambiente em que vivem, reconhecendo que atitudes cotidianas podem contribuir para a conservação dos recursos naturais.

A Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999, que instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental, define a educação ambiental como um processo de construção de conhecimentos, valores, habilidades, atitudes e competências voltados à conservação do meio ambiente e à sustentabilidade. A legislação também estabelece que a educação ambiental deve estar presente de maneira articulada nos diferentes níveis e modalidades do processo educativo (BRASIL, 1999).

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), por sua vez, orienta a organização das aprendizagens essenciais da Educação Básica e contempla princípios relacionados à responsabilidade, à cidadania, à cooperação e à consciência socioambiental. Sua proposta favorece o desenvolvimento de práticas pedagógicas que aproximam os conhecimentos escolares das experiências vivenciadas pelas crianças, estimulando a investigação e a participação ativa no processo de aprendizagem (BRASIL, 2018).

A importância dessa abordagem pode ser observada em experiências realizadas no contexto comunitário, nas quais as crianças são incentivadas a refletir sobre os problemas ambientais e a apresentar propostas para melhorar a realidade em que vivem. Uma roda de conversa, por exemplo, pode constituir um espaço de diálogo e aprendizagem, permitindo que os participantes compartilhem conhecimentos, expressem preocupações e construam coletivamente alternativas de cuidado com o meio ambiente.

Diante dessas considerações, este artigo tem como objetivo analisar a contribuição das práticas pedagógicas de educação ambiental para a formação cidadã das crianças, tomando como referência uma atividade desenvolvida na comunidade São José do Pingador, no município de Lambari d’Oeste, Mato Grosso. Busca-se compreender a importância da participação infantil, do diálogo e da contextualização dos problemas ambientais para a construção de atitudes relacionadas à sustentabilidade.

O trabalho caracteriza-se como um relato de experiência, de abordagem qualitativa e caráter descritivo, articulado à pesquisa bibliográfica e documental. A reflexão considera as observações relatadas durante a atividade, sem pretender generalizar os resultados para outras comunidades ou contextos educativos.

 

 

2 DESENVOLVIMENTO

 

2.1 Educação ambiental: conceitos e fundamentos para a formação cidadã

 

A educação ambiental constitui um processo educativo que busca desenvolver conhecimentos, valores e atitudes relacionados à compreensão e à preservação do meio ambiente. Sua finalidade não se limita à transmissão de informações sobre a natureza, mas envolve a formação de sujeitos capazes de analisar os problemas socioambientais e participar de ações voltadas à melhoria da qualidade de vida.

A Política Nacional de Educação Ambiental estabelece que esse processo deve ocorrer de maneira contínua e integrada, tanto no ensino formal quanto em outros espaços educativos. A legislação também reconhece a importância da participação individual e coletiva na conservação, recuperação e melhoria das condições ambientais (BRASIL, 1999).

Essa perspectiva demonstra que a responsabilidade ambiental não deve ser atribuída exclusivamente às instituições escolares ou às escolhas individuais. Embora as atitudes cotidianas sejam importantes, a preservação da natureza também depende da atuação do poder público, das empresas, das organizações sociais e das comunidades.

A educação ambiental precisa, portanto, favorecer a compreensão das relações entre sociedade, economia, cultura e natureza. Ao discutir questões como o consumo excessivo, a produção de resíduos, a poluição e o uso dos recursos naturais, os educadores podem ajudar os estudantes a perceber que os problemas ambientais possuem causas diversas e exigem soluções construídas coletivamente.

No contexto infantil, essa abordagem deve utilizar linguagem acessível, exemplos concretos e atividades adequadas à faixa etária. As crianças podem compreender a importância da água, das árvores, dos animais e dos espaços naturais por meio da observação, das brincadeiras, das histórias, das experiências práticas e das conversas sobre situações presentes em seu cotidiano.

A educação ambiental também contribui para a formação de valores como solidariedade, respeito, cooperação e responsabilidade. Quando as crianças compreendem que suas ações interferem no ambiente compartilhado por outras pessoas e seres vivos, ampliam suas possibilidades de desenvolver atitudes de cuidado e participação social.

Desse modo, a educação ambiental representa uma dimensão importante da formação cidadã, pois articula conhecimento, reflexão crítica e participação na construção de uma sociedade ambientalmente responsável.

 

 

2.2 A importância da educação ambiental na infância

 

A infância representa uma etapa significativa para o desenvolvimento de conhecimentos, valores e atitudes que podem acompanhar os indivíduos ao longo da vida. Nessa fase, as experiências educativas contribuem para ampliar a compreensão sobre o mundo, fortalecer a curiosidade e desenvolver a capacidade de observar, questionar e estabelecer relações entre diferentes acontecimentos.

O contato com questões ambientais possibilita que as crianças reconheçam a importância dos elementos naturais e compreendam como determinadas ações humanas podem prejudicar os ecossistemas. Temas como desperdício de água, descarte inadequado de resíduos, queimadas e desmatamento podem ser abordados por meio de situações próximas à realidade dos estudantes, tornando a aprendizagem mais significativa.

A BNCC estabelece direitos de aprendizagem e desenvolvimento para a Educação Infantil, entre os quais se encontram conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se. Esses direitos favorecem práticas educativas que valorizam a participação ativa das crianças e a exploração do ambiente como parte do processo de aprendizagem (BRASIL, 2018).

Nessa perspectiva, o professor pode propor atividades que estimulem a observação da natureza, o cuidado com plantas, a separação de resíduos, a reutilização de materiais e a discussão sobre hábitos cotidianos. Essas experiências permitem que as crianças relacionem os conhecimentos adquiridos às situações vivenciadas em casa, na escola e na comunidade.

É importante, entretanto, que a educação ambiental não se limite à transmissão de regras ou à apresentação de comportamentos considerados corretos. As crianças precisam ter oportunidades para compreender os motivos das ações propostas, expressar suas opiniões e participar da construção de soluções adequadas à realidade em que vivem.

A sensibilização ambiental na infância deve ocorrer por meio de experiências positivas, respeitando o desenvolvimento infantil e evitando a produção de medo ou sentimentos excessivos de culpa diante dos problemas ambientais. O objetivo é estimular a compreensão, o cuidado e a participação, mostrando que existem possibilidades de ação individual e coletiva.

Assim, trabalhar a educação ambiental desde a infância pode contribuir para a formação de pessoas mais conscientes das relações entre suas ações, a comunidade e o meio ambiente.

 

 

2.3 Práticas pedagógicas participativas e a roda de conversa

 

As práticas pedagógicas participativas favorecem o envolvimento dos estudantes na construção do conhecimento, pois criam oportunidades para a expressão de ideias, o compartilhamento de experiências e a reflexão coletiva. Em vez de ocupar exclusivamente a posição de ouvintes, as crianças são convidadas a participar das discussões e a contribuir com suas próprias observações.

A roda de conversa constitui uma estratégia pedagógica adequada a essa finalidade. Por meio dela, o educador pode apresentar uma temática, formular perguntas, estimular a troca de ideias e identificar os conhecimentos que os participantes já possuem sobre determinado assunto.

No trabalho com educação ambiental, essa estratégia permite discutir problemas presentes no cotidiano, como o desperdício de água, o descarte de lixo, as queimadas e a redução das áreas verdes. As crianças podem apresentar suas percepções, relatar situações conhecidas e sugerir medidas para contribuir com a preservação ambiental.

O papel do professor consiste em mediar o diálogo, acolher as contribuições e ampliar a compreensão dos participantes por meio de informações confiáveis. É importante que as sugestões apresentadas sejam analisadas coletivamente, relacionando as possibilidades de ação às necessidades e condições reais da comunidade.

A participação infantil também exige que o educador reconheça as crianças como sujeitos capazes de observar problemas, formular perguntas e construir explicações de acordo com suas experiências e possibilidades de desenvolvimento. Isso não significa transferir a elas a responsabilidade pela solução de problemas ambientais complexos, mas oferecer oportunidades para que compreendam sua participação na vida coletiva.

A utilização de recursos visuais, histórias, imagens, desenhos e exemplos concretos pode complementar a roda de conversa, favorecendo a compreensão dos conteúdos e o envolvimento de crianças com diferentes formas de expressão.

Dessa maneira, as metodologias participativas tornam o processo educativo mais dialógico e contextualizado, contribuindo para que os conhecimentos ambientais sejam relacionados às experiências cotidianas e à construção de atitudes responsáveis.

 

 

2.4 Relato da experiência pedagógica na comunidade São José do Pingador

 

A experiência pedagógica relatada neste estudo foi realizada com crianças da comunidade São José do Pingador, localizada no município de Lambari d’Oeste, Mato Grosso. A atividade teve como finalidade apresentar problemas relacionados ao meio ambiente e estimular a reflexão sobre ações que poderiam contribuir para a preservação da natureza.

Inicialmente, foram abordadas questões ambientais que afetam a qualidade de vida das pessoas e de outras espécies, entre elas o aquecimento global, a poluição atmosférica, a poluição das águas, as queimadas e o desmatamento. A apresentação desses problemas procurou despertar a atenção das crianças para os desafios ambientais e favorecer a compreensão da importância do cuidado com o planeta.

Após a exposição inicial, foi proposta uma roda de conversa para que os participantes expressassem suas opiniões e sugerissem medidas que poderiam ser adotadas no cotidiano. A atividade valorizou o diálogo e a participação das crianças, permitindo que elas compartilhassem suas ideias sobre como contribuir para a melhoria das condições ambientais.

Durante a conversa, foram discutidas ações como o uso racional da água, a economia de energia elétrica, a separação dos resíduos conforme suas características e a redução do consumo de materiais plásticos. Essas sugestões aproximaram a temática ambiental das práticas cotidianas, demonstrando que a preservação da natureza pode ser trabalhada por meio de atitudes concretas e de iniciativas coletivas.

A experiência também possibilitou abordar a relação entre os problemas ambientais e a saúde humana. As crianças demonstraram preocupação, especialmente diante das mudanças climáticas e de seus possíveis impactos sobre a qualidade de vida. Essa manifestação reforçou a importância de oferecer informações adequadas à idade e de estimular uma compreensão crítica, sem atribuir às crianças a responsabilidade individual pela solução de problemas de grande complexidade.

A atividade evidenciou a possibilidade de utilizar o diálogo como recurso pedagógico para despertar o interesse pela temática ambiental. Ao serem convidadas a apresentar sugestões, as crianças participaram ativamente da discussão, demonstrando envolvimento com as questões apresentadas.

Embora o relato não disponha de instrumentos formais de avaliação ou de acompanhamento posterior, a participação observada durante a roda de conversa constitui um indicativo qualitativo de interesse e envolvimento com a proposta. Não é possível, contudo, afirmar que a atividade tenha produzido mudanças duradouras de comportamento, pois isso exigiria acompanhamento sistemático.

A experiência demonstra, portanto, o potencial das ações educativas comunitárias para aproximar as crianças dos problemas ambientais e criar oportunidades de reflexão sobre práticas de cuidado com a natureza.

 

 

2.5 Resultados e discussão da prática pedagógica

 

Os resultados relatados indicaram que a atividade despertou interesse entre as crianças participantes. Durante a roda de conversa, elas foram incentivadas a apresentar sugestões para contribuir com a preservação ambiental, participando das discussões sobre o uso dos recursos naturais e o descarte adequado dos resíduos.

Entre as propostas mencionadas estiveram a economia de água e energia elétrica, a separação do lixo e a redução do consumo de plástico. Essas manifestações demonstram que a abordagem de questões ambientais por meio de exemplos cotidianos pode favorecer a participação infantil e criar oportunidades para relacionar informações gerais às experiências individuais e comunitárias.

Outro aspecto observado foi a preocupação das crianças com os problemas ambientais, especialmente aqueles associados às mudanças climáticas e aos possíveis efeitos sobre a saúde. Essa reação evidencia a importância de trabalhar tais assuntos com responsabilidade pedagógica, oferecendo informações compreensíveis e valorizando as perguntas e percepções dos participantes.

A discussão também permite reconhecer a relevância de estratégias educativas que ultrapassem a exposição oral de conteúdos. Ao participar da roda de conversa, as crianças tiveram a oportunidade de expressar suas ideias e refletir sobre possíveis formas de ação, contribuindo para uma aprendizagem mais participativa.

Os resultados podem ser relacionados aos princípios da Política Nacional de Educação Ambiental, que reconhece a educação como um processo de construção de conhecimentos, habilidades, valores e atitudes voltados à conservação ambiental (BRASIL, 1999). A atividade também dialoga com a BNCC, ao valorizar a participação, a exploração do ambiente, a responsabilidade e o desenvolvimento da cidadania (BRASIL, 2018).

Entretanto, é necessário distinguir o interesse demonstrado durante a atividade da efetiva incorporação de hábitos sustentáveis. A participação e as sugestões apresentadas constituem resultados imediatos do encontro, mas não permitem concluir, isoladamente, que ocorreram mudanças permanentes nas atitudes das crianças.

Para ampliar os resultados, seria possível desenvolver ações posteriores, como campanhas educativas na comunidade, atividades de separação de resíduos, projetos de reutilização de materiais, observação do consumo de água e produção de cartazes informativos. O acompanhamento dessas iniciativas permitiria identificar a continuidade da participação e as dificuldades encontradas na adoção das práticas propostas.

A experiência também sugere a importância de envolver as famílias e outros membros da comunidade. A construção de hábitos sustentáveis depende de condições concretas de participação, de acesso a informações e de oportunidades para colocar os conhecimentos em prática.

Assim, a atividade relatada apresenta contribuições relevantes como experiência educativa inicial, ao promover diálogo, participação e sensibilização ambiental. Seu aprofundamento por meio de ações contínuas poderá ampliar as oportunidades de aprendizagem e fortalecer o compromisso coletivo com a sustentabilidade.

 

 

2.6 Sustentabilidade e responsabilidade socioambiental no cotidiano

 

A sustentabilidade envolve a busca por formas de organização social e econômica capazes de atender às necessidades humanas sem comprometer as condições ambientais necessárias à vida. Essa perspectiva exige reflexão sobre os padrões de produção e consumo, o uso dos recursos naturais, a geração de resíduos e as responsabilidades dos diferentes setores da sociedade.

No cotidiano das crianças, a sustentabilidade pode ser trabalhada por meio de experiências simples, desde que contextualizadas e acompanhadas de explicações adequadas. Economizar água, evitar desperdícios, reutilizar materiais e separar resíduos são exemplos de práticas que permitem discutir o cuidado com os recursos naturais.

A redução do consumo de plástico também pode constituir um tema de investigação. As crianças podem observar quais materiais são utilizados em suas atividades diárias, identificar possibilidades de reutilização e discutir formas de diminuir a produção de resíduos. Essas propostas devem considerar as condições da comunidade e a disponibilidade de serviços de coleta seletiva e reciclagem.

É importante destacar que a separação dos resíduos só alcança plenamente sua finalidade quando existem condições apropriadas para coleta, transporte e destinação. Por isso, a educação ambiental precisa articular as atitudes individuais à compreensão da responsabilidade dos serviços públicos, das empresas e da sociedade.

Outra possibilidade consiste em abordar a relação entre alimentação e sustentabilidade, discutindo o desperdício de alimentos, o aproveitamento adequado dos recursos e a importância de escolhas conscientes. Do mesmo modo, a análise das desigualdades sociais permite compreender que as populações não possuem as mesmas condições de acesso à água potável, ao saneamento básico, à alimentação adequada e a ambientes saudáveis.

Essas discussões ampliam a compreensão das crianças sobre a relação entre ambiente e sociedade, evitando uma abordagem restrita à conservação de elementos naturais. A sustentabilidade também envolve condições dignas de vida, justiça social e participação coletiva.

Desse modo, a educação ambiental pode contribuir para a construção de uma cultura de cuidado e responsabilidade, incentivando ações cotidianas e estimulando a reflexão sobre as transformações necessárias para a preservação ambiental.

 

 

2.7 O papel do educador na construção da consciência ambiental

 

O educador desempenha uma função essencial na organização de experiências que favoreçam a compreensão dos problemas ambientais e a participação dos estudantes na busca por alternativas. Sua atuação envolve selecionar conteúdos, utilizar metodologias adequadas, estimular o diálogo e relacionar os conhecimentos às situações vivenciadas pelas crianças.

Para desenvolver esse trabalho, é importante que o professor conheça a realidade da comunidade e considere os problemas ambientais que fazem parte do cotidiano dos estudantes. A contextualização permite que as discussões sejam mais significativas, pois aproxima os conteúdos das experiências e dos conhecimentos prévios dos participantes.

O planejamento pedagógico deve prever objetivos claros, atividades diversificadas e oportunidades para a participação de todas as crianças. Além das rodas de conversa, podem ser utilizados desenhos, narrativas, observações do ambiente, visitas orientadas, projetos de cuidado com plantas e campanhas educativas.

O educador também precisa estimular a análise crítica das informações, diferenciando conhecimentos fundamentados de opiniões ou afirmações sem comprovação. Ao discutir mudanças climáticas, poluição e desmatamento, por exemplo, deve apresentar explicações acessíveis, evitando simplificações que distorçam a complexidade dos fenômenos.

Outro aspecto fundamental é o exemplo oferecido nas práticas cotidianas. A organização dos espaços, a utilização responsável dos materiais e o cuidado com os recursos disponíveis podem reforçar os conhecimentos trabalhados durante as atividades.

Entretanto, o professor não deve ser considerado o único responsável pela transformação das condições ambientais. A escola e os espaços comunitários podem contribuir para a formação de uma consciência crítica, mas a efetivação de mudanças mais amplas depende também da participação das famílias, das instituições, das empresas e do poder público.

Portanto, a atuação docente deve articular conhecimentos científicos, práticas participativas e reflexão sobre a realidade social, contribuindo para que as crianças desenvolvam atitudes de cuidado e compreendam a importância da responsabilidade socioambiental compartilhada.

 

 

3 CONCLUSÃO

 

A análise da experiência pedagógica realizada na comunidade São José do Pingador, no município de Lambari d’Oeste, Mato Grosso, permite reconhecer a importância da educação ambiental como instrumento de sensibilização e formação cidadã desde a infância. A atividade desenvolvida possibilitou discutir problemas ambientais e estimular a participação das crianças na apresentação de sugestões para a preservação da natureza.

A roda de conversa constituiu uma estratégia importante para promover o diálogo e aproximar a temática ambiental das experiências cotidianas dos participantes. As sugestões relacionadas ao uso racional da água, à economia de energia elétrica, à separação dos resíduos e à redução do consumo de plástico demonstraram envolvimento com a proposta e ofereceram oportunidades para refletir sobre atitudes que podem contribuir para a sustentabilidade.

A experiência também reforça a importância de desenvolver práticas pedagógicas contextualizadas, participativas e adequadas à faixa etária. Ao serem convidadas a expressar suas ideias e a refletir sobre os problemas apresentados, as crianças puderam assumir uma posição ativa no processo educativo, reconhecendo a relevância do cuidado com o meio ambiente.

A fundamentação teórica e documental evidencia que a educação ambiental deve ser compreendida como um processo contínuo, integrado à formação escolar e comunitária. Nesse sentido, a Política Nacional de Educação Ambiental e a BNCC oferecem referências importantes para a construção de propostas educativas comprometidas com a responsabilidade socioambiental, a participação e a cidadania.

É necessário, contudo, reconhecer os limites do relato apresentado. As observações registradas permitem identificar interesse e participação durante a atividade, mas não comprovam mudanças duradouras de comportamento ou resultados ambientais concretos. Para aprofundar a experiência, recomenda-se a continuidade das ações educativas, com acompanhamento das iniciativas propostas e envolvimento das famílias e de outros integrantes da comunidade.

Conclui-se que as práticas pedagógicas de educação ambiental podem contribuir significativamente para aproximar as crianças das questões socioambientais e fortalecer valores relacionados ao cuidado, à cooperação e à responsabilidade coletiva. Quando desenvolvidas de maneira contínua e contextualizada, essas práticas ampliam as possibilidades de aprendizagem e favorecem a formação de cidadãos conscientes de sua participação na construção de uma sociedade mais sustentável.

 

 

REFERÊNCIAS

 

BRASIL. Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 1999. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9795.htm. Acesso em: 13 out. 2026.

 

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: MEC, 2018. Disponível em: https://basenacionalcomum.mec.gov.br/. Acesso em: 13 out. 2026.

 

BRASIL. Ministério da Educação. Caderno de práticas: sustentabilidade x educação, preservar é nossa missão! Brasília, DF: MEC, [s. d.]. Disponível em: https://basenacionalcomum.mec.gov.br/implementacao/praticas/caderno-de-praticas/ensino-fundamental-anos-iniciais/145-sustentabilidade-x-educacao-preservar-e-nossa-missao. Acesso em: 13 out. 2026.

 

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