A inclusão escolar de alunos surdos na Escola Estadual 19 de Julho no município de Peixoto de Azevedo

Liliane Mendes da Silva

Cleize Maria de Barros Tavares

Valdeci de Carvalho

Luciene Alves de Jesus de Medeiros

 

DOI: 10.5281/zenodo.20692402

 

 

RESUMO

As pessoas com surdez enfrentam inúmeros entraves para participar da educação escolar, decorrentes da perda da audição e da forma como se estruturam as propostas educacionais das escolas. Estudantes que possuem necessidades especiais vivenciam uma inclusão pouco cuidadosa; reflexo da ausência de discussões pedagógicas sobre os pormenores gerados pela inserção dos alunos em classes regulares. Em face dessas colocações, alguns desafios são impostos à implantação de propostas inclusivas: o papel da escola, as concepções dos profissionais sobre o significado da inclusão escolar, as relações entre ensino e aprendizagem, estratégias pedagógicas para a promoção de aprendizagens diferenciadas. Em face disso, para que a criança surda tenha condições de se apropriar de uma língua e tornar-se bem-sucedida na aprendizagem da língua oral, é necessário o conhecimento adequado de docentes especializados na linguagem de LIBRAS inserindo assim a criança deficiente auditiva no contexto do aprendizado contínuo dentro da sociedade escolar.

 

Palavras-chave: Surdo. Libras. Inclusão social. Atendimento educacional especializado.

 

 

ABSTRACT

People with deafness face numerous barriers to participating in school education, resulting from hearing loss and the way school education proposals are structured. Students with special needs experience poor inclusion; reflecting the absence of pedagogical discussions about the details generated by the inclusion of students in regular classes. In view of these settings, some challenges are imposed in the implementation of inclusive proposals: the role of the school, the professionals' conceptions of the meaning of school inclusion, the relationship between teaching and learning, and pedagogical strategies to promote differentiated learning. Therefore, in order for the deaf child to be able to appropriate a language and become successful in learning the oral language, it is necessary to have adequate knowledge of teachers specialized in the language of LIBRAS thus inserting the hearing impaired child in the context of continuous learning within the school society.

 

Keywords: deaf, Pounds. Social inclusion. Specialized educational service.

 

 

INTRODUÇÃO

 

Vivemos em um país onde a desigualdade é marcada cada vez mais por diferenças de condutas em relação a pessoas consideradas diferentes pela sociedade, dentre elas pessoas com deficiências onde a sociedade deveria adaptar os ambientes para tais e ocorre o contrário. Uma das deficiências comuns e que merece atenção especial é a surdez, no caso da criança, que desde sua infância sofre alguns paradigmas quando o assunto é estar na escola, ter o mesmo tipo de atenção como as outras crianças dentro da sala de aula.

Os autores relacionados no trabalho a seguir realçam e descrevem planejamentos sistemáticos de como a escola e professores devem agir diante de um aluno deficiente auditivo, que muitas vezes, procuram se abster de tal problema nítido do mundo em que vivemos. A pesquisa confirma a realidade de que é possível o aluno surdo viver em harmonia com os estudos desde a pré-escola e conviver pacificamente com seus colegas de classe desde que aja uma interação entre eles, seus professores e a escola onde estuda para que seu aprendizado e educação não seja interferido nem rebaixado por sua deficiência auditiva.

No primeiro capítulo do referencial teórico, contextualizamos um breve histórico da Escola Estadual 19 de Julho localizada no município de Peixoto de Azevedo, em outro momento, foi abordado também, sobre a história da educação dos surdos no Brasil, o qual busca enfatizar alguns momentos vivenciados por eles para melhor compreendermos a sua trajetória de dificuldades, desafios e até mesmo de algumas conquistas alcançadas pela comunidade surda.

Ainda no capítulo I, descrevemos ainda sobre o atendimento educacional especializado, algo muito importante na organização escolar dos alunos surdos participantes das escolas regulares.

Na sequência foi descrito sobre a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) que é a segunda língua oficial do país, e ainda no capítulo II será abordado um pouco de seu surgimento na história da sociedade e em especial da comunidade surda. Foi abordado ainda as concepções sobre surdez.

Já no capítulo III constam alguns subtítulos quais tratam da inclusão dos alunos surdos na rede regular de ensino, nos mesmos apontam reflexões, questionamentos e perspectivas para uma educação inclusiva.

O trabalho teve como objetivo realizar uma pesquisa de campo de caráter exploratório, qualitativo, a fim de observar e investigar como é o andamento e a ordem de ministrar aulas diante de alunos surdo na Escola Estadual 19 de Julho localizada na cidade de Peixoto de Azevedo.

Foi realizado um questionário, onde os mesmos foram entregues para os professores da entidade, totalizando dez questões fechadas, onde refere se sobre a formação pedagógica e experiência na inclusão de alunos deficientes auditivos para professores.

Infelizmente, o que vemos hoje, é a falta de amparo que o governo não oferece aos professores e diretores escolares para tal função e missão. Não estão preparados para recebê-los nem os educar em sala de aula. As escolas não foram e nem são adaptadas para isso. As consequências são que os alunos surdos sofrem diante disso, resultado em uma perda em seu aprendizado consequentemente em sua habilitação para o futuro.

 

 

OBJETIVOS

 

Objetivo Geral

 

Proporcionar uma reflexão sociocultural sobre o conjunto de problemas que envolve a inclusão do aluno surdo nas escolas regulares da rede pública de ensino no Município de Peixoto de Azevedo.

 

 

Objetivos Específicos

 

Analisar a importância de um trabalho bilíngue na prática pedagógica dos professores que atuam com alunos surdos em turmas regulares de ensino.

Relatar como é feito o Atendimento Educacional Especializado/ AEE para o aluno surdo em uma escola regular.

Distinguir como tem sido a prática de inclusão do aluno surdo em relação ao que é estabelecido por Leis.

Identificar as contribuições do Atendimento Educacional Especializado/ AEE para o desenvolvimento linguístico e cognitivo do aluno.

 

 

JUSTIFICATIVA

 

A escolha do tema surgiu a partir do momento em que foi possível perceber as dificuldades que são enfrentadas pelos alunos surdos que frequentam as escolas regulares de ensino. Isso despertou um grande interesse em pesquisar sobre a temática. A presente pesquisa teve como objetivo, investigar, se as práticas pedagógicas têm atendido as necessidades educacionais dos alunos surdos em escolas regulares se realmente tem acontecido a inclusão dos mesmos. Assim considerando a realidade das escolas públicas, onde se tem alunos surdos matriculados.

Foi embasado um estudo onde analisamos a realidade e perspectiva da prática pedagógica para os alunos surdos, pois são visíveis a necessidade de mudanças nesse ensino. Pois, ainda em pleno século XXI, mesmo com as leis e órgãos responsáveis pela causa dos alunos com deficiência auditiva, não tem sido suficiente para sanar as necessidades da comunidade surda. Diante disso a inclusão do aluno surdo na classe regular de ensino tem sido um grande desafio ainda na atualidade.

O mundo está em constante transformação, então precisamos que haja mudanças também em relação a aprendizagem dos alunos surdos no Brasil, pois a constituição prega que educação de qualidade é direito e acesso de todos, apesar de quaisquer que sejam suas necessidades.

Esta pesquisa contribuirá com informações sobre o processo de escolarização e as dificuldades diante da inclusão do aluno surdo, através do mesmo será relatado como está sendo a realidade desse atendimento e pretende-se mostrar a sua perspectiva. E o conteúdo aqui esboçado, busca contemplar diversos tipos de leitores, como: surdos, ouvintes, estudante, professores ou até mesmo curiosos.

 

 

CAPÍTULO I

 

HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO DOS SURDOS NO BRASIL

 

Este capítulo propõe contextualizar um breve histórico da educação dos surdos no Brasil, procurando enfatizar alguns dos momentos vivenciados para que possamos compreender melhor esses acontecimentos assim conhecendo também as dificuldades e conquistas alcançadas.

 

Histórico da Escola Estadual 19 de Julho

 

A Escola Estadual “19 de julho” fica localizada à Rua Cristal, nº 314, Bairro Centro, no município de Peixoto de Azevedo/MT. Foi criada pelo Decreto Nº 232 e publicado no diário oficial do dia 26 de setembro de 1983. É mantida pela rede oficial de Ensino do Estado de Mato Grosso, através da Secretaria de Estado de Educação (Convênios: PDE, PDDE e Merenda Escolar).

A história da escola 19 de Julho está intrinsecamente ligada à da história de Peixoto de Azevedo, por sê-la, a primeira da comunidade peixotense, que, outrora aglomerou- se nessa região em busca do tão sonhado e procurado ouro, e que aqui foi encontrado. Por ser oriunda do garimpo, a cidade fugia a todos os padrões que o povo brasileiro, em geral estava acostumado a ver e viver. O importante foi à luta do povo pela sobrevivência, e a esperança de construir uma vida melhor, num lugar tão diferente de todos, e a preocupação com a formação dos seus filhos.

A base econômica peixotense era o garimpo atraindo desta forma um fluxo migratório de todas as regiões do país, sendo em maior número as do Sul, Sudeste e Nordeste e um povoado urbano começou a se formar, devido ao grande movimento e o fluxo de crianças sem escola. Houve a necessidade da criação da primeira escola estadual, que levou o nome de 19 de Julho, por ser o dia do início do processo de fundação desta unidade escolar.

O município está localizado ao norte do estado do Mato Grosso e tem uma área de 16.000 Km2, limita-se ao norte com o município de Matupá e o estado do Pará, ao Sul com o município de Terra Nova do Norte, a Leste com São José do Xingu e a Oeste com Nova Guarita. Localiza-se a 690 km da capital Cuiabá. A escola quando construída, era um prédio de madeira localizado à Rua Ministro Cezar Cals, esquina com a Rua Coronel Lauro Leite, no Centro, onde hoje está localizada a praça principal da cidade. Seus cursos ofertados eram do pré-escolar ao Ensino Fundamental, entretanto, devido à demanda de alunos a escola tinha quatro turnos, sendo três no período diurno: das 07h00min h às 10h00min h, primeiro período; das 10h00min h às 14h00min h, segundo período; das 14h00min h às 17h00min h, terceiro período e um turno no período noturno.

Por não comportar a quantidade da clientela em sua estrutura física, e devido o aumento populacional vindo em busca de melhores condições de vida, a escola passou a atender através de salas anexas nos bairros da cidade. Conforme eles iam surgindo implantavam-se salas de aula agregadas à Escola 19 de Julho. Com o passar do tempo a comunidade foi se organizando, criando novas escolas independentes nos bairros, então, as salas anexas foram extintas.

Em 1989 ocorreu sua mudança de sede, passando da Rua Ministro Cezar Cals para a Rua Cristal nº. 314, onde era sede passou então, a ser salas anexas, apenas para o exercício do corrente ano. O novo prédio, com outras características físicas, com melhores estruturas, todo de alvenaria e com capacidade para atender 45 turmas em três períodos: matutino, vespertino e noturno. Com o passar dos anos, e com o objetivo de oferecer melhores condições pedagógicas, reduziu-se uma sala de aula para proporcionar aos alunos uma biblioteca.

À medida que os alunos iam terminando o ensino fundamental tinham que se deslocar do município de Peixoto de Azevedo para a cidade de Matupá, pois era o local mais próximo que oferecia o Ensino Médio. Diante desta realidade, à partir de 1991, foi possível a criação do Ensino Médio não Profissionalizante (Propedêutico) e também o Técnico em Contabilidade, conforme reforma educacional, e através de decreto do governo federal, o ensino Técnico em Contabilidade foi se extinguindo gradativamente a partir de 1995, e final de 1997 ele deixa de existir.

A instituição continuou a ofertar o curso do ensino fundamental e o curso Não Profissionalizante até a data acima mencionada. Mas, devido à polarização defendida pelo governo (SEDUC), a preferência sempre foi para o Ensino Médio. Então a partir de 2009, “ela” deixa de atender o ensino fundamental e passa a ser uma escola de Ensino Médio com a modalidade regular e Ensino Médio Integrado com ao Ensino Profissionalizante: Técnico em Administração e Informática. Por estar localizada em um lugar centralizado, atende a diversos bairros da cidade, onde a clientela é diversificada.

Os alunos aqui atendidos no ano de 2016 tem faixa etária entre 14 à 18 anos, no período diurno, sendo 13 turmas no período matutino, 11 turmas vespertino, o período noturno funciona com 08 turmas com alunos acima de 18 anos, salvo alguns alunos menores de idade que estudam a noite por questões particulares, com a autorização dos pais. As turmas são constituídas por 35 alunos em média, considerando que há alunos com laudo inserido nestas turmas, neste contexto, a escola dispõe de uma sala de recurso multifuncional para atender os alunos PNE.

O efetivo da escola é constituído por um diretor, três coordenadores pedagógicos, uma secretária e quatro auxiliares, quarenta e seis professores, duas bibliotecárias, um técnico de laboratório, dois técnicos de laboratório de Ciências da Natureza, três guardas noturnos, seis apoios administrativos/limpeza, seis apoios administrativos/nutrição escolar. A Escola apresenta um índice de desistência noturna elevado, pois um grande número de alunos trabalha e no decorrer do ano letivo ficam sumidos pelo cansaço, gravidez, pessoas com dependência química, o que os levam a desistir.

Sendo este o grande desafio socioeconômico, cultural e políticos. E nesse contexto, sabemos que a finalidade do Ensino Médio Regular é preparar o indivíduo para dar continuidade aos seus estudos, ingressar no mercado de trabalho através de uma formação básica nos aspectos científicos e tecnológicos, desenvolver seus valores humanos, éticos, morais e culturais, bem como o espírito colaborativo para com a comunidade na qual está inserido.

No entanto, são visíveis as mudanças pelas quais passam o mundo e a sociedade, sendo que estas ocorrem de forma desigual, do que é reproduzido no ambiente escolar, tornando desafiador o trabalho do profissional da educação que às vezes não está preparado para atendê-los em suas pluralidades e singularidades. Estas dificuldades estão, em parte, relacionadas ao descompasso entre as mudanças sociais e as educacionais, sendo ainda que esta, geralmente está defasada em relação à outra.

 

Marco Conceitual

 

A escola Estadual 19 de julho se propõe a trabalhar as questões étnico-raciais por todas as áreas com ênfase na área de ciências humanas buscando sempre o princípio da igualdade entre os seres humanos perante a sociedade.

A Educação inclusiva compreende a Educação especial dentro da escola regular e transforma a escola em um espaço para todos. Ela favorece a diversidade na medida em que considera que todos os alunos podem ter necessidades especiais em algum momento de sua vida escolar. Há, entretanto, necessidades que interferem de maneira significativa no processo de aprendizagem e que exigem uma atitude educativa específica da escola como, por exemplo, a utilização de recursos e apoio especializados para garantir a aprendizagem de todos os alunos, a educação é um direito de todos e deve ser orientada no sentido do pleno desenvolvimento e do fortalecimento da personalidade.

O respeito aos direitos e liberdades humanas, primeiro passo para a construção da cidadania, deve ser incentivado. Educação inclusiva, portanto, significa educar todas as crianças em um mesmo contexto escolar. A opção por este tipo de Educação não significa negar as dificuldades dos estudantes. Pelo contrário. Com a inclusão, as diferenças não são vistas como problemas, mas como diversidade.

É essa variedade, a partir da realidade social, que pode ampliar a visão de mundo e desenvolver oportunidades de convivência a todas as crianças, preservar a diversidade apresentada na escola, encontrada na realidade social, representa oportunidade para o atendimento das necessidades educacionais com ênfase nas competências, capacidades e potencialidades do educando.

Ao refletir sobre a abrangência do sentido e do significado do processo de Educação inclusiva, estamos considerando a diversidade de aprendizes e seu direito à equidade. Trata-se de equiparar oportunidades, garantindo-se a todos - inclusive às pessoas em situação de deficiência e aos de altas habilidades/superdotados, o direito de aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a ser e aprender a conviver. (CARVALHO, 2005).

A Escola 19 de Julho conta com a sala de recurso para alunos portadores de necessidades especiais, ofertando materiais de apoio para que os professores juntamente com os alunos possam estar buscando técnicas para desenvolver a capacidade cognitiva e com isso ampliar as possibilidades de aprendizagem e interação dos alunos no convívio escolar e social. A professora responsável pela sala de recurso tem formação em psicopedagogia clínica entre outros cursos, também temos a professora intérprete que trabalha com alunos com deficiência auditiva. E dentro desses princípios desejamos construir uma sociedade em que todos, que dela fazem parte, sejam conscientes de seus direitos bem como de seus deveres, que se vejam e sintam-se capazes de ir além com firmeza e determinação. E seu conhecimento permitirá essa consciência de transformação social.

Todavia, para formar esse homem crítico e consciente de suas ações e conhecedor de seu poder de mudar, devemos sobre tudo refletir sobre a importância dos valores da ética e solidariedade humana, estarem presentes nas ações diárias do sujeito, independentemente de sua posição ou classe social, pois são valores que farão um grande diferencial na vida de nossos educandos.

Considerando que a filosofia da escola consiste na concretização de oportunizar a inclusão social, étnico-racial, crenças, orientação sexual e que nela os educandos construam seu projeto de vida, bem como sua formação humana e integral. A escola por sua vez tem o papel fundamental para essa construção, uma vez que a mesma trabalha em consonância com a Constituição Federal que nos artigos 205 e 206 garante na forma de lei a educação, como direito de todos e dever do Estado e da família, que será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

Ministrado com base nos seguintes princípios: igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; na liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais.

Enquanto instituição pública organizada e com autonomia, garantida nas Diretrizes Curriculares, podendo direcionar e estipular suas metas, suas metodologias, possuindo caráter formador dentro de um processo democrático, despertando no educando seu valor, sua autoestima, fazendo com que todos participem desse processo que é aprender, construir e transformar o mundo que vivemos ainda conforme o autor: Com base nas ideias de Marx pode-se inferir que educar é um desafio social. Assim sendo, esta prática pode tornar-se um instrumento mobilizador para com a situação atual em que vive a população. É preciso superar uma sociedade voltada à produção aos bens de consumo, que despreza a natureza humana e histórica.

O ser humano precisa ser respeitado em sua totalidade, em suas potencialidades, modo de expressão e de pensar, ter o direito a uma educação igualitária baseada em princípios democráticos e não de escravidão. Nesse contexto observamos e sentimos que há novos rumos na educação, uma vez que uma nova concepção de currículo trará consigo modificações significativas para o ensino aprendizagem, deve então à escola assumir uma postura inovadora quanto sua função e o seu papel que neste momento está muito além de ser meramente transmissor de conteúdo, mas assumir um papel inovador e transformador onde jovens (alunos) sintam-se envolvidos e fazendo parte desta escola.

Hoje estão matriculados 975 alunos distribuídos em três períodos: matutino, vespertino e noturno sendo 13 turmas no período matutino, 11 turmas no período vespertino e 08 turmas no período noturno.

A educação brasileira segundo a LDB lei 9394/96 tem como finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania, e sua qualificação para o trabalho. E será ministrada com base nos seguintes princípios: igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; liberdade de aprender, ensinar, pesquisar, e divulgar a cultura, o pensamento e a arte e o saber; pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas; respeito a liberdade e apreço a tolerância; coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; gratuidade de ensino público em estabelecimentos oficiais; valorização do profissional da educação escolar; gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e das legislação dos sistemas de ensino; garantia de padrão de qualidade; valorização da experiência extraescolar; vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais.

É dever do estado garantir o ensino fundamental, obrigatório e gratuito; a universalização do ensino médio gratuito; atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com necessidades especiais; acesso aos níveis mais elevados de ensino; atendimento gratuito em creches; oferta do ensino noturno regular; oferta de educação escolar aos jovens e adultos, garantindo aos que são trabalhadores as condições de acesso e permanência na escola; programas suplementares para o ensino fundamental público; padrões mínimos de qualidade de ensino; vagas nas escolas mais a residência dos educandos. A educação escolar compreende os níveis e modalidades: I educação básica nos níveis infantil, fundamental e ensino médio; II educação superior.

É finalidade da educação básica desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum, fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum e complementado com parte diversificada atendendo as características do contexto local. É parâmetro curricular obrigatório para educação básica o estudo da língua portuguesa e da matemática, o conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política, especialmente do Brasil.

O ensino da arte, especialmente, as expressões regionais, a educação física. O ensino da história do Brasil levará em conta as contribuições das diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro, especialmente das matrizes indígena, africana e europeia. A Lei nº 11.645/08 altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, modificada pela Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”.

A grade curricular da Escola Estadual 19 de Julho possui a organização de acordo com as diretrizes nacionais com o total de oitocentas horas anuais organizados em duzentos dias letivos e cinco dias na semana, divididas nas áreas de conhecimento, sendo seis aulas semanais nas áreas de linguagem, três aulas semanais na disciplina de matemática, áreas de ciências da natureza cinco aulas semanais, e na área de ciências humanas seis aulas semanais. A duração das horas aulas diárias são de sessenta minutos.

Ambiente Físico e Educativo

A estrutura física da Escola Estadual “19 de Julho” é composta da seguinte forma: treze salas de aula de quarenta e oito metros quadrados, que possuem em média trinta e cinco carteiras, quatro ventiladores, um ar condicionado um quadro branco e uma mesa com cadeira para o professor. Uma sala para os professores na qual contém duas mesas retangulares para reunião, quatro mesas de computador, dois monitores, dois gabinetes duas impressoras HP laser 1018, um bebedouro, um armário de canto, quatro roupeiros com dezesseis portas cada, treze cadeiras giratórias, um jogo de sofá de dois e três lugares e dois banheiros para os funcionários. Dois banheiros para alunos (sendo um masculino e um feminino).

Dois banheiros para portadores de necessidades especiais (sendo um masculino e um feminino). Um laboratório de informática LIED contendo, trinta e nove monitores, vinte e oito gabinetes, três impressoras (03 Samsung sendo 02 ML 2010 e 01 ML 2851 ND), trinta e oito mesas para computador, duas mesas retangulares, um armário de aço com duas portas, um roupeiro com dez portas, um armário de madeira tipo compensado com quatro gavetas, trinta e seis cadeiras giratórias, uma cadeira almofadada, vinte e duas portas CPU estabilizadores, oito portas estabilizadores e vinte sete estabilizadores de energia.

Um laboratório de informática Brasil Profissionalizado contendo: dez computadores. Três laboratórios de Ciências da Natureza, e um laboratório de Matemática os quais foram liberados em dois mil e quatorze, e estão em fase de organização para o ano letivo de dois mil e quinze, considerando que os mobiliários e equipamentos enviados pelo programa Brasil Profissionalizado encontram-se encaixotados. Os professores: Elisa dos Santos Cardoso, Jaime Lucas Rocha e Rosangela Menegat Rodrigues, farão a organização dos laboratórios da área de Ciência da Natureza.

O laboratório de Matemática será organizado de pela professora Luciana Ortega Zanatta Rodrigues e alunos do PIBID Colíder/ Matupá. Uma cozinha com dispensa para merenda e refeitório, equipada com um freezer, duas geladeiras, dois armários de aço, um armário de madeira, duas mesas de inox, dois fogões tipo industrial de quatro e seis bocas com forno, um liquidificador industrial, uma batedeira industrial, vinte cinco mesas próprias p/ refeitório, com banquetas acopladas, dois paneleiros com três portas cada, de aço, um bebedouro.

Uma dispensa para material de limpeza equipada com um arquivo de quatro gavetas e um roupeiro com dezesseis portas. Uma quadra poliesportiva coberta. Uma sala para funcionar a cantina da escola, com um balcão e um freezer. Uma sala para aulas de vídeo e atividades culturais equipada com dezesseis bancadas com três cadeiras, cinquenta e duas cadeiras almofadadas, um gabinete, um DVD home theater system, um data show, um extintor de incêndio, uma mesa retangular.

Uma sala de jogos equipada com uma mesa de tênis de mesa. Uma Sala para leitura equipada com uma mesa retangular de vidro com seis cadeiras, vinte oito almofadas, um jogo de sofás em estado de deterioração (a sala de leitura está desativada no momento devido está sendo usada para guardar os materiais em desusos).

As dependências administrativas estão assim divididas: uma sala na qual funciona a secretaria da escola, contendo os seguintes mobiliários: dezessete arquivos de aços com quatro gavetas, três arquivos de madeira tipo compensado com quatro gavetas, três armários de aço com duas portas, sete escrivaninha com duas gavetas, duas mesas para computador, seis cadeiras giratórias, cinco monitores, cinco gabinetes, um Notebook - Positivo Mobile Z365, uma fotocopiadora Samsung SCX-5637FR, cinco Nobreak, uma impressora HP 2035, uma impressora HP 1102, uma impressora HP 2050, um balcão com pedra de mármore, um relógio ponto, um ar-condicionado Gree, um ar-condicionado Midea, uma Geladeira Consul 280, um Modem, um Roteador, um Switch com oito portas, um aparelho de telefone fixo Intelbras, um aparelho de celular Samsung GT-E1195L, e um extintor de incêndio.

Uma sala da Direção / Coordenação Pedagógica(anexa) equipada com cinco mesas retangulares, duas cadeiras giratórias, uma cadeira almofada, um jogo de sofá, uma mesa de centro, três monitores, três gabinetes, quatro armários de aço com duas portas, cinco armários de madeira tipo compensado com quatro gavetas cada, uma impressora HP 1516, um fotocopiadora Samsung SCX-5637FR, uma impressora Brother MFC J6510DW, um equipamento de som ambiente, um aparelho de celular e um aparelho de telefone.

Uma sala funcionando a biblioteca com: um roupeiro com dezesseis portas um computador completo, uma mesa retangular com quatro gavetas para o computador, um estabilizador, uma impressora, um arquivo de aço com três gavetas, um arquivo de madeira tipo compensado com quatro gavetas, um armário de aço para alunos, uma mapoteca, um armário de aço com duas portas, um ar-condicionado, nove prateleiras, nove mesas redondas e vinte sete cadeiras, um aparelho telefônico.

O acervo bibliográfico da Escola é constituído de três mil oitocentos e oitenta e dois livros, estando incluído neste os dicionários, quatrocentos e dois DVDs didáticos, nos quais podemos destacar: Grandes Educadores; Sua escola, nossa escola; Matemática em toda parte; Teorias e Conceitos; Temas Sociológicos; Questões práticas; Geografia Geral; TV Escola; Ações Educativas; Geração Saúde; Salto para o Futuro e Filosofia e a Educação. Cinquenta DVDs de filmes originais, sendo literários, documentários, históricos, dentre outros. Uma sala denominada almoxarifado, onde estão guardados os documentos inativos, materiais didáticos e produtos de limpeza.

A Escola dispõe também de materiais e recursos pedagógicos sendo: três murais, uma TV 29’ e uma TV 20’, um sistema de som nos corredores com três caixas de som, quatro aparelhos de Datashow, uma tela de projeção, um aparelho Flip-chart, duas caixa a de som amplificada, uma máquina fotográfica digital, uma filmadora, mapas, banners, um Globo, um Planetário, uma encadernadora, um home theater com DVD, karaokê, três grampeadores, um bebedouro que fica localizado no corredor da escola, e materiais de apoio didático/pedagógico. Podemos dizer que a Escola Estadual “19 de Julho” de Peixoto de Azevedo/MT, dispõe de uma boa estrutura física, o espaço físico do pátio é bom, arborizado, gramado, os corredores são amplos e bem arejados, considerando ainda que a escola é centralizada e atende a grande maioria da clientela urbana que usufrui do Ensino Médio Regular. Diante disso, podemos assim analisá-la: as salas de aulas são espaçosas.

A sala dos professores é um ambiente agradável, porém o espaço físico é pequeno para atender as necessidades da escola. Todos os laboratórios da escola encontram-se em fase de reestruturação, salvo o laboratório de informática LIED. A cozinha está sempre bem higienizada, as merendeiras com os uniformes adequados, os alimentos são preparados de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes.

A sala de vídeo encontra-se em uma situação crítica, considerando que o espaço físico é pequeno, faz-se necessário pintar as paredes, os mobiliários e os parelhos tecnológicos precisam ser reformados ou substituídos. A sala de jogos precisa ser reformada, precisa de equipamentos novos e materiais para prática esportiva. A sala de aula que foi utilizada para sala de leitura, encontra-se atualmente destinada para guardar livro, mobiliários e equipamentos inativos, tornando-se uma extensão do almoxarifado, a sala de leitura especificamente, a qual foi idealizada encontra-se inativa.

A secretaria da escola é considerada como principal setor de uma escola, pois tudo que acontece no ambiente escolar perpassa por ela, tendo conhecimento de tal importância, os funcionários que ali trabalham estão sempre buscando manter a organização para facilitar o andamento dos demais setores da escola, e é neste contexto que funciona a secretaria da Escola Estadual “19 de Julho”.

O espaço físico destinado à direção e a coordenação pedagógica é um ambiente agradável, quase todos os mobiliários e aparelhos tecnológico que necessita para um bom funcionamento, é necessário apenas algumas modificações para se tornar mais organizada. A sala de aula que foi destina para o funcionamento da biblioteca encontra-se bem organizada, porém o seu espaço é pequeno, as mesas ficam aglomeradas, dificultando o acesso de quem utiliza, o acervo bibliográfico é considerado razoável.

Apesar da boa estrutura física da escola, a mesma necessita de uma ampla reforma. As salas de aula precisam ser pintadas, as instalações de climatização precisam ser melhoradas, as fechaduras das portas precisam constantemente ser trocadas, os banheiros, masculino e feminino, precisam urgentemente de reforma na parte hidráulica e encanamentos.

A sala dos professores precisa ser mais organizada, e almejamos a ampliação do seu espaço físico. O refeitório da escola precisa com urgência de uma reforma, pois o forro encontra-se em péssimas condições, com risco de desabar, as calhas precisam urgentemente ser trocadas ou limpas.

A secretaria necessita da construção de banheiros e a construção de um espaço especificamente para o arquivo passivo da escola. A sala de vídeo é um espaço que precisa ser ampliando, tornando a mesma em um anfiteatro, mas a priori a necessidade maior é fazer um palco de alvenaria, a pintura, reforma nos mobiliários, organização e reparos dos aparelhos tecnológicos. O espaço físico da biblioteca precisa ser ampliado, ou construído um novo espaço especificamente para este ambiente. É necessário ampliar o acervo bibliográfico.

A sala de leitura precisa ser desativada, pois já existe a biblioteca, ela pode tornar-se realmente em um almoxarifado ou um espaço para reuniões e ensaios dos alunos. O muro da escola precisa ser pintado e o nome da escola ser escrito em seu local. O espaço escolar destinado ao pátio é grande, precisa ser mais cuidado, limpo mais vezes, as gramas e arvores precisam ser podadas com mais frequência, os corredores da escola precisam lavados diariamente. As pessoas que trabalham na manutenção da limpeza escolar precisam realizar seu trabalho com mais amor e com mais presteza, precisamos desenvolver na escola o sentimento de amor, de zelo, de considerar que este ambiente é de todos, que precisa ser conservado e cuidado por todos.

Os laboratórios precisam de pessoas designadas para exercer as funções de técnicos em laboratórios.

 

Breve Histórico sobre a Educação dos Surdos

 

A educação de surdos no Brasil teve seu início em 1855, quando o imperador do Brasil Dom Pedro II vai até a França e acaba conhecendo o trabalho realizado pelo Instituto de Surdos de Paris, fundado pelo Abade L´Epée. Nesse contexto, Dom Pedro II convida o professor surdo Hernest Huet para iniciar o trabalho com surdos no Brasil visto ainda não ter nenhum trabalho dessa magnitude no país. A língua de sinais francesa e combinada com os sinais já utilizados pelos surdos brasileiros deram origem à LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais).

O percurso histórico da educação dos surdos deu se início com a criação do Instituto de Surdos-Mudos, que atualmente é o Instituto Nacional de Educação de surdos (I.N.E.S.) fundado pelo professor surdo francês Hernest Huet, em 26 de setembro de 1857.

Surgiu na França a primeira escola para crianças surdas, onde foi utilizada a língua de sinais com o intuito de ensinar a ler e escrever, dando assim acesso à educação e transmitindo sua cultura. E assim o método de L’Epée obteve êxito na história da surdez.

O início da educação dos surdos foi um período muito difícil, pois naquela época essas pessoas eram consideradas incapazes de exercer qualquer atividade, eram excluídas da sociedade, sendo proibidas de viver como as demais pessoas, o surdo era visto pela sociedade como um ser não educável, não cidadão.

Diante disso, Guarinello et al (2006), descreve que se começaram a ter iniciativas objetivando a escolarização dos surdos, pondo-se assim na praticidade no país a filantropia e assistência voltada para tal fim. Em meados do século XX, o resultado é a criação de instituições especiais que obtinham o trabalho de educadores com especialização em surdez. Durante essa época, grupos de deficientes auditivos também frequentavam a escola regular, mas não tinham acesso a esse tipo de educação especializada. Assim, esses alunos precisavam de uma oportunidade para se adaptar a esse sistema de ensino convencional. Nos anos 90, surgiram ideias e propostas que tinham por objetivo incluir os surdos no ensino regular. Foram reformuladas essas estratégias e as instituições deveriam reconhecer, respeitar, considerando assim os alunos surdos, no contexto para elaborar suas propostas didáticas.

Para o Egito os surdos eram adorados, considerados como criaturas sobrenaturais, tratadas como deuses, os consideravam como uma divindade, uma espécie de mediador entre Faraó e os homens. Na Grécia eram considerados inválidos e estorvos para a sociedade, então eram condenados à morte, laçados do alto do topo dos rochedos. Aristóteles foi o que mais destacou a deficiência por considerar que quem não falava, não possuía a linguagem nem tão pouco formava o pensamento, sem a audição os surdos ficavam longe dos ensinamentos e com isso, não adquiriam o conhecimento tão valorizado por essa civilização. Os Romanos privavam os surdos de direitos legais, não podiam se casar e não herdavam os bens da família e diante da religião, a igreja católica considerava os surdos sem salvação, ou seja, não iriam para o reino de Deus após a morte, relata Strobel (2008).

Pode-se dizer que a condição do sujeito surdo era a mais miserável de todas, pois a sociedade os considerava como imbecis, anormais, incompetentes. Os surdos passaram por momentos muito difíceis até que aos poucos conseguissem deixar de ser considerado como “aberrações”.

No início do século XVI as pessoas começaram a admitir que os surdos poderiam aprender, se houvesse procedimentos e práticas pedagógicas que tivesse interferência sobrenatural, descreve Lacerda (1998). Há relatos de vários pedagogos que se dispuseram a trabalhar com surdos, diz o autor, apresentando diversos resultados obtidos com essa prática pedagógica. Era tido então como propósito da educação dos surdos que estes pudessem desenvolver seu pensamento, adquirir conhecimentos e se comunicar com o mundo ouvinte. Então, procurava-se ensiná-los a falar e a compreender a língua falada, mas a fala era considerada uma estratégia, em meio a outras, de se alcançar tais objetivos.

Também tinham como objetivo sobre essa aprendizagem a conquista do direito de os surdos herdar os títulos e bens de sua família.

Os surdos eram vistos como ineducáveis, em consequência disto, considerados como inúteis à coletividade. Devido a este fato enfrentavam o preconceito, o descrédito, e até mesmo a denominação de loucos. De modo geral, quando analisamos as formas de tratamento oferecida às pessoas surdas percebemos que estas se desenvolvem em função da concepção do homem, difundida nos diferentes períodos do percurso da humanidade argumenta Dias (2006).

As pessoas que nasciam com alguma deficiência eram tidas como um castigo divino, descreve Fernandes (1998). Em alguns lugares do mundo, durante a idade média, eles eram tratados indignamente, postos a morte em fogueiras (durante a inquisição) ou apedrejados, conta o autor. Muitos eram mortos ao nascerem e outros, cuja família não tinha coragem, eram escondidos e passavam a vida sem a sociedade saber de sua existência.

As experiências iniciais de educar o surdo, Lacerda (1998) diz que se tinha uma grande atenção voltada a fala, e a escrita que também realizava um papel fundamental. Eram de grande utilização os alfabetos digitais. Os próprios professores foi quem o inventou, porque diziam que os surdos não podiam ouvir a língua falada, mas que poderiam entender com os olhos, diz o autor. Falava-se também da capacidade do surdo em relacionar as palavras escritas com os conceitos diretamente, sem utilizar da fala. Sendo assim muitos professores de surdos deram início ao ensinamento de seus alunos através da leitura-escrita e, partindo daí, instrumentalizavam-se diferentes técnicas para desenvolver outras habilidades, tais como leitura labial e articulação das palavras, descreve o autor.

Em seu início, Lacerda (1998), diz que, no campo da pedagogia do surdo, existia um acordo unânime sobre a conveniência de que esse sujeito aprendesse a língua que falavam os ouvintes da sociedade na qual viviam; porém, no bojo dessa unanimidade, já no começo do século XVIII, foi aberta uma brecha que se alargaria com o passar do tempo e que separaria irreconciliavelmente pessoas oralistas de gestualistas. Os primeiros exigiam que os surdos se reabilitassem, que superassem sua surdez, que falassem e, de certo modo, que se comportassem como se não fossem surdos.

Foi observando grupos de surdos, que o Abade de L’Epée percebeu que eles desenvolviam uma excelente comunicação gesto-visual, continua Lacerda (1998). Com base nesta observação, desenvolveu um método educacional, denominado de "sinais metódicos", apoiado na linguagem de sinais da comunidade de surdos. O processo de aprendizagem proposto previa que os educadores teriam que aprender os sinais com os surdos, com o objetivo de ensinarem a língua falada e a escrita do grupo socialmente majoritário, isto é, dos ouvintes.

Jannuzzi (2004), também comenta que, o Abade Roch Ambroise Sicard (1742-1822) acreditava na importância do envolvimento dos surdos na formação de uma língua que suprisse as suas necessidades, assim, juntou-se com L'Epée no Instituto Nacional dos Surdos-Mudos em Paris, de 1800 até 1820.

Também o francês Auguste Bébian, de acordo com Guarinello (2008), um ouvinte, resolveu aprender a Língua de Sinais no Instituto de Surdos de Paris, pois acreditava que os professores das escolas de surdos teriam que ser surdos e a língua de sinais deveria ser utilizada em sala de aula. Bébian escreveu o livro Mimographia, em 1822, sendo considerado como a primeira tentativa de transcrição da língua de sinais.

O Oralismo, segundo Silva (2003), vigorou na educação do aluno surdo por um longo período, até mesmo nos dias atuais encontramos escolas de educação de surdos que seguem essa perspectiva. Nesta filosofia são utilizados três elementos para o seu desenvolvimento, que são: o treinamento auditivo, a leitura labial e o desenvolvimento da fala, também o uso da prótese individual que amplifica os sons, com o objetivo de aproveitar os resíduos auditivos do aluno surdo, possibilitando aos mesmos a comunicação oral.

Dias (2006, p. 42), conceitua que:

 

A filosofia bilíngue, segundo análises de “não privilegia uma língua, mas quer dar direito e condições ao indivíduo surdo de poder utilizar duas línguas; portanto, não se trata de negação, mas de respeito; o indivíduo escolherá a língua que irá utilizar em cada situação linguística em que se encontrar”, pois ela considera as características e opiniões dos próprios surdos, de acordo com o seu processo educacional.

 

É fundamental a sociedade saber que a questão do Bilínguismo não é que estão querendo privilegiar ou menosprezar quaisquer das línguas, mas que querem oportunizar as pessoas surdas, as condições de poder utilizar das duas línguas, porque o número de pessoas surdas na sociedade é a minoria, e isso causa um certo preconceito e até mesmo falta de conhecimento sobre a língua de sinais. O bilinguismo seria uma das maneiras de realmente fazer acontecer a inclusão dos surdos, pois a mesma os permitiria viver em quaisquer ambientes, podendo utilizar da Língua Brasileira de Sinais ou a Língua Portuguesa, suprindo suas necessidades de comunicação com a sociedade.

Fernandes (2008) diz que em muitas pesquisas o bilínguismo tem ganhado apoio na área da surdez em meia questão escolar da comunidade surda, pois os estudantes surdos vivem uma trajetória escolar pautada em paradigmas contraditórios.

Ainda que os alunos surdos tenham a educação bilíngue reconhecida na Política de Educação Especial, Brasil (2005) descreve que, a educação é caracterizada com o ensino escolar da língua portuguesa e da língua de sinais, apesar de haver o ensino das duas línguas para educação escolar do aluno surdo, ainda não se deixa claro qual a língua que deverá ser usada pelo professor em sala de aula.

Conforme Declaração de Salamanca:

 

A disciplina "Leitura sobre os Lábios" estaria voltada apenas para os que apresentassem aptidões e a desenvolver a linguagem oral. Assim se deu o primeiro contato com a Língua de Sinais Francesa trazida por Hwet e a língua dos sinais utilizada pelos alunos. É importante ressaltar que naquele tempo, o trabalho de oralização era feito pelos professores comuns, não havia os especialistas. Assim a comunidade surda veio conquistando seu espaço na sociedade. Hoje podemos observar que os governos têm preocupado com a inclusão. (DECLARAÇÃO DE SALAMANCA (1994, p. 15).

 

No início do trajeto de ensino de surdos, era trabalhado para desenvolver a oralidade, professores não especializados na área era quem realizava o mesmo. Até o momento em que esses alunos tiveram a oportunidade de conhecer a língua de sinais Francesa trazida por Huert.

Após tantas dificuldades e preconceitos, a comunidade surda tem tido algumas conquistas ao decorrer de todo esses anos, possibilitando a cada conquista um passo para uma inclusão que tanto almejamos.

Ainda sendo uma de modo geral, Lopes (2011) diz que, houve importantes mudanças que ficaram marcadas na educação dos surdos no Brasil, nos últimos anos. Especificamente no cotidiano escolar da educação básica, assim como também o crescimento da contratação de professores surdos.

Na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental, a educação bilíngue deva ser desenvolvida por intermédio de professores bilíngues. Depreende-se assim que os espaços previstos para a escolarização inicial devam ser organizados de forma que a Libras seja a língua de interlocução entre professores e alunos, logo a língua de instrução, responsável por mediar os processos escolares (por isso a necessidade de os professores serem bilíngues), que a linguagem escrita da língua portuguesa não pode, por sua materialidade, ser utilizada na relação imediata entre professor-aluno durante o processo de ensino-aprendizagem.

A presença da escrita do português nos processos educacionais, segundo Lodi (2013), é decorrente da organização pedagógica, na medida em que as atividades, os textos complementares à sala de aula e os livros didáticos indicados para leitura são escritos em português, o que lhe garante também status de língua de instrução. Dessa forma, o desenvolvimento de linguagem/apropriação da Libras pelos alunos surdos nos primeiros anos escolares é assegurado e, por conseguinte, garante-se uma sólida base educacional, uma vez que esta é desenvolvida em uma língua acessível aos alunos. Tal processo abre a possibilidade de se pensar outra organização para os anos finais do ensino fundamental, o ensino médio e a educação profissional.

Em se tratando do processo de inclusão educacional de alunos surdos, Merselian & Vitaliano (2011), relatam que, atualmente em nosso pais convivemos com duas tendências, quais sejam: a que prevê a inclusão dos alunos surdos desde o início de seu processo de escolarização, apresentada em alguns documentos divulgados pela Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação (SEEP/MEC) defendida por comunidades surdas e alguns especialistas da área, a qual considera que o processo de inclusão e inviável para alunos surdos e que, caso ocorra, este deve se dar nos anos finais do nível fundamental II. Antes deste nível recomendam que tais alunos tenham sua escolaridade junto aos seus iguais em salas especificas para alunos surdos, ou em escolas especiais.

A educação bilíngue é um dos maiores desafios que os alunos surdos ainda enfrentam na atualidade, pois seus direitos estão pautados em decretos, artigos, e políticas de educação, mas na pratica está totalmente defasada, fazendo com que isso dificulte mais ainda a inclusão dos alunos surdos na escolarização de ensino regular.

Vivemos em um país onde a desigualdade é marcada cada vez mais por diferenças de condutas em relação a pessoas consideradas diferentes pela sociedade, dentre elas deficiências físicas onde a sociedade deveria adaptar os ambientes para tais e ocorre o contrário. Uma das deficiências físicas comuns e que merece atenção especial é a surdez, no caso da criança, que desde sua meninice sofre alguns paradigmas quando o assunto é estar na escola, ter o mesmo tipo de atenção como as outras crianças dentro da sala de aula.

 

Atendimento Educacional Especializado (AEE)

 

Entendemos que a inclusão escolar norteia princípios interiores e valores que corroboram com a missão escolar na formação cidadã e humanística dos educandos pois perpassa à construção e prática de uma política educacional voltada para essa realidade.

Sabe se que além dos objetivos e garantias para a educação de modo geral citadas na constituição, também garantem agora as pessoas com deficiência ter acesso ao atendimento educacional especializado argumenta Mantoan (2011).

E a autora ainda ressalta que esse atendimento é um tratamento diferenciado que deve beneficiar e não excluir o aluno com deficiência, privando os assim do seu direitos e garantias relacionados a educação escolar. Assim ele é visto como acréscimo na vida desses alunos, ou mais que um simples acréscimo o direito básico a educação.

Então atendimento educacional especializado é um instrumento que leva a concretização do direito a educação.

Segundo Mantoan (2011) o atendimento educacional especializado vem atuando de duas maneiras bem diferentes, a primeira é a que acaba acarretando em discriminação por ser executada em organizações (escolas separadas) as chamadas de especiais ou especializadas, para então atender somente pessoas com algum tipo de deficiência, as quais podem cursar a Educação Infantil e o Ensino Fundamental lá, e isso acaba substituindo o acesso escolar regular comum do aluno.

Existem pessoas que defendem esse tipo de ensino segregado, pois pensam que o aluno está tendo acesso à educação comum para todos, sendo que o que estão fazendo é desconsiderar os requisitos mencionados e extraídos da Constituição e demais tratados sobre a educação.

Dá-se também a entender que os alunos com deficiência não devem frequentar ambientes coletivos como forma de buscar seu desenvolvimento humano e para o exercício da cidadania, dando a compreender que os mesmos não têm direito ao Ensino básico obrigatório, Mantoan (2011).

Já a segunda forma de executar esse ensino especializado é a mais propagada pelos movimentos que defendem a inclusão escolar, que é o aluno surdo frequentar o mesmo ambiente por alunos com ou sem deficiências, dentre outros fatores, Mantoan (2011).

Essa maneira de atendimento busca oferecer aquilo que possui de específico na formação de cada aluno com deficiência sem impedir que o mesmo frequente ambientes comuns de ensino em estabelecimentos oficiais, então dessa forma educação especial é realizada como apoio a aprendizagem do aluno e não permitindo ao mesmo a negação de acesso aos seus direitos a educação básica.

É importante saber ainda que se os serviços da educação especial forem totalmente substituídos pelos oficiais, fica então caracterizado a negação de direitos ao indivíduo finaliza Mantoan (2011).

A inclusão dos indivíduos com necessidades educacionais especiais, de acordo com Brasil (2009), atualmente, no Brasil é um desafio. Essa constitui um paradigma educacional que se fundamenta na concepção dos direitos humanos, cuja prerrogativa é a igualdade e diferença como valores indissociáveis e que avança em relação à ideia de equidade formal ao contextualizar as circunstâncias históricas da produção da exclusão dentro e fora da escola.

Ainda em pleno século XXI a problematização da inclusão de alunos surdos tem sido constante, pois assim como qualquer pessoa eles são herdeiros dos direitos iguais para todos, mas eventualmente isso não tem acontecido. Por que se realmente esses direitos estivessem em pleno desenvolvimento não haveria ainda nos dias de hoje tais problemas de inclusão.

Brasil (2002), diz que dentro dessa perspectiva de inclusão do aluno surdo, um meio que pode contribuir para esse processo é o Atendimento Educacional Especializado (AEE), que, de acordo com o artigo 3º do Decreto 7.611/2011 compreendido como o conjunto de atividades, recursos de acessibilidade e pedagógicos organizados institucional e continuamente, prestado de forma complementar a formação dos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento, como apoio permanente e limitado no tempo e na frequência dos estudantes às salas de recursos multifuncionais.

O Atendimento Educacional Especializado é um dos meios importantíssimos que contribui no desenvolvimento da aprendizagem e inclusão do aluno surdo, pois o mesmo trabalha com práticas pedagógicas diferenciadas buscando atender as especificidades de cada aluno.

A inclusão educacional apregoa a obrigatoriedade de as escolas públicas oferecerem educação de qualidade para todos os estudantes, respeitando a diversidade de cada um deles, segundo Gomes (2010). Este preceito é tido como um discurso de solidariedade, mas muitas vezes é contraditório, pois não delimita caminhos para a superação da exclusão que ainda assola o cenário escolar, pois as escolas públicas têm o dever de oferecer uma educação excelente para todos os estudantes, atendendo as diversas necessidades que houver em meio deles.

A escola pública tem o dever de oferecer ensino de qualidade para todos, e ainda criando caminhos para superar a exclusão que existe em seu meio.

De acordo com Brasil (2009), as práticas do atendimento educacional especializado devem ocorrer em locais propícios como salas multifuncionais, contendo materiais didáticos e contendo um professor que tenha formação na área de atendimento educacional especializado, assim oferecendo suporte e acesso ao conhecimento para seus alunos.

Conforme Brasil (2002) é de suma importância o atendimento educacional especializado para o desenvolvimento cognitivo de alunos com alguma necessidade especial no ensino regular. O professor da sala de AEE e da sala regular devem atuar em parceria, para que dessa forma troquem ideias para a realização de atividades pedagógicas que possam beneficiar o acesso do aluno ao currículo, permitindo ter uma relação com o grupo promovendo uma educação inclusiva. Vejamos então que quanto mais o atendimento educacional especializado for realizado nas escolas onde há alunos matriculados que necessitam desse atendimento, mais benefícios trará aos mesmos, contribuindo para a inclusão e ainda amenizando atos discriminatórios.

Um trabalho em conjunto deve ser realizado entre o professor da sala de Atendimento Educacional Especializado e da sala regular onde estiver matriculado o aluno surdo, para que através dessa aliança os profissionais da educação posso contribuir de maneira satisfatória na vida escolar e social do aluno com surdez.

O atendimento educacional especializado identifica, segundo Brasil (2009), elabora e organiza recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena participação dos alunos, considerando as suas necessidades específicas. As atividades desenvolvidas no atendimento educacional especializado diferenciam-se daquelas realizadas na sala de aula comum, não sendo substitutivas à escolarização. Esse atendimento complementa e/ou suplementa a formação dos alunos com vistas à autonomia e independência na escola e fora dela.

Para que possam atuar no AEE, de acordo com Arrais, Rodrigues e Correio (2014), é dever do professor ter formação específica para este exercício, que é atender aos objetivos da educação na perspectiva da educação inclusiva. Nos cursos de formação continuada, de aperfeiçoamento ou de especialização, que sejam indicados para essa formação, os professores devem estar sempre atualizando e ampliando seus conhecimentos em conteúdo específicos do AEE, para melhor atender a seus alunos.

Galvão & Miranda (2013), detalham, que, o atendimento educacional especializado em sua atual legislação, inclui se de práticas pedagógicas onde essas são focalizadas na inclusão escolar de alunos, público da educação especial, sendo os definidos como: alunos com superdotação, com transtorno global no desenvolvimento ou com deficiências. E esse atendimento especializado pode ser realizados em centros de AEE, ou até mesmo nas escolas regulares de ensino, oferecidos na sala de recursos multifuncionais (SRM), onde o apoio especializado é destinado exclusivamente para os alunos matriculados nas escolas regulares.

O AEE pode acontecer em centros de Atendimento educacional especializado e escolas regulares, mas que o mesmo ocorra preferencialmente nas escolas de ensino regular.

Sobre o AEE descreve Galvão (2013), que o mesmo promove o acesso dos alunos com surdez ao conhecimento escolar em duas línguas: em Libras e em Língua Portuguesa, a participação ativa nas aulas e o desenvolvimento do seu potencial. Pois está diretamente ligado ao que o autor supracitado afirma que, é importante que o trabalho pedagógico com os alunos com surdez na escola regular seja desenvolvido em um ambiente bilíngue, ou seja, em um espaço em que se utilize a Língua de Sinais e a Língua Portuguesa. Como alternativa para implementação da educação bilíngue do surdo, foi indicado um período adicional para a execução desse atendimento.

Assim, é afirmativo que o AEE envolve três momentos didático-pedagógicos: o Atendimento Educacional Especializado em Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) para oferecimento de conceitos básicos para acompanhamentos das aulas de diversos conteúdos; o Atendimento Educacional Especializado de LIBRAS para os alunos terem aulas de Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) e o Atendimento Educacional Especializado de Língua Portuguesa para aprenderem o português escrito.

Quanto à questão da educação de alunos surdos no Brasil, os autores Sander & Sander (2011), verificaram que o amparo legal que orienta a inclusão indicando que é preferencialmente na escola regular que devem estudar as pessoas com deficiência. Essa alegação é encontrada nos seguintes documentos: 1) a Constituição

Federal de 1988, cujo art. 208 estabelece como dever do Estado com a Educação que este dever seja efetivado mediante a garantia de: III – atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino; 2) o Estatuto da Criança e do Adolescente, em cujo Capítulo IV – Do Direito à Educação, à Cultura, ao Esporte e ao Lazer, no art. 53. Item III consta como um desses direitos o atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino; 3) a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n. º 9394/96, que no Capítulo V – Da Educação Especial, art. 58, assim estabelece: “Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais”.

A Constituição, o Estatuto da Criança e a LDB diz que o aluno que possui qualquer deficiência deve estar matriculado preferencialmente na escola regular de ensino.

A inclusão do surdo na escola deve garantir sua permanência no sistema educacional regular com igualdade de oportunidades, bem como, ensino de qualidade, aponta Guarinello et al, (2008). Os autores continuam dizendo que, assim como todos os cidadãos, os surdos também têm seus direitos, e a inclusão seria um deles, pois é uma realidade ainda muito conturbada onde infelizmente ainda acontece um tipo de inclusão excludente. As pessoas surdas apenas não têm audição sonora, mas tem as mesmas capacidades que qualquer ser humano.

Investir na qualidade do ensino e torná-la uma ação constante, deve ser uma realidade, pois é preciso ir além da obrigação de matricular e manter alunos com necessidades especiais em classes comuns. O cuidado em resolver tais problemas está no sentido de impedir o recrudescimento à rejeição, muitas vezes existente na escola, reforçando a exclusão do aluno, impedindo seu reconhecimento e igualdade de direitos.

Segundo Bortoleto, Rodrigues e Palamin (2002/2003) apud Guarinello (2006), a inclusão do surdo na escola garante que ele permaneça no sistema de educação convencional igualando-se com as mesmas oportunidades e qualidade no ensino. É apontado também que a proposta de educação de alunos surdos no ensino regular põe em vista se tal experiência tem a capacidade de inclusão sem alterar como os ouvintes são representados. Esse processo é definido como inclusão excludente, sendo uma forma a partir da qual parece que grupos de surdos são considerados dentro de um sistema plural, democrático, porém, dentro da escola é praticada a exclusão.

Diante disso, surge a necessidade de não apenas incluir o aluno surdo nessa pequena comunidade escolar, onde irá aprende a interagir não apenas com semelhantes de mesma deficiência, mas também com estudantes ouvintes, mas também da escola ou instituição se organizar de maneira adequada a preparação em receber tal aluno estando preparada para atende-lo da melhor maneira possível visando um único propósito que é sua inclusão na sociedade e educação do mesmo nível que alunos ouvintes.

As políticas públicas, segundo Quadros (2006), para a educação de surdos estão voltadas para a garantia de acesso e permanência do aluno surdo dentro das escolas regulares de ensino. Entende-se “dentro da rede regular de ensino” que o aluno surdo deverá ter condições de acesso à escola da esquina do seu bairro. No entanto, ao mesmo tempo, com a legislação vigente garantindo o direito linguístico ao surdo de ter acesso aos conhecimentos acadêmicos na língua de sinais, esse “dentro da rede regular na escola da esquina de seu bairro” passa a ser um problema. Imaginem ter aulas em uma língua que não é a língua falada na escola, em qualquer instituição onde haja, pelo menos, um surdo matriculado. Os próprios articuladores que encabeçam as políticas públicas de educação chegam à conclusão de que isso seria extremamente dispendioso e acabaria criando situações garantidas por lei, mas sem serem concretizadas.

O certo, segundo Arrais, Rodrigues e Correio, (2014) é que a inclusão não significa apenas colocar as crianças nas escolas regulares, mas modificá-las para torná-las mais adequadas às necessidades de todas as crianças, significando ajudar todos os professores a aceitarem a responsabilidade quanto à aprendizagem de todas as crianças que estão atualmente excluídas das escolas por qualquer razão. Isto se refere a todas as crianças que não estão beneficiando-se com a escolarização, e não apenas àquelas que são rotuladas com o termo necessidades educacionais especiais.

No entanto, voltando o foco para a educação do surdo, pode-se perceber que a inclusão do surdo na escola regular deve perpassar por uma série de medidas para que sua aprendizagem e desenvolvimento sejam efetivados. Dorziat, Araújo e Soares (2011) apud Arrais, Rodrigues e Correio (2014), dizem que a escola precisa criar um ambiente linguístico que favoreça a troca de informação, a oportunidade de comunicação fluente, viva e natural para que seja possível a veiculação dos conteúdos escolares e a consolidação da forma particular do surdo ver o mundo.

Sendo assim o atendimento educacional especializado tem um papel importantíssimo na vida de todos os alunos que precisam desse atendimento.

 

 

CAPÍTULO II

 

LIBRAS? QUE LÍNGUA É ESSA?

 

LIBRAS é uma língua, e porém neste capítulo será abordado um pouco de seu surgimento na história da sociedade e em especial da comunidade surda. Será abordado ainda as concepções sobre surdes.

Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS)

 

A valorização da língua de sinais é questão essencial como possibilidade de igualdade de condições de desenvolvimentos entre as pessoas. Contudo, em uma prática globalizada, a abordagem deve ser relacional, contextual e não apenas informacional.

Os movimentos sociais alavancados pelos surdos estabeleceram, segundo Quadros (2006) como uma de suas prioridades o reconhecimento da língua de sinais nos últimos 15 anos. Foram várias as estratégias adotadas para tornar pública a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). Entre elas, os projetos de lei encaminhados em diferentes instâncias governamentais e a formação de instrutores de língua de sinais em vários estados brasileiros. Instaurou- se em várias unidades da Federação a discussão sobre a “língua de sinais dos surdos”, determinando o reconhecimento, por meio da legislação, dessa língua como meio de comunicação legítimo dos surdos.

Esse movimento foi bastante eficiente, pois gerou uma série de iniciativas para disseminar e transformar em lei a língua de sinais brasileira, culminando na lei federal 10.436, 24/04/2002, que a reconhece no país. O impacto dessa legitimação, a sua repercussão e significado fundam um processo de desestabilização na educação em relação aos surdos no Brasil.

Um tipo de deficiência que causa muitas adversidades no processo de socialização é a limitação auditiva, segundo Souza & Porrozzi (2009).

A pessoa surda vivencia, de acordo com Quadros (2004), um grave problema sensorial que resulta em dificuldade de comunicação através da linguagem oral tradicional, gerando a necessidade do desenvolvimento de habilidades em outro canal de expressão, como a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS).

Dessa forma, Klein & Lunardi (2006, p. 15) diz que é possível entender a surdez “como um território de lutas, um espaço de conflitos de identidades, onde os elementos culturais circulam pelas fissuras e rachaduras dessa comunidade, conformando um labirinto de significados”.

A língua brasileira de sinais (LIBRAS) é conhecida como a língua natural, ou seja, a primeira língua dos surdos, diz Lacerda (1998), que através dela desenvolve se o pensamento e comunicação. Para ele, o domínio desta linguagem, é concebido como um instrumento para o sucesso de seus objetivos.

A primeira língua adquirida por uma pessoa surda, é a língua de sinais a qual favorece ao mesmo a oportunidade de se comunicar, desenvolver seu pensamento para realizar e alcançar seus objetivos na vida.

Os autores Dizeu & Carporali (2005), complementam os autores citados que é inclusive um meio propagador para o campo gesto-visual, o que a diferencia da língua oral, que utiliza o canal oral-auditivo. Além dessa diferença, similarmente apresenta antagonismos quanto às regras constitutivas. Entretanto, a língua de sinais precisa ser respeitada como língua sim, uma vez que assume a mesma atribuição da comunicação oral.

A língua de sinais deve ser respeitada como qualquer outra língua que exista no planeta, pois ela não é realizada oralmente, mas sim com as mãos, havendo envolvimento de expressão fácil e viso gestual. E assim como qualquer outra língua ela possui o mesmo objetivo que é a comunicação.

É um tipo de comunicação onde é usado os meios visual e espacial para a comunicação, segundo Marques, Barroco & Silva (2013) e, assim como a língua verbal oral, são meios eficientes de comunicação, normalmente utilizadas para estabelecer relações com/entre indivíduos surdos; elas transmitem ideias, desejos, vontades e acontecimentos, e, embora tenham estrutura própria, isso não implica em impedimento de apropriação de conteúdo, visto que dizem respeito à sinalização de conteúdo dos mais diferentes níveis de complexidade.

A expressão LIBRAS, de acordo com Felipe (2009) se dá por sinais envolvendo cinco parâmetros importantes para a realização correta do sinal, a saber: configuração de mão, ponto de articulação, orientação, movimento, expressão facial/corporal.

O autor citou os parâmetros que são fundamentais para uma boa realização da língua de sinais, pois são fundamentais para melhor comunicação e compreensão de ambas as partes em uma conversa.

Segundo Harrison (2000) a língua de sinais representa um papel muito importante na vida do sujeito surdo, conduzindo-o assim por intermédio de uma língua estruturada, ao desenvolvimento pleno. O autor ainda diz que essa língua fornece para a criança surda a oportunidade de ter acesso à aquisição de linguagem e de conhecimento de mundo e de si mesma.

Essas pessoas formam, linguística e culturalmente, um grupo minoritário, segundo Chaveiro, Barbosa & Porto (2008), no entanto, grande parte dos cursos de saúde desconsidera essa faceta social, enfocando a deficiência auditiva apenas no âmbito da patologia.

Segundo Brasil (2005) a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) deve ser inserida como disciplina obrigatória nos cursos de formação de professores, pois com essa inserção pode se futuramente amenizar o grande número de professores em atuação que não tem nenhum conhecimento sobre a Libras (Língua Brasileira de Sinais), e quando se deparam com um aluno surdo na sala de aula, ficam desesperada e assim tendo que urgentemente buscar conhecimento sobre essa língua.

Seria fundamental se todos os professores em um ambiente escolar soubessem o básico sobre a língua de sinais, isso já seria um meio propagador para o avanço da inclusão nas escolas.

Dizeu & Carporali (2005), a língua de sinais possui como meio propagador o campo gesto-visual, o que a diferencia da língua oral, que utiliza o canal oral-auditivo. Além dessa diferença, similarmente apresenta antagonismos quanto às regras constitutivas. Porém, a língua de sinais precisa ser respeitada como língua, uma vez que assume o mesmo ofício da língua oral, a comunicação. por isso a necessidade de se colocar a criança surda próxima de seus pares o mais rápido possível, isto é, em contato com um adulto fluente, claro em LIBRAS, que será para essa criança o meio menos difícil de acalmar sua aprendizagem da língua. As experiências mais promissoras indicam para a necessidade de desempenho direta dos adultos surdos sinalizadores com os surdos que não abrange acesso à língua de sinais, para que esse se de maneira ágil e efetivo, além de isto ajudar para a formação da identidade do indivíduo surdo.

A língua de sinais, segundo Fernandes (2003) e Gesser (2009), igualmente sofrem modificações de um estado para o outro, de um país para o outro, de uma região para a outra. A língua de sinais possuem todos os aspectos linguísticos, sendo caracterizadas pelo seu aspecto viso-gestual, como o contato visual, a delimitação do espaço no qual os sinais serão efetuados, de modo a serem executados de forma compreensível pelo interlocutor; as condições de iluminação do local onde se pretende efetuar a comunicação, o posicionamento de ambos interlocutores, para favorecer a compreensão de todos os sinais executados por ambas as partes, e o valor das expressões faciais durante a comunicação, que podem transmitir aspectos importantes como intensidade, ironia, desprezo, entre outros.

Para Lacerda (2014), além das especificidades relacionadas à utilização de uma ou outra língua, é necessário primeiramente garantir que o surdo tenha condições de se apropriar de uma língua. Por essa razão, ao considerar que nem sempre as crianças surdas conseguem tornar-se bem-sucedidas na aprendizagem da língua oral, a língua de sinais deveria, portanto, ser oferecida como primeira língua à criança surda, buscando-se evitar o atraso no desenvolvimento da linguagem.

A linguagem, qualquer que seja ela, segundo Petean & Borges (2003), constitui-se talvez no principal meio pelo qual o homem se integra na sociedade. Através dela ele expressa suas ideias, opiniões, desejos e sentimentos. É pela linguagem que a criança aprende sobre o mundo beneficiando-se da experiência viçaria para além das meras imitações e observações diretas.

Os autores Aspilicueta et al (2013), relatam que a comunicação é uma importante dificuldade para a inclusão de crianças surdas na escola regular e a inclusão da LIBRAS na escola, fundamental para sua escolarização. A inclusão da língua de sinais na escola implica a aceitação da cultura surda que, por sua vez, relaciona-se à constituição da identidade surda.

A comunicação é um dos meios mais importantes para que haja uma interação ou inclusão, e dos aspectos que vemos hoje dificultando a inclusão do aluno surdo é a comunicação, pois as crianças de escolas regulares também não tem conhecimento sobre a língua de sinais, e isso dificulta a relação entre um aluno surdo com o ouvinte. Os primeiros passos para o desenvolvimento natural e social do ser humano, segundo Negrelli e Marcon (2006), são dados dentro da família, pois ela constitui o primeiro grupo no qual a criança é inserida e tem suas primeiras experiências e relacionamentos interpessoais. É na família que se inicia a sociedade, nela os indivíduos organizam conceitos e buscam a maturidade por meio de trocas entre seus membros. Por esse motivo, as maneiras de educar são incessantes. Trata-se de um processo que vai do nascer ao morrer, sendo a família considerada, via de regra, a

principal responsável pela formação do caráter de uma pessoa Dizeu & Carporali (2005) fala sobre a importância para a criança e sua família em ter o contato com a língua de sinais o mais breve possível. Pois quando a família aceita a surdez e também a LIBRAS como sua linguagem, isso facilitará, e ainda proporcionando a criança aquisição e condições de desenvolvimento linguístico. A família, então, exerce papel determinante para o estabelecimento da língua de sinais, como língua.

A educação, ainda que já esteja saindo do domínio do oralismo, tem que desaprender um grande número de preconceitos, entre eles o de querer fazer do surdo um ouvinte.

A família, segundo Almeida (1993) apud Negrelli e Marcon (2006), enfrenta muitas dificuldades para aceitar a deficiência. É uma descoberta traumática e confusa, em que a mesma busca justificativa sobre porquê serem eles os escolhidos. Não raramente negam o fato, ou seja, recusam-se a ver e admitir a deficiência do filho, buscando, na maioria das vezes, um atendimento tardio, o que pode prejudicar o desenvolvimento da criança e de suas habilidades.

A educação, ainda que já esteja saindo do domínio do oralismo, tem que desaprender um grande número de preconceitos, entre eles o de querer fazer do surdo um ouvinte.

A forma de pensar, segundo Sassaki (2005), na educação escolar numa perspectiva inclusiva é pensar numa educação onde a escola é de fato um espaço para todos. Onde, de acordo com sua capacidade, o aluno tem o poder de construir o conhecimento independentemente de suas diferenças e constituir-se enquanto indivíduo. É condição para a efetivação da inclusão das pessoas com deficiência o acesso com autonomia e independência ao espaço físico da escola e materiais pedagógicos, adaptações metodológicas, quebras de preconceitos e estereótipos e medidas para equiparação de oportunidades.

Dessa forma, a educação inclusiva, a partir do reconhecimento e valorização da diversidade como fator de enriquecimento do processo educacional, tem a necessidade de provocar mudanças na escola propondo ações que beneficie todos os alunos. A organização de uma escola para todos prevê o acesso à escolarização e ao atendimento às necessidades educacionais especiais.

 

Concepções sobre a surdez

 

A surdez é uma deficiência auditiva, que pode ser congênita ou adquirida, e pode ocorrer ocasionando à perda total ou parcial da audição, e essa perda ainda na infância pode causar dificuldades na linguagem e aprendizagem da criança.

Lacerda (2000) denomina deficiência auditiva a diminuição da capacidade de percepção normal dos sons, sendo considerado surdo o indivíduo cuja audição não é funcional na vida comum, e parcialmente surdo, aquele cuja audição, ainda que deficiente, é fundamental com ou sem prótese auditiva.

A grande importância da audição no desenvolvimento intelectual e na integração social do indivíduo é que tanto audição como a linguagem, são funções essenciais à comunicação oral entre os homens, segundo Silva (2008).

É pela audição que se originam os processos e mecanismos da formação e desenvolvimento da linguagem. Como esta é necessária à integração social e à aprendizagem acadêmica, torna-se evidente que o dano causado por um distúrbio auditivo representa muito mais do que uma simples redução da capacidade de ouvir, segundo o autor. Daí grande valor que deve ser dado à capacidade auditiva na educação, tendo em vista não a criança surda, que não adquiri espontaneamente, que necessita de técnicas psicopedagógicas, professores, e aparelhos especiais, mas também a criança hipoacústica, com perdas moderadas e leves de audição, que lhe podem acarretar desajustamentos, distúrbios de linguagem e escrita, mau aproveitamento escolar e ainda, sem razão, o qualificativo de “retardada”.

Lopes & Leite (2011) dizem que, inclusive a maneira de viver dos pais e familiares influencie sobre de que maneira a criança surda perceberá sua cláusula de deficiente auditiva durante da vida, vários elementos poderão adulterar essa compreensão, tendo como exemplo, a mesma língua e histórias de vida semelhantes, serão sentimentos nesse reconhecimento, permeadas pelas dificuldades de integração.

A respeito de a identidade surda, Klein (2006) diz que este fato está justamente presente nos movimentos surdos, na alma de ser distinto e precisar de recursos visuais para abrir a comunicação. A autora ressalta alguns casos específicos no qual as identidades surdas se manifestam de formas distintos: os surdos filhos de pais surdos; os surdos que nasceram ouvintes e se tornaram surdos; os surdos filhos de pais ouvintes, que em seguida entram em contato com a agremiação surda e com a língua de sinais; os surdos que se percebem como deficientes e de modo algum chegam a se acomodar em comunidades. Assim, a identidade surda pode ser compreendida como uma fachada que se expressa de variadas formas.

A educação, ainda que já esteja saindo do domínio do oralismo, tem que desaprender um grande número de preconceitos, entre eles o de querer fazer do surdo um ouvinte.

A surdez, segundo Negrelli e Marcon (2006) por ser invisível, não é compreendida pelos ouvintes, mas tem uma interferência enorme no desenvolvimento social, educacional e emocional do indivíduo surdo.

Quadros (2000) identificou vários estudos que apontam ser este um dos problemas de saúde mais ignorados no mundo, por falta de atenção e de prevenção. Sem dúvida, a sociedade não se adapta à ideia do deficiente como alguém produtivo, porque valoriza apenas o exterior, encarando a eficiência como um conceito restritivo – o estereótipo da perfeição.

Lacerda (1998) as propostas educacionais direcionadas para as pessoas surdas têm como objetivo oportunizar o desenvolvimento de suas capacidades, mas ainda assim, não é possível observar esse processo na prática. Muitas práticas pedagógicas que envolve os sujeitos surdos expõe uma série de limitações, e os mesmos, ao termino da educação básica de ensino ainda muita das vezes não são capazes de ler e escrever corretamente, e de até mesmo dominar alguns conteúdos. Essas questões têm preocupado vários autores que temem pelo futuro da comunidade surda em relação a educação escolar oferecida no Brasil, eles buscam

analisar os problemas que levam a esses resultados não satisfatórios.

O reconhecimento entre os surdos é um aspecto muito citado nas pesquisas teóricas da área da surdez, de acordo com Santana & Bergamo (2005) nos quais surge constantemente associada à língua de sinais. Entretanto, a identidade surda se manifesta de várias formas, da mesma forma a língua oral, e pode alicerçar a identidade do surdo, uma vez que o que protege a construção de sua parcialidade é a apropriação de uma língua e não sua natureza oral ou gestual.

Lulkin (1998), relata que, mesmo no caso deles, que têm uma fala que é considerada compreensível e de um modo com um discurso fluente da língua portuguesa, o preconceito persiste pelo fato de eles não ouvirem ou ouvirem em nível bem abaixo do dos ouvintes. Desse modo, “aquele que não ouve tão bem, ou não percebe algumas manifestações sonoras na medida em que deveria, frequentemente passa a ser distinguido como alguém com perda, com carência, com falta de, com deficiência e como pessoa portadora de uma especificidade”.

No que se refere ao processo educacional, Nery e Batista (2004) dizem que é importante discutir propostas que garantam o acesso à Língua de Sinais. Um dos recursos propostos envolve a adoção do intérprete na sala de aula, de tal modo que o aluno surdo recebe a informação escolar em Língua de Sinais, por meio de uma pessoa com competência nesta língua e que dá apoio ao professor. Considera-se assim que a presença do intérprete na sala de aula não tem garantido a aprendizagem para o aluno surdo, observando que há situações em que sua interação com o professor é reduzida, e em que a mediação pelo intérprete não a faz comparável à observada com os demais alunos.

Uma boa parcela da humanidade são as pessoas surdas, que a cada dia lutam pelos seus direitos, buscando igualdade e melhoria em sua educação. A sociedade ainda encontra se com os olhos vendados para a realidade da comunidade surda, mas almejamos que isso venha a mudar.

 

 

CAPÍTULO III

 

O ESTUDANTE SURDO NO CONTEXTO ESCOLAR: REFLEXÕES SOBRE A INCLUSÃO

 

Neste capítulo constam alguns subtítulos quais tratam da inclusão dos alunos surdos na rede regular de ensino, nos mesmos apontam reflexões, questionamentos e perspectivas para uma educação inclusiva.

 

Inclusão de alunos surdos no espaço escolar

 

Um dos pontos principais da Educação de Salamanca é que ela prevê a educação para todos, independentemente de suas condições. A mesma prevê uma pedagogia centrada na criança e prevê que o governo faça sistemas educacionais que inclua todas as crianças.

A inclusão está ligada ao direito de igualdade a qual desde o século XVIII percorre as lutas sociais, em busca de relações democráticas ou igualitárias. Mas somente no século XX começa a se pensar em um novo caminho trazida em especial, pelos novos movimentos sociais, que ligam o movimento de inclusão com ao do direito a diferença descreve Silva (2003).

A não muito tempo o lugar de uma criança com deficiências era ficar em casa ou em escolas especiais, pois nessa época a escola podia recusar a matrícula dos alunos, dando como argumento de que não era possível atender suas necessidades. Havia uma invisibilidade muito grande em relação a essas pessoas. Mas hoje a legislação garante a esses alunos de serem inseridos nas escolas regulares, por que lugar de criança deficiente ou não é em todos os lugares em meio a sociedade.

Mas a questão fundamental é, as crianças têm direito a educação de qualidade assim como todos os demais, portanto nos questionamos, somente a realização de uma matricula na escola já permiti uma inclusão deste aluno? Certamente não é somente isso que proporcionar a essas crianças serem incluídas.

Quando um aluno especial chega na escola regular, é necessário que o grupo pedagógico faça um levantamento/ investigação sobre as potencialidades já trazidas por essa criança, e a partir daí sera trabalhado e aperfeiçoado tudo o que ela precisa aprender.

Em um ambiente escolar ou não é de suma importância que as crianças ouvintes saiba lhe dar com as diferenças ali presentes, não somente as crianças, mas todo e qualquer indivíduo, Declaração de Salamanca (1994).

Para falarmos de inclusão social devemos citar antes de mais nada a desigualdade, pois é disto que se trata, pois ela vem de uma palavra muito parecida que é a diversidade.

Sabe se que a desigualdade parte de vários fatores pode ser decorrente a raça, cor, orientação sexual, nacionalidade, religião, características físicas, ideologia e até mesmo características mentais do indivíduo. Esses fatores podem levar a discriminação de qualquer pessoa, assim podendo sofrerem algum tipo de rejeição, resultando na maioria das vezes a exclusão.

A desigualdade vem acompanhado em sua maioria das vezes também do preconceito, pode se então dizer que rejeição pode ser física, social, afetiva e pode inclusive resultar de uma eliminação. Pois a sociedade tem em seus paradigmas um padrão de normalidade que devera existir em cada pessoa.

Mantoan (2011) diz que ao falarmos de pessoas com deficiência e seu direito a educação, logo pensamos em uma educação especial diferenciada, ou seja, em ambientes segregados, isso ocorre devido pensar que tais pessoas são titulares desse tipo de ensino. Portanto essa questão tem sido colocada em destaque, para que possa ser esclarecido que não é dessa maneira que deve ocorrer.

A educação que todos têm direito é aquela que deve ser colocada à disposição de todos os seres humanos, sendo assim é obvio perceber que as pessoas com deficiências também são seus titulares. É possível dizer que a educação tem suas peculiaridades, mas que não é de qualquer forma que a mesma atende ao princípio de igualdade de acesso e permanência na escola. E ainda podemos afirmar que a educação só sera realmente preenchido se o ensino recebido visar o pleno desenvolvimento da pessoa, e seu reparo para o exercício da cidadania.

Quando falamos da educação inclusiva nos referimos também a esse direito de que as pessoas com deficiências também são titulares, pois as mesmas não podem ser excluídas desse direito a educação, com o preenchimento de todos os requisitos. Em ter o acesso a mesma sala de aula das demais crianças e adolescentes, e é simplesmente esse o objetivo, garantir a essas pessoas o acesso a esse direito humano.

Segundo Mantoan (2004) a inclusão, portanto, implica mudança desse atual paradigma educacional, para que se encaixe no mapa da educação escolar que estamos retraçando. Podemos dizer que a exclusão acontece das mais diversas maneiras.

Atualmente, muitos trabalhos acadêmicos em torno da temática sobre a inclusão de alunos surdos, entre outros com necessidades educacionais especiais no ensino regular, vêm se destacando. Muito se discute sobre essa questão e tem trazido enormes contribuições para a mudança de mentalidade e de postura no atendimento em educação vislumbrando outra realidade.

Mazzota (1996), descreve o movimento da chamada educação inclusiva, que emerge apoiado pela Declaração de Salamanca (1994) defende o compromisso que a escola deve assumir de educar cada estudante, contemplando a pedagogia da diversidade, pois todos os alunos deverão estar dentro da escola regular, independentemente de sua origem social, étnica ou linguística.

Assim, de acordo com a implementação da inclusão tem como pressuposto um modelo no qual cada criança é importante para garantir a riqueza do conjunto, sendo desejável que na classe regular estejam presentes todos os tipos de aluno, de tal forma que a escola seja criativa no sentido de buscar soluções visando manter os diversos alunos no espaço escolar, levando-os a obtenção de resultados satisfatórios em seu desempenho acadêmico e social.

Lacerda (2006) diz que para que haja inclusão é necessário todo um processo, e isso acontece gradualmente, conquistas após conquistas para que possam chegar ao ponto desejado. É necessário criar métodos adequados, ter uma linguagem qual deve ser adequada para possibilitar tal inclusão.

E o professor é responsável por oportunizar este caminho, pois através dele que os alunos tenham a interação com os colegas. Para um aluno ouvinte talvez essa interação nem seja importante, mas para o aluno surdo é mais que importante.

Lacerda (2006), diz que, temos que acreditar que valores e princípios da educação inclusiva sejam capazes de promover instituições mais justas do que aquelas que fundamentaram a segregação, compreender que o discurso em defesa da inclusão se constituiu historicamente como oposto ao da segregação e, nesse contexto, reconhecer a importância de destacar as vantagens da educação inclusiva não pode ocultar os problemas todos que esta mesma “educação inclusiva” impõe. Isso é defender que a questão central dos ideais da educação inclusiva se confronta com a desigualdade social presente no Brasil e em outros países em desenvolvimento.

Em meio a esse cenário, diz Guarinello (2008), que entre a utopia da inclusão e a realidade das escolas brasileiras, está o surdo que, historicamente, não era acreditado enquanto capaz de aprender, mas que no decorrer dos anos foi conquistando o direito ao acesso aos conhecimentos e ganhando espaço dentre as reflexões no âmbito educacional.

Atualmente, os autores Moreira et al (2011), atendendo os pressupostos da educação inclusiva, os surdos estão e devem estar nas escolas regulares em todos os seus níveis, desde a Educação Infantil até o Ensino Superior.

Botelho (1999) ressalta que, a inclusão escolar dos surdos em escolas para alunos ouvintes tem a premissa de que é necessário reproduzir para o surdo às mesmas condições em que o ouvinte adquire a língua oral.

Diante da fragilidade das propostas de inclusão, Lacerda (2006), diz que, neste sentido, residem no fato de que, frequentemente, o discurso contradiz a realidade educacional brasileira, caracterizada por classes superlotadas, instalações físicas insuficientes, quadros docentes cuja formação deixa a desejar. Essas condições de existência do sistema educacional põem em questão a própria ideia de inclusão como política que, simplesmente, propõe a inserção dos alunos nos contextos escolares presentes.

Assim, o discurso mais corrente da inclusão a circunscreve no âmbito da educação formal, ignorando as relações desta com outras instituições sociais, apagando tensões e contradições nas quais se insere a política inclusiva, compreendida de forma mais ampla.

A situação se agrava no caso dos surdos, relata Quadros (2012), por se tratar de um público com características linguísticas e culturais específicas. Com dificuldades para acessar a língua oral, eles evoluem a partir de processos simbólicos ancorados na Língua de Sinais.

Espote, Serralha & Comin (2013), dizem que inclusão é a palavra de ordem no âmbito da escola. Até um tempo atrás, somente a existência de escolas especiais, destinadas a deficientes, bastava para que se acreditasse na igualdade de oportunidades entre deficientes e pessoas ditas normais. Com o entendimento de que frequentar escolas especiais não significa inclusão, pelo contrário, reforça ainda mais a exclusão, no sentido de delimitar o espaço destinado aos deficientes, e com a comprovação de que a evolução da criança deficiente é ainda maior quando, além de frequentar a escola especial, frequenta em outro período uma escola regular, houve um intenso trabalho para incluir deficientes no ambiente escolar regular.

A inclusão, de acordo com Aspilicueta et al (2013), também tem sido vista como algo que propiciará aos indivíduos surdos melhores condições de desenvolvimento por possibilitar o estabelecimento de relações mais próximas com as crianças ouvintes dentro da escola, podendo o surdo, dessa forma, adaptar-se melhor à sociedade ouvinte. Embora atraente essa ideia de inclusão propõe a adaptação dos surdos ao mundo dos ouvintes, submetendo-os a um contexto em que suas características específicas não são respeitadas.

No caso dos surdos, alerta que a educação inclusiva não deve ser norteada pela igualdade com os ouvintes e sim pelas diferenças sócio-histórico-culturais da comunidade surda, apontando a diferença linguística e a inclusão da sua língua materna - a língua brasileira de sinais (LIBRAS) - como pontos fundamentais nesse processo.

Não bastam competências técnicas para lidar com as questões impostas na inclusão, estas são condições necessárias, mas não suficientes, diz Veiga Neto (2005). Para ele, qualquer política de inclusão deve envolver questões de ordem política, econômica, social e cultural. Então, a inclusão por si só não diminui os diferenciais de poder, de segregação, autoritarismo e exploração que atravessam esta sociedade. Ele aponta ainda para as dificuldades de uma educação que seja inclusiva sem ser homogênea, de uma educação que acolhe todos os mundos sem que isto represente um só mundo.

A exclusão está posta a serviço de interesses históricos, e provavelmente, está posta para ficar. Assim, torna-se muito difícil modificar uma escola que se constituiu ao longo do tempo obedecendo à lógica da exclusão, quando se toma consciência de que fazer isto num ambiente neoliberal, de capitalismo avançado e de competição, é praticamente impossível. O fato é que vivemos em uma sociedade que pratica uma inclusão perversa e na qual os direitos não são usufruídos na sua totalidade, conclui o autor Veiga Neto (2005).

A superação das limitações e dificuldades encontradas no âmbito educacional começa pela conscientização da importância que cada indivíduo tem, igualdade, liberdade e cidadania desenham um cenário em constante transformação, reconfigurando a sociedade contemporânea. Assim, a exclusão social atualmente se confronta diretamente com a concepção de universalidade dos direitos sociais e da cidadania. Entendemos que a exclusão é a negação da cidadania.

A inclusão é entendida como um movimento competente e permanente que reconhece a diversidade humana e tem como causa o direito a igualdade na participação e na construção do espaço social.

Ao falar em educação inclusiva, Nery e Batista (2004), relatam que diante disso, tem-se que vislumbrar o âmbito que abrange tal proposta para uma política educacional. Este processo visa não só a integração social, mas tem uma dimensão bem maior, objetivando um movimento que transforme concepções sobre a diversidade humana e a participação das pessoas, com deficiência ou não, em uma sociedade em que todos sejam de fato cidadãos. Este processo tem dimensões políticas, sociais, educacionais, filosóficas que devem atender às diferenças de todas as pessoas. Neste sentido, o Estado tem responsabilidades de proporcionar condições, oferecendo oportunidades e meios para que a inclusão aconteça de fato.

Para Andretta (1999) apud Nery e Batista, (2004), educação inclusiva é um processo em que alunos com necessidades educativas especiais frequentam redes comuns de ensino, que deverão estar preparadas para dar apoio, instrução, atender às potencialidades individuais e promover a integração com a comunidade. A pedagogia da inclusão propõe um processo de aprendizagem cooperativo, que respeita os diferentes estilos de aprender e a singularidade dos aprendizes, reconhece os diferentes ritmos, interesses, desejos e concepções de mundo. Portanto, a pedagogia inclusiva não pretende a correção do sujeito, mas a manifestação do seu potencial, contemplando as necessidades de todos os alunos.

Desse modo, Brasil (2002) relata que é fundamental que a escola comum crie ações que tenham sentido para os alunos em geral e que esse sentido possa ser compartilhado com os alunos com surdez. Mais do que a utilização de uma língua, os alunos com surdez precisam de ambientes educacionais estimuladores, que desafiem o pensamento e explorem suas capacidades em todos os sentidos. Esse posicionamento está consoante a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva que tem o propósito de mudar o ambiente escolar.

Essa política busca promover a participação e aprendizagem dos alunos com surdez na escola comum. Fica claro que muitos desafios precisam ser enfrentados e as propostas educacionais revistas, conduzindo a uma tomada de posição que resulte em novas práticas de ensino e aprendizagem consistentes e produtivas para a educação de pessoas com surdez, nas escolas públicas e particulares.

 

O bilinguismo na educação dos surdos

 

Bilinguismo é ter a existência de dois sistemas linguísticos diferentes oferecendo as pessoas conforme sua especificidade.

Durante muitas décadas, de acordo com Lacerda (2000), o trabalho educacional voltado para as pessoas surdas pautou-se nos princípios do oralismo. Na perspectiva de que ensinar os surdos a falar era a tarefa mais importante, criaram-se experiências de educação especial ou de educação integradora sem que ambas, no entanto, mostrassem resultados acadêmicos satisfatórios. A maior parte dos surdos profundos, por exemplo, não desenvolveu uma linguagem oral, e em geral, o desenvolvimento alcançado não foi satisfatório e ainda tardio em relação à aquisição de fala apresentada pelos ouvintes, causando assim um atraso no desenvolvimento global significativo. Acrescentando a isso, estavam as dificuldades ligadas à aprendizagem da leitura e da escrita. Mostrando uma alfabetização tardia e com problemas, após anos de escolarização desses sujeitos surdos.

Lacerda (1998), diz que, atualmente, o Bilinguismo tem sido muito discutido na área da surdez devido à inclusão dos alunos surdos nas escolas regulares assim como as políticas públicas desenvolvidas no Brasil nos últimos 10 anos. O Bilinguismo na área da surdez propõe um espaço efetivo para que a língua de sinais seja utilizada no trabalho educacional, propondo que sejam ensinadas duas línguas à criança surda: a língua de sinais por ser sua língua natural e a língua oficial do país (no caso do Brasil, a LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais e o Português). Nesse sentido, ao sinalizar, a criança poderá desenvolver sua competência e capacidade linguística em uma língua que irá lhe auxiliar na aprendizagem de segunda língua, tornando-se bilíngue.

Em 1980, Festa & Oliveira (2012), descrevem que, o Bilinguismo no Brasil começa a despontar, tendo como pressuposto básico de que surdo precisa ser bilíngue ou deve adquirir como língua materna a língua de sinais, sendo essa considerada a língua natural dos surdos, e como segunda língua, a língua oficial do seu país. Já no final dos anos 80, no Brasil, os surdos começaram a liderar o movimento de oficialização da Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS.

A abordagem bilíngue parte do pressuposto que a educação para surdos acontece em duas línguas, segundo Strobel (2008): L1 – Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) e L2 Língua Portuguesa (a escrita obrigatoriamente e oral possivelmente, já que nem todos os surdos tem oportunidades de desenvolver a oralidade, como segunda língua). Dessa maneira, o Bilinguismo é uma proposta de ensino usada por escolas que se propõem a tomar acessível à criança surda as duas línguas no contexto escolar. Nesse momento, essa é uma das abordagens dos surdos com grande repercussão atualmente no Brasil, argumenta o autor.

Para que tenhamos um ambiente bilíngue para o aluno surdo, Pereira (2000) diz que é preciso que se pense em uma proposta bilíngue com a presença das duas línguas em questão como sistemas linguísticos naturais da comunidade surda. Desta forma, fica caracterizado que a educação bilíngue passa por conceitos distintos em países e contextos diferenciados em função de questões étnicas, dos próprios educadores e legisladores e de fatores culturais e políticos.

Gesueli (2006), diz que a proposta de educação bilíngue se refere, principalmente, à condição bilíngue do surdo, que deverá ter acesso à língua de sinais por meio do contato com a comunidade surda, sendo a língua majoritária, oral e escrita, trabalhada como segunda língua. Vale ressaltar que a adesão a uma proposta de educação bilíngue retoma a figura que foi apagada, negada na era oralista: a do adulto surdo, o qual tem um papel definitivo no processo de aquisição de L1 e, consequentemente, na construção da (s) identidade (s) surda (s), pois ele constitui-se como interlocutor privilegiado da criança surda.

Dizeu & Carporali (2005), complementa dizendo que, o bilinguismo possibilita ao surdo adquirir/aprender a língua que faz parte da comunidade surda. O trabalho bilíngue educacional respeita as particularidades da criança surda, estabelecendo suas capacidades como meio para essa criança realizar seu aprendizado. Esta proposta também oferece o acesso à língua oral e aos conhecimentos sistematizados, priorizando que a educação deve ser construída a partir de uma primeira língua, a de sinais, para em seguida ocorrer a aquisição da segunda língua, o português (oral e/ou escrito).

Dentro dessa proposta, Lacerda & Mantelatto (2000), dizem que, o bilinguismo visa à exposição da criança surda à língua de sinais o mais precocemente possível, pois esta aquisição propiciará ao surdo um desenvolvimento rico e pleno de linguagem e, consequentemente, um desenvolvimento integral.

Esse movimento visou incorporar as línguas de sinais das comunidades surdas às práticas educacionais, segundo Lacerda (2000). O autor continua dizendo que a abordagem bilíngue para a educação de surdos, a qual preconiza que o surdo deve ser exposto o mais precocemente possível a uma língua de sinais, identificada como uma língua passível de ser adquirida por ele sem que sejam necessárias condições especiais de “aprendizagem”.

Ele diz também sobre a proposta educacional que envolve a língua de sinais permite o desenvolvimento rico e pleno de linguagem, possibilitando ao surdo um desenvolvimento integral. Essa proposta de educação bilíngue defende ele, ainda, que também seja ensinada ao surdo a língua da comunidade ouvinte na qual está inserido, em sua modalidade oral e/ou escrita, sendo que esta será ensinada com base nos conhecimentos adquiridos por intermédio da língua de sinais.

A legislação vigente prevê, segundo Guarinello (2006), que sejam consideradas as situações singulares, os perfis dos estudantes, as faixas etárias, assegurando-se o atendimento de sujeitos com necessidades educacionais especiais, a fim de que tenham oportunidade de realizar com maior autonomia seus projetos, afirmando sua identidade cultural e promovendo o desenvolvimento social. Na perspectiva da inclusão, esses aspectos se configuram em termos de acesso gratuito ao ensino fundamental, e ao ensino médio.

O autor supracitado continua dizendo que a legislação educacional, por meio da Lei no 10.098 de 2000, prevê que o Poder Público deve tomar providências no sentido de eliminar as barreiras de comunicação, para garantir aos surdos o acesso à informação, à educação, incluindo a formação de intérpretes de língua de sinais.

As definições previstas por lei na inclusão do surdo na educação básica e reforma das escolas para recebimento de tais alunos não é vista na prática no Brasil. A grande maioria das escolas ainda está distante de alcançar tal êxito em garantir a educação desses alunos. Poucos professores são preparados para recebê-los deixando assim uma lacuna incurável na educação dessas crianças, defasando assim um processo de inclusão que poderia ser algo normal e rotineiro, mas deixa de ser. Há a necessidade de se criar estratégias educativas proporcionando ao aluno com deficiência auditiva um atendimento especializado individual.

Considerando que as interações com o outro Nery e Batista (2004) dizem que, uma proposta pedagógica que utilize como recursos os instrumentos semióticos disponíveis na cultura estará favorecendo o aprendizado das pessoas com deficiência, fazendo com que o conhecimento e a significação do mundo aconteçam de maneira construtiva e com sentido. O desafio é, pois, torná-los acessíveis e disponíveis para os alunos com necessidades educativas especiais.

No entanto, segundo Arrais, Rodrigues e Correio, (2014), é necessário explicar que as ações voltadas para a educação do surdo devem estar em consonância com a filosofia educacional bilíngue. Trata-se de tomadas de medidas que valorizem e respeitem a diferença cultural e linguística desse público. Essa vertente de educação para surdos pauta-se no direito humano de ser diferente. A partir da perspectiva de que a demanda de educação para surdo parte da concepção de educação bilíngue – esta que tem como fundamental interesse capacitar o surdo a conviver com a comunidade surda e a majoritária.

 

A formação e capacitação docente na inclusão do aluno surdo

 

O início da capacitação docente se dá em cursos superiores de licenciatura, e é importante dizer que para que a inclusão seja bem-sucedida é necessário a presença de professores que possuem nível superior, pois pode se acreditar que os mesmos tenham noções mais ampliadas da realidade, ainda tendo um grande potencial que lhe permiti compreender melhor os processos e transformações que ocorre na sociedade.

Mas devemos saber que não basta somente dessa formação inicial básica, mas que todos os profissionais possam ir além, que sejam pesquisadores, participem de debates, façam leituras sobre várias abordagens educacionais, fazendo com que assim possa todos os dias aprimorar seu conhecimento.

Pois é a formação do professor que vai também influenciar na qualidade de ensino dos alunos, seja surdo ou ouvinte.

E preciso investir na capacitação do professor e nunca desviar dele a competência do processo de ensino aprendizagem, pois especialistas são sempre bem-vindos, mas no sentido de ajudar o professor a crescer o tornando cada vez mais competente em sala de aula, Araújo e Silva (2016).

Perante tanta diversidade é que o professor encontra dificuldades para receber e tornar eficiente o ensino/aprendizagem dos alunos surdos em sala de aula, assim não sabendo como ira ensina lo.

Diante das reflexões acerca da formação de professores, é visível a necessidade de um professor que seja acima de tudo, pesquisador, questionador e incentivador das diferenças, para que o mesmo tenha consciência da suma importância da linguagem e seu papel no processo da formação cognitiva. Parte daí a urgência de uma perspectiva curricular que possa atender as diversidades próprias da formação humana, conforme Araújo e Silva (2016).

É importante que esse profissional tenha condições de realizar análises e questionamentos sobre suas práticas, buscando sempre respeitar os diferentes estilos de aprendizagem dos alunos. Deve sempre refletir sobre seu planejamento e ainda lembrar que está formando homens e mulheres para a vida e o mercado de trabalho. Sabe se que o profissional de língua de sinais está presente em vários países,

e deu início a sua história com atividades voluntárias e sua valorização surgiu conforme os surdos foram superando barreiras e começaram a exercer sua cidadania, Araújo e Silva (2016). Citamos ainda um elemento fundamental que foi o reconhecimento da língua de sinais em cada pais, e a partir da se o acesso e direito dos surdos juntamente com a Lei 10.098/2000 (Lei de Acessibilidade) e a oficialização da língua de sinais em LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) com a Lei 10.436/2002 e a portaria 3.284 (Acessibilidade a Educação Superior).

A existência do profissional interprete não foi tão fácil, pois houve um longo processo o qual teve início em 1980, onde ouve a presença de interpretes em eventos religiosos. Já em 1988 ocorreu um evento muito importante que foi o I Encontro Nacional de Interpretes de Língua de Sinais, foi a partir desse e outros eventos os quais possibilitou a propagação deste profissional segundo Quadros (2004).

A partir da proposta da Resolução CNE 2, de 11 de setembro de 2000, determinou que fosse obrigatória a presença de interpretes educacionais, reconhecendo assim a importância da Língua Brasileira de Sinais- LIBRAS, tornando se ainda o ensino de Libras obrigatório nas universidades em vários cursos, em especial aqueles cujos tem formação de professores.

No Decreto 5.626 de 22 de dezembro de 2005 consta que instituições federais, de educação básica e superior de ensino ofertem aos alunos surdos serviços de tradutor e interprete de Libras em sala de aula.

Podemos dizer ainda que a atual geração de universitários surdos não teve ou possuiu acesso a Lei Libras a seu favor e por isso não viveu o mínimo de uma inclusão pensada.

Nos últimos anos tem se constatado o aumento de surdos em universidades brasileiras, e surge então a necessidade da contratação de mais interpretes para atender essa demanda, sabendo se que é direito do aluno surdo ter a presença do interprete.

 

 

METODOLOGIA

 

Só iniciamos uma pesquisa se existir uma pergunta, uma dúvida para a qual se quer buscar a resposta. Portanto pesquisar, é buscar ou procurar resposta para alguma coisa. No entanto realizamos uma pesquisa qualitativa: a qual considera que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em números.

Segundo Gil (2007, p. 17), pesquisa é definida como o

 

(...) procedimento racional e sistemático que tem como objetivo proporcionar respostas aos problemas que são propostos. A pesquisa desenvolve-se por um processo constituído de várias fases, desde a formulação do problema até a apresentação e discussão dos resultados.

 

As razões que levam à realização de uma pesquisa científica podem ser agrupadas em razões intelectuais (desejo de conhecer pela própria satisfação de conhecer) e razões práticas (desejo de conhecer com vistas a fazer algo de maneira mais eficaz).

O que é metodologia? Significa organização, e logos, estudo sistemático, pesquisa, investigação; ou seja, metodologia é o estudo da organização, dos caminhos a serem percorridos, para se realizar uma pesquisa ou um estudo, ou para se fazer ciência. Etimologicamente, significa o estudo dos caminhos, dos instrumentos utilizados para fazer uma pesquisa científica.

 

A metodologia se interessa pela validade do caminho escolhido para se chegar ao fim proposto pela pesquisa; portanto, não deve ser confundida com o conteúdo (teoria) nem com os procedimentos (métodos e técnicas). Dessa forma, a metodologia vai além da descrição dos procedimentos (métodos e técnicas a serem utilizados na pesquisa), indicando a escolha teórica realizada pelo pesquisador para abordar o objeto de estudo. No entanto, embora não sejam a mesma coisa, teoria e método são dois termos inseparáveis, “devendo ser tratados de maneira integrada e apropriada quando se escolhe um tema, um objeto, ou um problema de investigação” (MINAYO, 2007, p. 44).

 

Podemos concluir então que a metodologia é um dos itens fundamental para uma boa pesquisa, através dela o pesquisador organiza o estudo, o caminho a ser percorrido para que assim possa chegar aos resultados esperados.

 

Caracterização da pesquisa

 

O trabalho foi realizado através de pesquisas bibliográficas com livros, artigos, teses, dissertações quais tiveram grande contribuição para a construção do referencial teórico e ainda foi realizado uma pesquisa de campo qual permitiu analisar alguns fatores sobre a inclusão escolar de alunos surdos.

A pesquisa de campo foi realizada na Escola Estadual “19 de julho” fica localizada à Rua Cristal, nº 314, Bairro Centro, no município de Peixoto de Azevedo/MT. Foi criada pelo Decreto 232 e publicado no diário oficial do dia 26 de setembro de 1983.

Fui até a escola e chegando lá através da permissão da direção e coordenação me direcionaram até a sala dos professores onde me permitiram conversar com os mesmos e assim explicar o meu motivo de estar ali, sendo assim apenas seis professores se dispuseram a responder o questionário, entre eles estavam inclusive o professor da sala de recursos a interprete que atua na escola e quatro eram professores das salas regulares.

 

População ou amostra de participantes no estudo

 

Os participantes da pesquisa foram seis professores que trabalham em salas de aula do ensino médio na Escola Estadual 19 de Julho, onde na sala do 2º ano do ensino médio está matriculada uma aluna surdo.

O professor da sala de recursos também participou da pesquisa respondendo o questionário.

 

Caracterização dos instrumentos de pesquisa

 

Para a realização desta pesquisa, foi utilizado alguns métodos, para que fosse possível construir o referencial teórico.

Inicialmente realizou se uma pesquisa bibliográfica, onde utilizamos de obras, produções cientificas dos mais variados autores, assim nos norteando para a construção do referencial teórico, nos permitindo ainda fazer a análise dos resultados quais foram abordados na pesquisa. Ainda foi utilizado o questionário qual possibilitou também na argumentação dos resultados e discussões.

 

Procedimentos de coleta e análise de dados

 

Para a realização da coleta de dados, seis professores receberam um questionário contendo dez perguntas fechadas que foram respondidas na presença da pesquisadora, e logo após responderem os questionários foram criados gráficos para efetuar a análise de dados, e assim apresentar os resultados a partir dessa construção.

Os resultados esperados são de ver como a pedagogia, preparo e didática da escola pública referida e seus professores reflete no ensino aprendizagem para com o aluno surdo e como isso impacta na sua vida junto com a evolução do seu aprendizado, capacitação para as séries posteriores e sua convivência na sociedade preparando-o para o mercado de trabalho. Sendo assim os resultados foram analisados a partir do referencial teórico e tabulação das respostas do questionário.

 

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

 

A apresentação e discussão dos dados estão organizadas a partir de um questionário com questões fechadas aplicado para seis professores na Escola Estadual “19 de julho” fica localizada à Rua Cristal, 314, Bairro Centro, no município de Peixoto de Azevedo/MT, e oferece atendimento especializado para o aluno surdo desde 2013.

Ao decorrer da pesquisa procuramos levantar pontos importantes sobre a inclusão escolar de alunos surdos na rede regular de ensino, e então afim de encontrar respostas foi elaborado um questionário com 10 perguntas quais achamos de suma relevância para esse processo de inclusão e com as respostas obtidas através deste desenvolvemos os resultados e discussões da monografia.

A partir de uma análise dos resultados do questionário foi realizada a montagem de gráficos para que melhor pudéssemos compreender o resultado da pesquisa.

 

Gráfico: I

FONTE: SILVA, 2017.

 

De acordo com os resultados obtidos na aplicação do questionário, certifica se de que 100% dos professores que participaram da pesquisa afirmam que o trabalho desenvolvido com os alunos surdos na sala de recursos está sendo bem satisfatório, pois o mesmo oferece apoio pedagógico, visando sanar as dificuldades desses alunos nas diferentes áreas do conhecimento.

Considerando as respostas podemos dizer que o aluno surdo tem tido um bom acompanhamento com o profissional da sala de recursos, pois o Atendimento Educacional Especializado é um dos meios importantíssimos que contribui no desenvolvimento da aprendizagem e inclusão do aluno surdo, pois o mesmo trabalha com práticas pedagógicas diferenciadas buscando atender as especificidades de cada aluno.

Então significa que os professores das salas regulares têm visto bons resultados relacionados a sua aprendizagem e socialização.

Ao ser inserido na escola comum de ensino o aluno surdo tem uma aprendizagem mais significativa, a qual garante ao mesmo sua permanência na escola. Sendo assim é necessário que a escola promova meios efetivos que possam auxiliar nessa aprendizagem, então o Atendimento Educacional Especializado (AEE) surge e deve ser oferecido para aperfeiçoar aquilo que o aluno aprende na sala de aula regular, aprimorando seus conhecimentos e explorando suas capacidades, Araújo (2016).

É extremamente importante a inclusão do aluno surdo na escola regular, pois isso beneficiara sua aprendizagem e socialização. E ainda terá o atendimento educacional especializado que contribuirá para sua escolarização.

 

Gráfico: II

 

FONTE: SILVA, 2017.

 

Nesta questão percebe- se que 83% dos professores afirmam ser ótima a relação entre professor de sala regular com o professor da sala de recursos, e apenas 17% discordam dessa afirmativa.

A relação a qual está sendo referida é aquela de os professores sentarem juntos, ter um momento para discutir sobre a aprendizagem destes alunos que frequentam a sala de recursos.

E ainda os 83% dos professores acham de suma importância esse feedback, pois é neste momento, onde os mesmos podem trocar informações, experiências, estratégias metodológicas de como trabalhar com esses alunos, e ainda assim sempre podem estar acompanhando minunciosamente o desenvolvimento de cada um.

O professor da sala de AEE e da sala regular devem atuar em parceria, para que dessa forma troquem ideias para a realização de atividades pedagógicas que possam beneficiar o acesso do aluno ao currículo, permitindo ter uma relação com o grupo promovendo uma educação inclusiva.

Um trabalho em conjunto deve ser realizado entre o professor da sala de Atendimento Educacional Especializado e da sala regular onde estiver matriculado o aluno surdo, para que através dessa aliança os profissionais da educação possam contribuir de maneira satisfatória na vida escolar e social do aluno com surdez. E a participação destes profissionais na elaboração do planejamento é também extremamente valioso, Mantoan (2016).

Essa interação entre os dois profissionais pode gerar muitos benefícios a aprendizagem dos seus alunos surdos na sala de aula, então seria muito proveitoso se todos tivessem essa conduta de juntos buscar melhorias, pois assim como buscam sempre melhorar com os demais alunos da escola.

 

Gráfico: III

FONTE: SILVA, 2017.

 

O total de 100% de professores que participaram da pesquisa afirmam ser ótimo o desenvolvimento dos alunos, levando em consideração as didáticas tradicionais utilizadas.

Sabe se que metodologias bem elaboras pode e vai favorecer muito no ensino aprendizagem destes alunos, e se todas as escolas fizerem sua parte, está contribuindo para o crescimento intelectual a comunidade surda que frequenta a escola regular.

Guarinello et al (2006) diz que, tendo em vista que a escola deve adequar-se ao aluno e não o oposto, a singularidade do aluno deve ser respeitada, pois no processo da inclusão é previsto que a escola ofereça as mesmas condições de desenvolvimento para todos os alunos, independentemente das necessidades educacionais especiais que apresentem.

Um dos principais problemas da inclusão escolar é que em vez de a sociedade se adequar para promover a inclusão, são os surdos que devem adaptar e dar um jeito de se inserir na comunidade dita ouvinte. É o que ocorre na escola, os conteúdos não são adaptados muita das vezes para se trabalhar com surdos.

Gráfico: IV

 

FONTE: SILVA, 2017.

 

O total de 100% dos participantes da pesquisa concorda que sim, é necessário rever tanto o PPP quanto o currículo da escola para que ela seja realmente inclusiva pois o PPP deve contemplar o atendimento a diversidade e o aparato que a equipe terá para atender e ensinar a todos. E já o currículo deve prever a flexibilização das atividades.

Quadros (2006) dizem que as políticas públicas educacionais referentes à educação inclusiva não diferiram quanto a outras políticas públicas para a escola, pois os atores sociais mais importantes no processo estiveram fora das decisões: professores, alunos e suas famílias.

Rever o PPP e o currículo é algo sempre favorável quando se quer buscar melhorias, então no caso da comunidade surda não deixa de ser diferente, é necessário sim estar sempre atento a esses dois instrumentos importantíssimos que podem beneficiar o ensino aprendizagem dos surdos.

 

Gráfico: V

 

FONTE: SILVA, 2017.

 

Essa é uma das questões bem importantes quando falamos de inclusão, e aqui podemos perceber que 57% dos profissionais da educação onde foi realizado a pesquisa pensam que pode sim ser possível preparar todos os funcionários da escola para juntos promover a inclusão, e os 43% dos participantes da pesquisa discordam, pensam eles que tal problemática não poderá ser resolvida se depender da preparação de todos os funcionários da escola.

Então aqui podemos refletir da seguinte maneira, se os profissionais acham que não é possível preparar apenas os funcionários das escolas para que haja uma efetiva inclusão, para eles seria impossível então preparar a sociedade para essa mesma inclusão?

É sim possível preparar essas pessoas para essa luta diante a inclusão, precisamos de mais formações continuadas nas escolas envolvendo a temática da inclusão das pessoas surdas e em geral, precisamos que as pessoas busquem mais informações e tentem também conhecer a cultura e história das pessoas surdas. Pois não é apenas na escola que deve ocorrer a inclusão social, mas sim na sociedade em geral.

Precisamos que o governo faça melhoras não somente nas políticas nacionais da educação, mas sim na realidade escolar cotidiana destes alunos, para que realmente possa ser ofertada educação de qualidade aos alunos com deficiências.

Segundo Seno (2009), para a aceitação das diferenças não basta que somente os currículos sejam adaptados, os professores capacitados ou que haja uma equipe de especialistas na unidade escolar; antes de qualquer coisa é necessária uma mudança interna e individual. É preciso que as pessoas aceitem a diversidade naturalmente, para que suas atitudes e paradigmas sejam modificados da mesma forma.

A sociedade precisa primeiramente mudar sua forma de agir diante a inclusão, precisam perceber que deve partir de cada um de nós a inciativa de inclusão, e que nós podemos fazer a diferença, é necessário compreender que vivemos em um mundo onde todos somos diferentes, e que na diferença podemos ser mais fortes.

 

Gráfico: VI

 

FONTE: SILVA, 2017.

 

De acordo com os resultados 100% dos professores concordam que a ideia de as escolas serem bilíngues seria fundamental para o aprendizado dos alunos surdos, então os mesmos sabem da importância dessa ação para a vida desses alunos e ainda mais a beneficência que isso oportunizara a comunidade surda.

Mas para que haja realmente escolas bilíngues é necessário intervenções das políticas educacionais da educação, pois já é direito dos alunos surdos ter acesso as duas línguas, sendo a L1 e L2, mas sua efetivação nas escolas ainda não tem sido suficiente para promover grandes mudanças em relação ao ensino aprendizagem.

Então nessa perspectiva a escola inclusiva iria propor e oferece uma escola inovadora onde permitiria a interação entre duas línguas, permitindo praticas pedagógicas significativas no ensino aprendizagem dos alunos.

Nesse sentido, Quadros (2006) descreve que o Bilinguismo é uma proposta de metodologia de ensino que torna acessíveis duas línguas no contexto escolar. No caso da surdez, essa abordagem preocupa-se em divulgar e estimular a utilização de uma língua que pode ser adquirida espontaneamente pelos Surdos (a língua de sinais) sendo essa considerada como a sua L1. A língua oficial do país é vista como a L2, neste caso a língua majoritária da comunidade em que ele está inserido, podendo ser adquirida na modalidade escrita e, caso o aluno opte, na modalidade oral deve ser feita fora do espaço escola. O Bilinguismo surgiu a partir da década de 80, em consequência de pesquisas com base nas Línguas de Sinais e nas comunidades surdas. A língua portuguesa deve ser instrumental, ensinada como segunda língua, tendo o intuito de propiciar ao aluno Surdo habilidades de leitura e escrita.

Bilinguismo, uma proposta que já existe a muito tempo, mas que até os dias de hoje ainda não tem estado em pleno desenvolvimento, valorizar a língua brasileira de sinais seria fundamental para de uma vez por todas as escolas pudessem se tornar bilíngue.

 

Gráfico: VII

 

FONTE: SILVA, 2017.

 

O total de 67% da população da pesquisa confirma que o professor não está preparado para atender os alunos surdos na escola, pois sabe se que esses profissionais têm sua capacitação docente através de cursos superiores de licenciatura, mas porem apenas essa formação inicial não é suficiente em uma sociedade que está em constantes mudanças, e nesse contexto a formação continuada pode e deve ser uma grande aliada aos profissionais da educação.

Há também muitos professores que afirmam ganhar pouco e devido a isso não conseguem buscar mais qualificação, mas devemos saber que algumas medidas podem ser tomadas a partir do próprio desempenho de cada professor, buscando ampliar seus conhecimentos. Pois sem a formação adequada o docente terá dificuldade para atender os alunos surdos e assim promover a inclusão.

Sabemos que a boa vontade dos professores e sua preparação são condições necessárias, mas não suficientes para garantir uma escola inclusiva. É apresentado uma visão semelhante ao se pensar que criar escolas inclusivas requer muito mais que boas intenções, declarações e documentos oficiais, requer que a sociedade, escolas e professores tomem consciência das tensões e organizem condições para criação de escolas inclusivas de qualidade. Além disso, para este autor, a preparação do professor também se constitui condição necessária para o processo de inclusão dos alunos com NEE argumenta, Araújo (2016).

O governo precisa dar mais suporte a classe da educação, para que possamos assim ter mais profissionais preparados para lhe dar com as diferenças que encontram dentro da sala de aula, pois sabe se que apena sua formação inicial não é o suficiente. Se houver esse suporte estaremos mais perto de conseguir realmente realizar a inclusão.

 

Gráfico: VIII

 

FONTE: SILVA, 2017.

 

Nesta questão o objetivo era saber se todos os professores tinham real compreensão de qual é o conceito de escola inclusiva, e se é na mesma que os alunos surdos devem estar incluídos. Foi possível analisar que 100% dos professores estão cientes e tem conhecimento sobre essa causa. Pois a um tempo atrás a sociedade considerava que pessoas com qualquer tipo de deficiência deveria estudar em escola de educação especial sendo que é realmente o contrário, devem estar matriculados nas escolas regulares de ensino como todas as demais crianças.

E ainda em pleno século XXI existe profissionais da educação que defende a ideia de que alunos especiais precisam estuar em escolas de educação especial.

Para a Política de Educação Especial, o movimento de defesa à inclusão é compreendido como uma ação política, cultural, social e pedagógica, desencadeada em defesa do direito de todos os alunos estarem juntos, aprendendo e participando, sem nenhum tipo de discriminação, Brasil (2005).

Escolas inclusivas é o que nosso pais precisa ter, uma sociedade que possa deixar de ser tão excludente, pois ainda existe seres humanos com pensamentos conceituais tão egocêntrico.

 

Gráfico: IX

 

FONTE: SILVA, 2017.

 

Com os resultados obtidos é possível analisar que 83% dos professores afirmam que a língua de sinais devera sempre ser a L1 dos surdos, mesmo que seja adquirida tardiamente e até mesmo incompleta. Já 17% afirmam que a L2 deve ser deve ser a primeira língua adquirida.

Sabendo que a Língua de sinais deve ser a língua materna dos surdos e qual a mesma oferece todas as condições de aprendizagem ao aluno, não teria o porquê de a língua portuguesa ser a língua L1 dos surdos. Então nessa questão é possível perceber que ainda tem professores que não sabem da extrema importância da língua de sinais, sendo assim fica claro a necessidade de esses profissionais pesquisarem, procurar entender mais sobre o público de estudantes surdos qual eles atendem em sala de aula, para que os mesmos não sejam prejudicados com esse pensamento.

Pois a língua portuguesa deve ser a segunda língua adquirida e ainda apenas através da escrita.

A língua de sinais representa um papel expressivo na vida do sujeito surdo, conduzindo-o, por intermédio de uma língua estruturada, ao desenvolvimento pleno. Fornece para a criança surda a oportunidade de ter acesso à aquisição de linguagem e de conhecimento de mundo e de si mesma. Dessa forma, a língua de sinais constituiu-se da necessidade de os surdos se comunicarem e participarem como parte integrante do seu meio. Estando inseridos em uma comunidade ouvinte, onde todos os processos comunicativos derivam da oralidade e nossas relações sociais se tornam possíveis na/pela linguagem. Para fazer parte dessas relações é preciso ter acesso também à língua majoritária; esta irá propiciar experiências, aquisição de conhecimentos e integração ao meio, Dizeu e Carporali (2005).

Como negar as pessoas de aprender sua língua materna, a comunidade surda lutou por muito tempo até que conseguissem reconhecimento de sua língua, para que depois de tudo ainda encontrassem tanta dificuldade. O governo precisa rever seu papel, sua política e fazer algo, pois os direitos são iguais e para todos.

 

Gráfico: X

 

FONTE: SILVA, 2017.

 

Nesta abordagem 67% dos professores afirmam que não existe diferença entre integração e inclusão e apenas 33% que diz ter sim diferença entre os dois conceitos.

Nesta questão o objetivo era analisar se os professores realmente tinham o conhecimento desses dois fatores no âmbito escolar.

Fica visível que os professores precisam se adentrar mais em relação ao assunto das práticas de integração e inclusão. Apesar de a integração possuir um conceito relativamente aproximado ao de inclusão, ainda existe suas diferenças entre os mesmos.

Pois a integração social, visa inserir as pessoas na sociedade, mas desde que essas pessoas estejam de alguma forma preparadas para superar desafios, ou seja essa integração constitui se em um esforço da pessoa com deficiência e de seus familiares, sendo assim a integração pouco exige da sociedade.

E a Inclusão trata de como nós lidamos com a diversidade, pois a educação inclusiva exige investimentos contínuos, mudanças legislativas, projetos político-pedagógicos coerentes, educação inclusiva, significa ter uma educação de qualidade. Mantoan (2015) diz que apesar de os vocábulos integração e inclusão terem significados bem semelhantes, os dois expressam situações diferentes de inserção, pois a integração trata se de uma inserção parcial, porque o sistema prevê serviços educacionais segregados. Já a inclusão não é questionada somente as políticas e organização da educação especial e da educação comum, mas sim como um todo, assim prevê a inserção escolar de forma completa.

A sociedade precisa saber a diferença entra as duas ações, pois muitos estão na ilusão de que integrando os alunos estão promovendo uma bela inclusão.

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Conforme mostra a pesquisa de monografia pensar na inclusão escolar de alunos surdos nos leva a refletir as inúmeras barreiras que deverão ser dispostas, no entanto o presente trabalho evidenciou estudos que mostram a importância da inclusão destes alunos no processo de escolarização e na sociedade em geral. Ainda descrevendo a trajetória histórica da comunidade surda, onde pode se perceber que os mesmos passaram por momentos difíceis desde o início de sua história para que conseguissem conquistar os direitos quais possuem atualmente.

Evidenciamos que a inclusão escolar caminha a passos lentos, mas mesmo assim tem ganhado espaço nas discussões. Sabemos que a comunicação é feita pela língua e a partir disso é possível perceber quão grande a necessidade de as escolas proporcionar o ensino da Língua Brasileira de Sinais (Libras), pois além de a mesma beneficiar na socialização dos alunos, proporcionara um ensino aprendizagem de qualidade na rede regular de ensino.

A precária interação entre professor e alunos surdos que estão inseridos em classes regulares e a falta de proficiência na Língua Brasileira de Sinais por parte dos professores regentes deixa visível uma parte das dificuldades que os surdos sentem em sua vida escolar.

Devido a isso, pode se dizer que os surdos se sentem impotentes por não terem disponível nas salas de aula sua língua materna a LIBRAS. Ressaltando ainda a fundamental presença de uma interprete na sala, sabemos que isso não isentará problemas, mas pode contribuir em uma boa parcela na vida destes alunos.

Conclui se então que o aceso a Libras na escola e a presença do interprete são meios fundamentais para a aprendizagem dos surdos no contexto escolar. Mas infelizmente nem todas as escolas possuem um intérprete, então isso acaba acarretando em prejuízos na aprendizagem dos alunos surdos.

A sala de aula deve oferecer apoio pedagógico aos alunos, visando sanar as dificuldades encontradas pelos mesmos que são inseridos em classes comuns regulares.

Nas diferentes áreas do conhecimento o profissional da sala de recursos pode abrir novos horizontes aos alunos tanto cognitivo como afetivo, sendo também a participação no planejamento muito importante entre os profissionais envolvidos diretamente com o aluno com esse tipo de ensino.

A convivência dos alunos surdos pode estar inserida regularmente nas salas regulares de aula convivendo assim normalmente com outros alunos e o PPP deve contemplar o atendimento a diversidade tanto o aparato que a equipe terá para atender e ensinar todos os alunos e sobre o preparo dos professores.

Com a formação continuada é possível na própria escola ser realizado encontros, onde pode ser possível tirar dúvidas e expor suas dificuldades.

A melhor forma das escolas se adaptarem com a realidade da inclusão do aluno surdo é a proposta de ser bilíngue, com uma proposta educacional que compreenda em sua realização, utilizar duas línguas na comunicação e no ensino de pessoas surdas: a língua brasileira de sinais e a língua portuguesa.

É importante que os profissionais envolvidos na educação especial se munem e revertam as dificuldades encontradas no ensino promovendo assim uma melhora na educação desses alunos

A escola deve ser inclusiva em sua estrutura física e na forma pedagógica, comprometendo assim com o ensino juntamente com a língua de sinais que consegue exercer plenamente todas as funções linguísticas para os surdos, como percepção, cognição e comunicação.

A pesquisa realizada demonstrou que os estudantes com deficiência auditiva, são assegurados dos mesmos direitos que alunos sem deficiência, e que o processo de inclusão não depende somente da escola e dos professores, mas também da família, pois ela é à base de tudo.

As mudanças são fundamentais para o processo de inclusão, assim a mesma exige esforço de toda a sociedade possibilitando a escola de ser reconhecida como um ambiente de construção de conhecimentos, e não um local onde haja discriminação.

É preciso que as pessoas tenham a visão de que a função da inclusão não é de apenas proporcionar aos alunos o direito de ler e escrever, mas sim tem como prioridade o convívio, pois os mesmos precisam desenvolver suas capacidades de convivência, para que sejam dependentes, autônomas, esse sim é o processo da inclusão.

A Educação inclusiva pressupõe que todos os alunos tenham a mesma oportunidade de acesso, permanência e de aproveitamento na escola, independentemente de qualquer característica peculiar que apresentem ou não.

Desde sua infância a criança deve viver em ambientes propícios e que beneficiam no seu processo de inclusão, a família deve subsidiar meios para a mesma possa estar em contato com pessoas ouvintes e pessoas fluentes em LIBRAS para que desde pequena aprenda sua língua materna a língua brasileira de sinais.

Um dos maiores problemas da inclusão é que as pessoas surdas têm seus direitos respaldados em leis, mas na vida real os mesmos não são realizados da maneira que estão escritos, e isso vem acarretando vários transtornos, um deles é a exclusão e outro a evasão escolar desse público na escola.

Cremos que se o governo possibilitasse acontecer o mínimo dos direitos que a comunidade surda conseguiu conquistas através do caminhar de sua história, não haveria muitos surdos fora da escola.

A proposta bilíngue por exemplo é algo grandioso que pode fazer muita diferença na vida dessas pessoas que devem estar inteiramente incluídas na sociedade, mas essa proposta não está em pleno desenvolvimento em todas as escolas.

É necessário que toda a sociedade tenha conhecimento sobre as dificuldades e perspectivas da inclusão escolar da comunidade surda, para que assim não façam prejulgamentos sem antes conhecer verdadeira história.

O aluno surdo está incluído no contexto escolar? Através desta pergunta norteamos a presente pesquisa, e pode-se considerar que mesmo com o direito do aluno surdo de frequentar uma sala de aula da rede regular de ensino e de ser atendido pedagogicamente em suas necessidades, percebe-se grandes dificuldades por parte das escolas para atender as necessidades específicas destes alunos.

Segundo Ramal (2017) muitas são as metas descritas no Plano Nacional de Educação, uma delas, é a universalização do acesso à educação básica para a população que possui entre 4 e 17 anos com deficiências, preferencialmente na rede regular de ensino. Essa meta parte do princípio de que a formação escolar é direito de todos e todos devem se desenvolver e aprender juntos. No entanto, o sistema educacional brasileiro está longe de ser inclusivo.

Nos últimos anos, houve um grande aumento no número de matrículas realizadas para estudantes com deficiências. Porém, para construir uma educação inclusiva é necessário mais que isso, pois vai além da criação de vagas. Não podemos negar que houve avanços, mas ainda precisa ser feito muito mais para que se chegue a uma educação realmente inclusiva.

Um exemplo dessa realidade é o que ocorre com os estudantes surdos: apesar de que muitos tenham frequentado a escola regular no passado, é comum que os professores e a maioria dos estudantes não dominem Libras, o que coloca em risco a aprendizagem e a socialização destes alunos. Pois não falar a língua do outro é uma forma clara de desprezo e rejeição. Acontece uma espécie de “inclusão excludente”: o aluno surdo frequenta o mesmo espaço, mas não é devidamente atendido. Para que a educação seja realmente inclusiva, é necessário que a infraestrutura das escolas seja adaptada, que possa contar com a parceria efetiva da sala de recursos multifuncionais sendo a mesma planejada permitindo acessibilidade arquitetônica e tecnológica. E muito mais, a extrema necessidade de capacitar os docentes para que os mesmos possam aprimorar suas práticas pedagógicas, para que dessa maneira a sala de aula possa se tornar um ambiente de oportunidades reais e para todos.

A principal mudança está na conduta da comunidade educativa. Pois para termos escolas inclusivas todos os que fazem parte dela – professores, estudantes, famílias – devem acreditarem que no convívio com os diferentes aprendemos mais e nos tornamos pessoas melhores. É na sala de aula, laboratório do mundo que queremos construir, que uma nova sociedade pode começar, conclui Ramal (2017).

Os resultados desta pesquisa representam uma reflexão, uma breve discussão acerca da inclusão dos alunos surdos na escola regular, e destacamos que estudos nesse âmbito merecem mais atenção e incentivo para sistematização de uma educação de qualidade e de oportunidades igualitárias.

 

 

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