A inclusão do aluno com deficiência: possíveis abordagens para direcionar a inclusão no ambiente escolar
Luciene da Silva Veras
Andreza Ferreira da Silva Ramalho
Vanesa Márcia Czechovski
RESUMO
O presente trabalho foi realizado mediante a uma pesquisa qualitativa, com o propósito de analisar conteúdos produzidos por autores que discorrem sobre a inclusão do aluno com deficiência e meios para incluir um aluno com deficiência. Teve como objetivo investigar a realidade dos alunos portadores de necessidades especiais em sala de aula, tendo como foco uma visão geral e em seguida abordou-se leis das quais estabelecem normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessbilidade e inclusão de pessoas com deficiência. As políticas públicas e leis governamentais fomentam a inclusão nas escolas, oferecendo suportes aos profissionais da área da educação para que esta seja feita de forma fácil, inserindo este aluno no cotidiano das escolas regulares. Porém, na maioria das vezes, a realidade não está de acordo com as políticas implementadas sobre o tema. Foi uma proposta nesta pesquisa, uma análise e confronto com a realidade vivida na maioria das escolas regulares, principalmente com os professores que recebem estes alunos em sala de aula, que muitas vezes não recebem suporte algum para auxiliar o trabalho pedagógico.
Palavras-chave: Aluno; deficiência; escolas; professores.
INTRODUÇÃO
A Educação Inclusiva que abrange alunos com deficiências físicas ou mentais, tem se tornado escopo de diversas discussões entre pensadores da educação. Atualmente, o aluno da Educação Inclusiva está presente nas escolas regulares e cada dia em maior quantidade. Por mais que o governo tenha mantido o apoio legislativo para tal frequência, existe a concordância na falta de ajuda pedagógica e suporte para o professor de tal modalidade de educação, que uma vez frente a essa realidade, se vê desnorteado e sem ação.
No Brasil para que a educação inclusiva seja um direito de todos, foram criadas leis que definem a Educação Especial como a modalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na rede regular de ensino para educandos portadores necessidades especiais, assegurando ao aluno da Educação Especial, currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicas, para atender as suas necessidades. Leis das quais estabelecem também que os professores devem ter especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns.
Ao investigar documentos sobre políticas públicas de Educação Inclusiva no Brasil, pode-se constatar projetos dinâmicos e diferenciados. O cenário da educação está abrindo as portas para os mais diversos tipos de aluno, independente de suas particularidades e os profissionais da área estão se adequando a esta nova realidade, preparando-se para estas mudanças de modo a possibilitar uma aprendizagem significativa tanto aos alunos portadores de necessidades especiais quanto aos demais.
Desta forma, o professor da educação Inclusiva deve conhecer e compreender essas diferenças para organizar e realizar seu trabalho pedagógico da melhor forma possível, fazendo-se necessário a compreensão e o conhecimento das características de cada deficiência, para poder atender as necessidades especiais constatadas em cada caso específico.
Porém, o preconceito e a falta de informação perante o aluno considerado "diferente" ainda nos dias de hoje faz com que o índice de frequência destes alunos nas salas regulares, por mais que estejam crescendo, acabam se tornando muito pequeno. Muitas vezes, tal preconceito não vem somente dos demais alunos como também do próprio professor, que se vê desnorteado e sem apoio diante dessa realidade nova dentro da sala de aula.
Outro problema enfrentado nas escolas regulares é a falta de apoio pedagógico aos educadores para trabalhar com esse aluno que muitas vezes chega na instituição de ensino sem nem ao menos um laudo para especificar suas limitações, tornando sua inclusão no cotidiano da escola e da sala de aula, um desafio ainda maior.
O aluno da educação inclusiva deve chegar á escola, assistido por uma equipe de profissionais prontos a auxiliar o professor no seu trabalho e este por sua vez necessita do apoio direto também do coordenador pedagógico para que se tenha suporte para um trabalho com excelência e que faça realmente a diferença na vida deste educando.
A EDUCAÇÃO INCLUSIVA DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA NO BRASIL
A Educação Especial no Brasil passou por um longo processo de transformação ao longo da história. Em seus primeiros momentos, desenvolveu-se de forma paralela ao ensino regular, sendo destinada exclusivamente às pessoas com deficiência, o que reforçava a segregação educacional.
Os primeiros registros da Educação Especial no país remontam ao período da República Velha, a partir de 1889, sob forte influência dos modelos europeus. Nesse contexto, a identificação das pessoas com deficiência era baseada, principalmente, em diagnósticos médicos. Além disso, a legislação vigente da época considerava essas pessoas incapazes de acompanhar o processo de escolarização, o que resultava em sua exclusão do sistema educacional.
Ao longo do século XX, os avanços na Educação Especial ocorreram de forma lenta, mantendo-se diversas barreiras que restringiam o acesso das pessoas com deficiência à educação. Somente na década de 1960, com a realização da Conferência Geral promovida pela UNESCO, fortaleceu-se o movimento internacional de combate à discriminação no campo educacional, reafirmando o princípio de que:
A discriminação no campo do ensino constitui violação dos direitos enunciados nesta Declaração. Considerando que nos termos de sua Constituição, a Organização das Nações Unidas para a educação, à ciência e a cultura se propõe a instituir a colaboração entre as nações para assegurar a todos o respeito universal dos direitos do homem e oportunidades igual de educação. (UNESCO, 1960, p. 1)
Como consequência das discussões promovidas pela Conferência Geral da UNESCO, realizada em 1960, a legislação brasileira passou a incorporar princípios voltados à redução da discriminação no campo educacional. Nesse contexto, a Lei nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961, primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, passou a assegurar o acesso das pessoas então denominadas "excepcionais" à educação. Em seu artigo 88, estabelecia que a educação dessas pessoas deveria, sempre que possível, integrar-se ao sistema geral de ensino, favorecendo sua participação na comunidade.
O fortalecimento das políticas voltadas à Educação Especial continuou nas décadas seguintes, alcançando um importante marco com a Constituição Federal de 1988. Em seu artigo 208, inciso III, a Carta Magna determina que é dever do Estado garantir o atendimento educacional especializado às pessoas com deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino. Esse dispositivo representou um avanço significativo ao consolidar o princípio da inclusão escolar e estimular a permanência dos estudantes com deficiência em classes comuns.
Outro marco fundamental foi a Declaração de Salamanca, publicada em 1994, que reforçou internacionalmente o direito das pessoas com deficiência à educação inclusiva. O documento reconhece que toda pessoa com deficiência possui o direito de manifestar seus desejos e necessidades em relação à sua educação, incentivando os sistemas de ensino a promoverem práticas inclusivas que respeitem a diversidade e garantam igualdade de oportunidades.
No Brasil, esses princípios foram reafirmados pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996). Em seus artigos 58, 59 e 60, a legislação estabelece a Educação Especial como modalidade transversal de ensino, assegurando aos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação o acesso, a permanência e as condições necessárias para sua aprendizagem na rede regular de ensino. Dessa forma, a LDB fortaleceu o compromisso do país com uma educação baseada na igualdade de direitos e na valorização da diversidade.
Apesar dos importantes avanços legais conquistados ao longo das últimas décadas, a efetivação da educação inclusiva ainda enfrenta inúmeros desafios no cotidiano das instituições escolares. Na Educação Infantil, essas dificuldades tornam-se ainda mais evidentes, envolvendo aspectos como formação docente, disponibilidade de recursos pedagógicos, adaptação dos espaços físicos e oferta de atendimento especializado. Diante desse cenário, torna-se pertinente refletir sobre os principais desafios enfrentados pelos profissionais da educação na promoção da inclusão de crianças com deficiência nas instituições públicas de Educação Infantil.
Nesse contexto, a Educação Inclusiva consolidou-se como um dos princípios fundamentais da educação brasileira, especialmente a partir da Constituição Federal de 1988 e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996). Entretanto, embora os avanços legislativos tenham ampliado o acesso das crianças com deficiência às classes regulares, persistem desafios relacionados à construção de práticas pedagógicas inclusivas, capazes de garantir não apenas o ingresso desses estudantes na escola, mas também sua participação efetiva, aprendizagem e desenvolvimento em condições de igualdade.O que mais atrai questionamentos é a oferta do Atendimento Educacional Especializado
(AEE), que também é previsto no Decreto Federal N° 7611/2011 e na Resolução CNE CEB N° 04/2009 e Parecer CNE/CEB N° 13/2009. O direito do AEE já se encontra assegurado em grande parte dos municípios brasileiros, porém há ainda muitas instituições onde esse tipo de educador ainda não está previsto no Projeto Político Pedagógico. O acompanhamento feito pelo AEE é de fundamental importância para a educação inclusiva e para a realidade enfrentada hoje pelos educadores dentro das salas de aula para atender às necessidades especificas dos alunos e das escolas. “O AEE tem como função identificar, elaborar e organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena participação dos alunos, considerando suas necessidades especificas (BRASIL. 2008).
O AEE constitui-se como um apoio pedagógico que complementa a escolarização dos alunos, sendo que deve-se contemplar atividades dinâmicas e diferenciadas, não se tomando apenas um "reforço para os alunos com necessidades especiais. Assim, o educador do AEE deve ter uma formação diferenciada, além da habilitação exigida para a docência, uma formação Especifica para a Educação Especial. Outra questão a se articular no AEE é a elaboração do Plano de Atendimento Educação Especializado que servirá como um agente norteador para o trabalho individual com o aluno inclusivo.
Assim, a escola foi (é?) uma fonte de exclusão para muitos alunos que, quase sempre confundidos com "falta de motivação": "indisciplina" ou "falta de inteligência" a incompatibilidade entre seus valores, ritmos e interesses com que eram veiculados na escola (RODRIGUES, 2003, p. 91-92).
A INCLUSÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA NA ESCOLA
A Educação Inclusiva na escola é a ação que busca alcançar e atender as necessidades educativas especiais de todos, colocando-os em um sistema de ensino regular que seja capaz de promover a aprendizagem e o desenvolvimento pessoal dos alunos. Em seus estudos, Mittler (2013) descreve como um processo de reforma e de reestruturação das escolas deveria ser realizado como um todo, com o objetivo de assegurar que todos os alunos possam ter acesso a todas as gamas de oportunidades educacionais e sociais oferecidas pela escola.
Antigamente, a aceitação dos indivíduos portadores de necessidades especiais na comunidade era inexistente, as pessoas que possuíam algum tipo de necessidade especial eram vistas como "defeituosas", não eram sequer consideradas seres humanos, sendo demasiadamente recriminadas pelo meio sociais. Sanches (2005) relatou que na Roma Antiga conservavam-se práticas na qual as crianças que nasciam com algum tipo de limitação eram sacrificadas ou abandonados nas margens de rios ou locais sagrados, onde fortuitamente pudessem ser acolhidas por famílias da plebe. Após alguns séculos as pessoas portadoras de necessidades especiais eram também levadas a casas comerciais, bordéis e circos romanos onde eram submetidas a trabalhos humilhantes. Essa prática foi utilizada durante muitos séculos na história da humanidade.
Enquanto isso, na Grécia Antiga, em Esparta todos os bebês que nasciam passavam por uma espécie de comissão onde eram minuciosamente avaliados, se fossem considerados normais eram devolvidos aos pais para serem criadas até os sete anos e depois devolvidos ao Estado para desenvolverem a arte de guerrear. No entanto se o bebê lhes parecesse disforme, apresentando diferença do que era considerado padrões naturais, era lançado ao abismo onde ele encontraria sua morte (SÁNCHEZ, 2005).
A escola regular, de maneira geral, não foi nem é planejada para acolher a diversidade de indivíduos, mas para a padronização, para atingir os objetivos educativos daqueles que são considerados dentro dos padrões de "normalidade" (FONSECA, 1995). Muitas escolas estão apenas recebendo alunos com necessidades especiais, obedecendo à Lei n°. 9.394/96 (LDB, art. 4°, III) que estabelece que o atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência deve ser realizado, preferencialmente, na rede regular de ensino. (BRASIL, 2002).
Alguns autores como Mantoan (2006) defendem a inclusão e questiona não apenas politicas e organização da educação, mas também o conceito de integração, dizendo que a inclusão é incompatível com a integração, pois prevê a inserção escolar de forma radical, completa e sistemática. A escola, em sua tradição, tem sido apontada como uma organização que estabelece critérios seletivos, em consequência de um enfoque homogêneo de aluno, consequentemente, o aluno que não se adapta ao sistema fica à margem do processo educativo.
Todas essas reuniões refletiram grande impacto na busca de uma educação efetivamente inclusiva, começava assim a se modificar a educação mundial, inclusive no Brasil, saindo de um modelo de integração e passando a sustentar o modelo de inclusão. Inicia-se então um processo de transformação, motivado por todas essas reuniões, com o objetivo de adequar as escolas para receber os alunos com necessidades especiais (ROSA, 2007).
O PROFESSOR NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA
O professor desempenha um papel fundamental como mediador do processo de ensino e aprendizagem. No entanto, para que a escola seja capaz de atender, de forma efetiva, estudantes com diferentes características, potencialidades e ritmos de aprendizagem, não basta apenas contar com a estrutura tradicional de profissionais presentes nas instituições de ensino. É indispensável que docentes e demais integrantes da equipe escolar possuam formação adequada e estejam continuamente capacitados para identificar e atender às necessidades específicas de cada educando, promovendo práticas pedagógicas inclusivas e assegurando o direito à aprendizagem de todos.
Nesse contexto, a formação dos profissionais da educação torna-se um elemento essencial para a consolidação da educação inclusiva. Reconhecendo essa necessidade, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996), em seu artigo 62, estabelece que:
A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nivel superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em universidades e institutos superiores de educação, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade Normal. (BRASIL, 2006)
Diante das demandas da educação inclusiva, o professor exerce um papel essencial no processo de ensino e aprendizagem dos estudantes com necessidades educacionais específicas. Como mediador do conhecimento, cabe a esse profissional planejar e desenvolver estratégias pedagógicas que favoreçam o desenvolvimento integral dos alunos, estimulando suas capacidades cognitivas, afetivas, sociais e intelectuais. Além disso, é responsabilidade do docente criar condições para que as barreiras à aprendizagem e à participação sejam gradativamente superadas, promovendo uma educação pautada na equidade e no respeito às diferenças.
Para que a inclusão escolar se concretize, é necessário que os educadores compreendam a educação de forma ampla, reconhecendo a diversidade como um elemento constitutivo do ambiente escolar. Nesse sentido, torna-se indispensável superar concepções centradas nas limitações dos estudantes e adotar uma perspectiva que valorize suas potencialidades e possibilidades de aprendizagem. Essa mudança de postura deve refletir-se na elaboração de práticas pedagógicas diversificadas, capazes de atender às diferentes formas de aprender, respeitando as singularidades dos alunos e valorizando as múltiplas inteligências presentes no contexto educacional.
Conforme destaca Minetto (2008), para que esse processo seja efetivamente desenvolvido:
O professor precisa organizar-se com antecedência, planejar com detalhes as atividades e registrar o que deu certo e depois rever de que modo às coisas poderiam ter sido melhores. É preciso olhar para o resultado alcançado e perceber o quanto todos os alunos estão se beneficiando das ações educativas. (MINETTO, 2008, p. 101)
Com base na citação apresentada, compreende-se que os profissionais da educação comprometidos com uma prática pedagógica inclusiva devem estar atentos à diversidade presente em sala de aula, desempenhando suas funções de forma ética, justa e solidária. Para isso, é fundamental que suas ações sejam orientadas pelo respeito às diferenças, pela valorização da diversidade humana e pela promoção de um ambiente livre de qualquer forma de discriminação, contribuindo para a formação de cidadãos conscientes e preparados para conviver em uma sociedade plural.
Entretanto, muitos professores ainda enfrentam desafios para atuar em contextos inclusivos, principalmente em razão da diversidade de necessidades e características apresentadas pelos estudantes. A insegurança diante dessas demandas é compreensível, uma vez que não existe um modelo único ou uma metodologia capaz de atender igualmente a todos os alunos. Assim, o trabalho docente requer constante reflexão, formação continuada e flexibilidade para adaptar estratégias de ensino às especificidades de cada educando, com ou sem deficiência.
Nesse contexto, a efetivação da educação inclusiva exige um processo contínuo de transformação das instituições de ensino. Torna-se necessário que as escolas promovam a revisão de suas práticas pedagógicas, fortaleçam seus Projetos Político-Pedagógicos, adequem seus currículos e invistam na acessibilidade física, pedagógica e atitudinal, garantindo condições para o acesso, a permanência, a participação e a aprendizagem de todos os estudantes. Dessa forma, é importante destacar que o princípio fundamental da educação inclusiva consiste em:
[...] todas as crianças deveriam aprender juntas, independente de quaisquer dificuldades ou diferenças que possam ter. As escolas inclusivas devem reconhecer e responder às diversas necessidades de seus alunos, acomodando tanto estilos como ritmos diferentes de aprendizagem e assegurando uma educação de qualidade a todos, por meio de curriculo apropriado, modificações organizacionais, estratégias de ensino, usam de recursos e parceria com a comunidade (UNESCO, 1994, p. 05).
Na Educação Infantil, os professores desempenham um papel fundamental na consolidação de práticas pedagógicas inclusivas. Para isso, devem promover um ensino baseado no respeito mútuo, na valorização da diversidade e na igualdade de oportunidades, favorecendo o desenvolvimento da consciência cidadã desde os primeiros anos de escolarização. É nesse contexto que as crianças aprendem a reconhecer e respeitar as diferenças, compreendendo que todas as pessoas possuem os mesmos direitos, independentemente de sua etnia, condição socioeconômica, deficiência ou quaisquer outras características individuais.
Dessa forma, cabe ao professor criar experiências educativas que estimulem a convivência harmoniosa, a cooperação, a empatia e o reconhecimento da diversidade como um valor essencial para a formação humana. Nessa perspectiva: [...] "Nenhuma criança é deficiente no âmbito de sua própria existência. Ela se mostra deficiente apenas diante das exigências feitas a ela pela sociedade a qual faz parte" (STRATFORD, 1989).
POSSIBILIDADE METODOLÓGICA PARA ALUNOS COM DEFICIÊNCIA
Ensina-se aos alunos através de exemplos que apesar das diferenças, todos nós temos direitos iguais. Há poucos anos era considerado irrealista pela maioria das pessoas até mesmo discutir a possibilidade de educar todos os alunos, incluindo aqueles com deficiências importantes nas escolas e nas turmas regulares.
A busca de novos ambientes de aprendizagem, mais adequados às necessidades de nossos alunos e ao mundo como ele hoje se apresenta, nos leva a procurar um novo referencial para a educação, tendo em vista a complexidade de situações surgidas no cotidiano.
Inicialmente as práticas escolares generalizavam a todos alunos uma mesma metodologia de trabalho, considerando o grupo de alunos de forma homogênea, assim, quem não se encaixava no padrão" era rotulado como "portador de dificuldades de aprendizagem", como sendo "diferentes “ou "especiais".
Como resultado dessa prática, tendia-se a esperar dessas crianças piores resultados, e, portanto, davam-lhes tarefas pouco estimulantes que acentuavam a ideia de sua inadaptação, não ocorrendo também a oportunidade de ter o apoio e o estímulo que proporciona trabalhar em colaboração com os colegas, importante fator de interação.
[...] quando a escola não sabe como atender às necessidades educacionais de seus alunos, configura-se o problema [...] remover barreiras à aprendizagem é pensar em todos os alunos como seres em processo de crescimento e desenvolvimento, que vivenciam o processo de ensino-aprendizagem de maneiras diversas, seja por suas diferenças individuais, seja por seus interesses e motivações (CARVALHO, 1997, p.61).
Nesse sentido, para que a prática pedagógica realmente consiga ter bons resultados, torna-se fundamental trazer elementos do universo desses alunos, adaptando de forma específica o que cada aluno é capaz de fazer. Isto porque a aprendizagem do ser resulta diretamente da ação do sujeito com seu entorno. Ou seja, tem um caráter eminentemente social. De acordo com Vygotsky (1998, p. 76), "[...] o desenvolvimento e a aprendizagem estão inter-relacionados desde o nascimento da criança”.
A aprendizagem por essa perspectiva compreende um processo em que o sujeito se torna capaz de adquirir informações, habilidades e atitudes, sempre tendo seu entorno social como ponto de partida.
Desde os primeiros dias do desenvolvimento da criança, suas atividades adquirem um significado proprio num sistema de comportamento social e, sendo dirigidas a objetivos definidos, são refratadas através do prisma do ambiente da criança. O caminho do objeto até a criança e desta até o objeto passa através de outra pessoa. Essa estrutura humana complexa é o produto de um processo de desenvolvimento profundamente enraizado nas ligações entre história individual e histórica social (VYGOTSKY, 1998, p.33)
Em outros termos, o ato de aprender seria resultado direto da interdependência com outros indivíduos e no processo histórico como um todo. Pois, a interação possui um lugar de destaque na teoria de Vygotsky justamente porque é percebida como mediadora do processo de construção do conhecimento, sem a qual o mesmo fica extremamente limitado. Pois, é na interação com tudo e todos ao seu redor que as crianças constroem e ressignificam seus conhecimentos.
A aprendizagem, dessa forma, só acontece quando o sujeito e o meio se relacionam, interagem, o que leva o outro importante elemento: a emoção. A emoção é a primeira linguagem da criança é a primeira forma de sociabilidade.
Nesse sentido, a literatura se torna uma expressão artística que representa o mundo, o homem, a vida através das palavras. A leitura tem significado especial na vida da criança, pois à medida que o sujeito lê a obra literária vai construindo imagens que se interligam e se completam, mas que também se modificam, desenvolvendo a capacidade de relacionar-se com situações e pessoas ao seu redor.
Portanto, a literatura por proporcionar um leque grande de interações, bem como por favorecer a fala e escuta de emoções, favorece um trabalho inclusivo, pois se torna capaz de permitir que todos estejam em condições parecidas, não só para se expressar, mas para se apropriar de conhecimentos e conceitos que possam estar implícitos nas histórias infantis.
Ler é um ato de comunicação que dimensionam, sensações e sonhos. A ação pedagógica perpassa por vários caminhos e, pensando nessa ação, encontramos a criança, e para entrar no mundinho dela, saber orientá-la e ajudá-la a avançar, precisamos fazer uma ligação dela com o mundo imaginário
A literatura além de promover um desenvolvimento integral da criança, ajuda a controlar a agressividade, proporciona a realização de desejos, ao convívio social, a afetividade entre os colegas, a experimentação de sentimentos (amor, confiança, solidariedade, união, como também frustração, raiva, inveja). estimula a curiosidade, incentiva a busca de soluções e a descoberta de caminhos.
Compreende-se que a linguagem é um instrumento expressivo na vida da criança, como meio de comunicação e socialização e a literatura infantil torna-se um veículo importante para esse desenvolvimento, pois despertou nela o desejo de contar histórias, o conhecimento de outras partes do mundo, de outros povos, outras etnias e, mostra-lhe a necessidade das relações humanas. Já no aspecto moral, imprime na criança o entusiasmo pelas boas ações, estimulando o sentido da verdade, a admiração pela natureza, entre tantos outros.
A Literatura infantil, na perspectiva didática, fixa conhecimentos já produzidos, constrói outros e, principalmente, conduz a criança na arte de ler e de bem compreender o que lê e, ainda, no aspecto psicológico, visa formação da conduta ou do caráter relevando os valores humanos de forma sensível.
Por isso, a importância do professor desenvolver a habilidade de trazer para a sala de aula situações adequadas que motivem a leitura, marcando esse momento com fatos positivos e agradáveis.
A educação física também é extremamente importante para alunos com deficiência, claro que, faz-se necessário adaptar as atividades de acordo com a deficiência do aluno, pois a Educação Física escolar deve "dar oportunidades a todos os alunos para que desenvolvam suas potencialidades, de forma democrática e não nativa visando seu aprimoramento como seres humanos”. (BRASIL, 1997. p. 29).
Isto é. o docente deve sempre procurar métodos para que a integração destes alunos. E que eles tenham sucesso nestas aulas. É sugerido que o planejamento das aulas deve ser diversificado, tentando utilizar de todo o conhecimento adquirido pelo professor, dando a oportunizado para o aluno de conhecer o máximo dos conteúdos da Educação Física, como: atletismo. futsal, vôlei, ginastica, dança, jogos e brincadeiras, dentre outros.
Para Melero (2007):
A inclusão das pessoas com deficiência na vida escolar e social supõe uma profunda mudança na maneira de pensar de professorado e uma mudança no conteúdo e nos estilos de ensinar no caso das disciplinas das quais falamos, a educação física e o esporte devem ser considerados dentro do currículo como matérias formativas e não complementares. (MELERO, 2007).
Palhares e Marins. (2002) ressaltam que a educação física escolar também deve focar na diversificação das atividades, a fim de que as crianças percebam a diferença de seus desempenhos nas várias atividades, sem a conotação de fracasso ou incapacidade.
Vale ressaltar que atividades mais indicadas a esse público são aulas aeróbicas, pois as crianças que não se utilizam da fala, por exemplo, costumam ter uma respiração "curta", estas atividades irão proporcionar meios que possa fortalecer e exercitar os músculos envolvidos na respiração. Pois além de contribuir em todos os benefícios cardiovasculares, ajuda também no aprendizado na emissão dos sons da fala.
MATERIAIS E MÉTODOS
A pesquisa foi realizada através de várias fontes bibliográficas, adotando uma abordagem qualitativa, onde se buscou levantar e contextualizar o trabalho dos principais teóricos que discorrem sobre o tema, sem perder de vista a questão da função docente enquanto responsável por pensar e executar as práticas nesse cenário, tentando ao máximo enfatizar as evoluções da Educação Inclusiva, como começaram e como estão atualmente. Foram expostas nesse trabalho, leis que estabelecem o direito da educação inclusiva para alunos com algum tipo de deficiência física ou mental, assim como dados presentes na Constituição da República Federativa.
Outro apoio Legislativo que tem o aluno da educação especial é o documento Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL, 2008), que instituiu mudanças conceituais e estruturais na organização do sistema educacional. Entre as orientações para esta mudança estão: a transversalidade da educação especial desde a Educação Infantil até a educação superior: o atendimento educacional especializado; a continuidade da escolarização nos níveis mais elevados do ensino; a formação de professores para o atendimento educacional especializado e demais profissionais da educação para a inclusão escolar: a participação da família e da comunidade, a acessibilidade urbanística, arquitetônica, nos mobiliários e equipamentos, nos transportes, na comunicação e informação; e a articulação intersetorial na implementação das políticas públicas.
Nas escolas, é comum que os laudos médicos e diagnósticos dos alunos de educação inclusiva sejam usados como justificativa para a falta de ação da escola e do professor, frente aos alunos especiais os quais deveriam ser inseridos no ambiente escolar e na sala de aula de maneira a trazer evolução para a criança. É necessário um trabalho de cunho educacional e pedagógico destinado a estes alunos de maneira que apesar de considerando suas limitações, estes possam alcançar o desenvolvimento, e nesta perspectiva o AEE se torna fundamental, para que possa auxiliar o trabalho do professor, para que seja garantido o aprendizado do aluno especial.
Porém ainda está longe de ser a realidade que existe hoje, pois se sabe que para que haja inclusão educacional é necessário que não somente as políticas públicas ofereçam suportes para os profissionais, mas também é necessidade que se faça cumpri-las de tal forma a tornar a inserção de um aluno com necessidades especiais na escola regular não um desafio, mas algo natural, a qual estão todos preparados e dispostos a ajudar a transformar o futuro deste educando.
A maior parte da coleta de dados foi feita através da internet por meio de sites que expõem o que está escrito nas leis de diretrizes e bases da educação nacional, e por troca de experiências com professores que trabalham em escolas regulares e praticam a educação inclusiva, aprofundando desta forma, os estudos sobre a inclusão do aluno com deficiência.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Se há necessidade de questionamentos e estudos sobre a Inclusão, é porque nas escolas tem havido bastante exclusão. Portanto, apesar de já termos bastante embasamento teórico e suportes de leis sobre o assunto, é necessário agora, pensarmos e mudarmos a prática na sala de aula frente a essa situação. É preciso que o professor que recebe um aluno "especial" em sua sala de aula, não apenas "aceite", "respeite" ou "tolere", mas que este passe a pensar e planejar intervenções pedagógicas que atendam esse aluno da melhor forma possível, por isso a importância da formação continuada dos profissionais da educação, buscando sempre aprimorar os estudos e adaptar-se a novas realidades, tanto o professor quanto a equipe educacional.
É necessário que toda a comunidade escolar se mobilize para que este aluno não seja excluído pela falta de planejamento para ele.
Segundo a Secretaria de Educação Especial do MEC, a sala de recursos complementa ou suplementa a formação dos estudantes, elabora e organiza elementos de acessibilidade e eliminem barreiras que impossibilita os estudantes de se inserirem no meio escolar, atendendo alunos com necessidades especiais. A sala de recursos é uma extensão daquilo que os alunos estudam em sala de aula, no entanto, o aluno não pode se sentir excluído; é importante a inserção conjunta do profissional que atua na sala de recursos com os professores que estão no ensino regular.
CONCLUSÃO
Observa-se que, nas últimas décadas, as instituições de ensino têm avançado significativamente na promoção da educação inclusiva, ampliando o acesso de estudantes com deficiência e outras necessidades educacionais específicas ao ensino regular. Esse processo tem impulsionado os professores a repensarem suas práticas pedagógicas, adotando novas metodologias e estratégias de ensino que favoreçam a participação, a aprendizagem, a autonomia e o desenvolvimento integral de todos os estudantes.
Nesse contexto, cabe ao professor desenvolver uma prática pedagógica fundamentada nos princípios da igualdade de direitos, da equidade e da valorização da diversidade. Isso significa compreender que oferecer oportunidades iguais não implica utilizar um único método de ensino para todos, mas sim reconhecer as particularidades de cada estudante e proporcionar recursos, estratégias e adaptações que atendam às suas necessidades, interesses, potencialidades e formas de aprendizagem.
Apesar dos importantes avanços alcançados pela legislação e pelas políticas públicas voltadas à educação inclusiva, a efetivação desse processo ainda representa um desafio para muitas escolas. Em diversas situações, os professores sentem-se inseguros para atender às demandas da inclusão, especialmente em razão das limitações relacionadas à formação inicial e à formação continuada. A ausência de preparo específico para desenvolver práticas pedagógicas inclusivas pode dificultar a construção de um ambiente escolar verdadeiramente acessível, participativo e comprometido com o sucesso educacional de todos os estudantes.
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