A importância do letramento na alfabetização

Irismar Vieira Cardoso

 

RESUMO

O presente artigo tem como objetivo discutir a importância do letramento no processo de alfabetização, destacando sua contribuição para a formação de indivíduos capazes de interpretar, compreender e utilizar a leitura e a escrita em diferentes contextos sociais. A alfabetização, durante muito tempo, foi compreendida apenas como a aquisição do código escrito, enquanto o letramento amplia essa perspectiva ao considerar as práticas sociais de leitura e escrita. Nesse contexto, torna-se essencial compreender que alfabetizar e letrar são processos complementares e indissociáveis no desenvolvimento educacional das crianças. A metodologia utilizada baseia-se em pesquisa bibliográfica, fundamentada em autores que abordam o tema, como Magda Soares, Emilia Ferreiro e Paulo Freire. Os resultados apontam que o letramento favorece uma aprendizagem mais significativa, estimulando a participação ativa do aluno na sociedade e contribuindo para a formação crítica e cidadã.

 

Palavras-chave: Alfabetização. Letramento. Educação. Leitura. Escrita.

 

 

Introdução

 

A educação possui um papel fundamental na formação social, intelectual e cultural do indivíduo. Nesse sentido, o processo de alfabetização representa uma etapa essencial no desenvolvimento da aprendizagem, pois é por meio dele que a criança passa a compreender os códigos da leitura e da escrita. Entretanto, nas últimas décadas, surgiu a necessidade de ampliar o conceito tradicional de alfabetização, incorporando o letramento como elemento indispensável para a efetiva participação social dos sujeitos.

O letramento está relacionado à capacidade de utilizar a leitura e a escrita em práticas sociais cotidianas, permitindo que o indivíduo compreenda, interprete e produza diferentes tipos de textos em variados contextos. Dessa forma, não basta apenas decodificar palavras; é necessário compreender seus significados e funções na sociedade.

Diante disso, este artigo busca analisar a importância do letramento na alfabetização, destacando como a integração entre esses processos contribui para uma aprendizagem mais significativa e para a formação de cidadãos críticos e participativos. Além disso, serão discutidas as contribuições de importantes estudiosos da área educacional, enfatizando a necessidade de práticas pedagógicas que promovam a leitura e a escrita de maneira contextualizada.

 

 

Desenvolvimento

 

Tradicionalmente, a alfabetização era entendida como o processo de aquisição das habilidades de leitura e escrita, envolvendo o reconhecimento das letras, sílabas e palavras. Durante muito tempo, o ensino esteve centrado na memorização e repetição mecânica, priorizando a codificação e a decodificação da linguagem escrita.

Segundo Emilia Ferreiro, a criança constrói gradativamente o conhecimento sobre a escrita por meio da interação com o ambiente e das experiências vividas. Dessa maneira, o processo de alfabetização não ocorre apenas de forma mecânica, mas envolve reflexão, interpretação e construção do conhecimento.

Nesse contexto, percebe-se que alfabetizar vai além de ensinar letras e sons. É necessário proporcionar situações em que o aluno compreenda a função social da escrita, reconhecendo sua importância no cotidiano.

O termo letramento passou a ganhar destaque no Brasil a partir das contribuições de Magda Soares, que define o letramento como o estado ou condição de quem não apenas sabe ler e escrever, mas faz uso competente dessas habilidades em práticas sociais.

O letramento está relacionado ao uso social da leitura e da escrita em diferentes situações, como ler jornais, interpretar placas, escrever mensagens, compreender informações e participar ativamente da sociedade. Assim, um indivíduo pode ser alfabetizado, mas não necessariamente letrado, caso não consiga utilizar a leitura e a escrita de maneira funcional em sua vida cotidiana.

 escola, portanto, deve promover práticas pedagógicas que incentivem o contato dos alunos com diversos gêneros textuais, possibilitando experiências reais de comunicação e interação social.

Atualmente, entende-se que alfabetização e letramento são processos complementares e indissociáveis. Enquanto a alfabetização se refere à aprendizagem do sistema de escrita, o letramento corresponde à utilização social dessa aprendizagem.

Magda Soares afirma que é necessário “alfabetizar letrando”, ou seja, ensinar a leitura e a escrita dentro de contextos significativos e relacionados à realidade do aluno. Isso significa que a criança deve aprender não apenas a identificar letras e palavras, mas também a compreender os sentidos dos textos e sua aplicação prática.

Quando o ensino ocorre de forma contextualizada, o aluno desenvolve maior interesse pela aprendizagem, tornando-se mais participativo e crítico. Além disso, o letramento contribui para o desenvolvimento da autonomia, da comunicação e da cidadania.

O professor exerce papel fundamental no desenvolvimento do letramento, pois é responsável por criar estratégias pedagógicas que estimulem o uso da leitura e da escrita em situações reais. Cabe ao educador oferecer materiais diversificados, como livros, revistas, histórias, jornais e atividades interativas que despertem o interesse dos alunos.

Além disso, é importante considerar a realidade sociocultural dos estudantes, valorizando seus conhecimentos prévios e promovendo práticas inclusivas. Paulo Freire destaca que a leitura do mundo precede a leitura da palavra, evidenciando que a aprendizagem deve estar relacionada às experiências e vivências do educando.

Assim, o ambiente escolar deve favorecer a participação ativa dos alunos, incentivando o diálogo, a criatividade e a reflexão crítica sobre os conteúdos trabalhados.

Apesar dos avanços nas discussões sobre alfabetização e letramento, a educação brasileira ainda enfrenta diversos desafios. Muitas escolas apresentam dificuldades relacionadas à falta de recursos, formação inadequada de professores e desigualdades sociais que interferem diretamente no processo de aprendizagem.

Outro problema recorrente é a permanência de metodologias tradicionais que priorizam apenas a memorização e a repetição, sem considerar o contexto social da leitura e da escrita. Isso pode resultar em alunos que conseguem decodificar palavras, mas apresentam dificuldades na interpretação e compreensão textual.

Dessa forma, torna-se necessário investir em políticas públicas, formação continuada de professores e práticas pedagógicas inovadoras que promovam o letramento desde os primeiros anos escolares.

 

 

Conclusão

 

Conclui-se que o letramento desempenha papel essencial no processo de alfabetização, pois possibilita que o indivíduo utilize a leitura e a escrita de forma significativa em sua vida social. Mais do que aprender códigos linguísticos, é fundamental compreender a função da linguagem na comunicação, na construção do conhecimento e no exercício da cidadania.

A integração entre alfabetização e letramento contribui para uma aprendizagem mais eficiente e contextualizada, favorecendo o desenvolvimento crítico, social e cultural dos alunos. Nesse processo, o professor possui importante responsabilidade ao promover práticas pedagógicas que aproximem a leitura e a escrita da realidade dos estudantes.

Portanto, investir no letramento é investir na formação de cidadãos mais conscientes, participativos e preparados para atuar na sociedade. A educação deve buscar não apenas alfabetizar, mas formar indivíduos capazes de interpretar o mundo e transformar a realidade em que vivem.

 

 

Referências

 

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 51. ed. São Paulo: Cortez, 2011.

 

FERREIRO, Emilia; TEBEROSKY, Ana. Psicogênese da língua escrita. Porto Alegre: Artmed, 1999.

 

SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. 3. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2009.

 

SOARES, Magda. Alfabetização e letramento. 6. ed. São Paulo: Contexto, 2017.

 

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Brasília: MEC, 2018.

 

KLEIMAN, Angela B. Os significados do letramento: uma nova perspectiva sobre a prática social da escrita. Campinas: Mercado de Letras, 1995.

 

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