Ludicidade e ensino de Geografia na Educação Infantil: contribuições para a construção do conhecimento espacial

Dineia Aparecida Lopes de Moraes

Gleice Araújo

Sandra Elmiria Baptista

Sandra Regina Aparecida Chiaroto Engles

Silvia Godo

 

DOI: 10.5281/zenodo.20030086

 

 

RESUMO

A toda criança deve ser garantido o direito de brincar, pois tal ato constitui-se em requisito para bem, como crescer e desenvolver-se como pessoa. A escola, espaço privilegiado de vida e aprendizagem, deve criar condições para o aluno realizar atividades lúdicas livremente e, ao mesmo tempo, poder empregá-la como estratégia de ensino aprendizagem. O presente trabalho aborda a importância do lúdico no ensino da geografia na educação infantil e faz uma analise no ato de brincar uma atividade natural da criança e vinculado ao ensino da geografia faz relações ao espaço e entre outros aspectos. Com essa perspectiva houve a investigação através da modalidade documental e bibliográfica, tem como objetivo a identificação através das atividades lúdicas o processo de aprendizagem da geografia despertando nas crianças as suas capacidades, criatividades, habilidades e entre outros. Os autores teóricos que destacam a relevância do lúdico no processo de aprendizagem são: Ribeiro (2013), Fantacholi (2011) e entre outros.

 

Palavras-chave: Lúdico. Geografia. Educação infantil.

 

 

ABSTRACT

Every child must be guaranteed the right to play, as this act constitutes a requirement for good, such as growing and developing as a person. The school, a privileged space for life and learning, must create conditions for the student to freely engage in recreational activities and, at the same time, be able to use them as a teaching-learning strategy. This paper addresses the importance of play in teaching geography in early childhood education and analyzes the act of playing as a natural activity for children and linked to the teaching of geography, relates to space and among other aspects. With this perspective, there was the investigation through the documentary and bibliographic modality, with the objective of identifying, through playful activities, the geography learning process, awakening in children their capacities, creativity, abilities and others. Theoretical authors who highlight the relevance of playfulness in the learning process are: Ribeiro (2013), Fantacholi (2011) and others.

 

Keywords: Ludic. Geography. Child education.

 

 

1. INTRODUÇÃO

 

O presente trabalho tem como tema: A importância do lúdico no ensino da geografia na Educação Infantil, com o objetivo de analisar a ludicidade no desenvolvimento da criança, e de caracterizar sobre a importância de se trabalhar com a Geografia nessa etapa, destacando -a que a mesma é muito importante e que deve ser ensinada a partir da primeira etapa da educação. Com isso, acredita-se que seja de fundamental importância tomar consciência de que a atividade lúdica infantil seja indispensável, para o desenvolvimento da linguagem, do pensamento, a socialização, a iniciativa e a autoestima da criança, preparando-se para sê-las um cidadão capaz de enfrentar desafios e participar na construção de um mundo melhor com o ensino da Geografia.

Através disso pode- se dizer que a problemática é: qual a importância e efeito do lúdico durante o processo de ensino-aprendizagem da geografia? Por sua vez, a hipótese com a qual trabalhou-se é que o lúdico promove a aprendizagem e favorece o desenvolvimento físico intelectual e social da criança, ou seja, possibilita um desenvolvimento real, completo e prazeroso. Além de observar que o professor na sala de aula pode-se trabalhar com a geografia noções de tempo e espaço e que ambos são muito importantes para as criancas perceberem que o local onde sua aprendizagem é construída, elas evoluem socialmente.

Justifica-se esta análise em acordo com Fantacholi (2011), na educação (de modo geral) e particularmente educação infantil, os jogos e brincadeiras são um importante veículo de aprendizagem experiencial, visto que permite, através do lúdico, vivenciar a aprendizagem como uma interação social. Tão importante quanto defender essas diferenças de ensino da Geografia trazidas pelo jogo é relacioná-lo com as atividades que lhe são parecidas; através dessa proposta traremos a introdução de novas possibilidades de análise e uma abordagem mais empírica dos estudos aqui compilados.

De acordo com Ribeiro (2013), o lúdico é parte fundamental do universo infantil da vida de todo indivíduo. Ao pensarmos no lúdico, não devemos encara-lo exclusivamente como um momento de divertimento, mas sim como parte importante no processo de ensino-aprendizagem na fase infantil. Esse trabalho tem a proposta de compilar uma série de estudos já realizados nessa área da geografia e fornecer uma nova interpretação sobre o assunto.  A utilização do lúdico na educação infantil é uma das metodologias com melhores resultados no que diz respeito à estimulação do desenvolvimento cognitivo e de aprendizagem de uma criança. Essa atividade é particularmente importante porque é capaz de desenvolver as capacidades de atenção, memória, percepção, sensação e todos os aspectos que configuram as bases do processo de aprendizagem.

Nesse viés prentende-se analisar sobre a importância dos jogos e das brincadeiras, numa perspectiva lúdica, no processo de ensino aprendizagem da geografia do aluno da educação infantil.

O presente trabalho por meio de pesquisa bibliográfica e documental, pois segundo (GIL, 1991, p.49) nos remete a uma reflexão da importância do lúdico no desenvolvimento da criança, bem como se discute as bases do significado da ludicidade, ressaltando seu caráter de unicidade e como as brincadeiras e jogos no espaço escolar pode-se transformar em um espaço agradável, prazeroso, de forma a permitir que o educador alcance sucesso ensinando a geografia em sala de aula.

Para realização do presente trabalho, apoia-se em diferentes teóricos, dentre eles destaca-se os principais Piaget (1971) e Vygotsky (1984) além de outros documentos como: BNCC, Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, Estatuto da Criança e do Adolescente e Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que discutem sobre a relevância da temática abordada do presente artigo.

Nesse contexto, a ludicidade emerge não apenas como um recurso didático, mas como uma linguagem própria da criança, mediadora da construção de significados e da apropriação do conhecimento.

Ao considerar a inserção da Geografia na Educação Infantil, faz-se necessário superar visões reducionistas que a limitam à memorização de conteúdos ou à simples localização espacial. A Geografia, enquanto ciência que investiga as relações entre sociedade e natureza, pode e deve ser introduzida desde os primeiros anos de vida de forma contextualizada, significativa e integrada às vivências infantis. Nesse sentido, o lúdico configura-se como estratégia potente para promover a compreensão inicial de conceitos como espaço, lugar, território e paisagem, ainda que em níveis introdutórios e simbólicos.

A problemática que orienta este estudo — qual a importância e os efeitos do lúdico no processo de ensino-aprendizagem da Geografia na Educação Infantil — exige uma análise que considere tanto os aspectos pedagógicos quanto os fundamentos psicológicos do desenvolvimento infantil. A hipótese defendida sustenta que a ludicidade favorece a aprendizagem ao integrar dimensões cognitivas, emocionais e sociais, promovendo um desenvolvimento mais completo, significativo e prazeroso. Tal perspectiva está alinhada às contribuições de teóricos como Piaget e Vygotsky, que reconhecem o papel central da ação, da interação e da mediação simbólica na construção do conhecimento.

Sob a ótica piagetiana, o conhecimento é construído a partir da interação ativa da criança com o meio, sendo o brincar uma forma privilegiada de assimilação e acomodação de esquemas mentais. Já na perspectiva histórico-cultural de Vygotsky, o brincar assume papel fundamental na constituição das funções psicológicas superiores, ao possibilitar a internalização de significados culturais por meio da interação social. Dessa forma, o jogo simbólico, as brincadeiras dirigidas e as atividades lúdicas orientadas constituem espaços de aprendizagem que transcendem o entretenimento, configurando-se como práticas intencionais de ensino.

Ademais, a inserção do lúdico no ensino da Geografia contribui para a formação de sujeitos críticos, capazes de perceber e interpretar o espaço em que vivem. Ao explorar o ambiente escolar, o entorno da comunidade e as relações cotidianas, a criança começa a construir noções espaciais fundamentais, desenvolvendo habilidades de observação, comparação e interpretação da realidade. Esse processo, quando mediado por práticas lúdicas, torna-se mais acessível e significativo, respeitando as especificidades do desenvolvimento infantil.

A justificativa deste estudo ancora-se na necessidade de repensar práticas pedagógicas ainda marcadas por metodologias tradicionais, que desconsideram a natureza lúdica da infância.

Do ponto de vista metodológico, este trabalho fundamenta-se em pesquisa bibliográfica e documental, permitindo a análise crítica de diferentes abordagens teóricas sobre o tema. Tal escolha possibilita a construção de um referencial consistente, capaz de sustentar reflexões acerca da prática pedagógica e das potencialidades do lúdico na Educação Infantil.

Por fim, destaca-se que a relevância deste estudo também se relaciona com as diretrizes educacionais brasileiras, como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que reconhece o brincar como um dos eixos estruturantes da Educação Infantil. Ao articular o lúdico ao ensino da Geografia, este trabalho busca contribuir para a construção de práticas pedagógicas mais coerentes com as necessidades da criança contemporânea, promovendo aprendizagens significativas desde os primeiros anos escolares.

 

 

2. A IMPORTÂNCIA DO LÚDICO NA APRENDIZAGEM DA GEOGRAFIA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

 

Os jogos são fundamentais o desenvolvimento e para a aprendizagem da criança, pois envolvem diversão e ao mesmo tempo uma postura de seriedade. A brincadeira é para a criança um espaço de investigação e construção de conhecimentos sobre si mesma e sobre o mundo. Brincar é uma forma de a criança exercitar sua imaginação. A imaginação é uma forma que permite às crianças relacionarem seus interesses e suas necessidades com a realidade de um mundo que poucos conhecem. A brincadeira expressa à forma como uma criança reflete, organiza, desorganiza, constrói, destrói e reconstrói o seu mundo.

Bruno Bettelheim, fala que a brincadeira é uma ponte para a realidade e que nós, adultos, através de uma brincadeira de criança, compreende-se como ela vê e constrói o mundo: quais são as suas preocupações, que problemas ela sente, como ela gostaria que fosse a sua vida. Ela expressa o que teria dificuldade de colocar em palavras. Ou seja, brincar é a sua linguagem secreta que deve respeitar mesmo que não entenda.

O brincar é um direito assegurado na Constituição Federal do Brasil. É uma necessidade para as crianças, pois é fundamental para o seu desenvolvimento psicomotor, afetivo e cognitivo, sendo uma ferramenta para a construção do seu caráter.

O brincar associado com o ensino da geografia é à base de sua relação com o mundo, pois é através de seu corpo que ela vai se relacionar consigo mesmo, com os outros, Santo Agostinho em “Confissões”, o lúdico já era compreendido como essencialmente educativo, na medida em que representa a força que impulsiona a curiosidade humana em relação ao mundo e à vida, constituindo o princípio de toda descoberta e criação. (Correio da UNESCO, 1991).

O que distingue o ser humano das demais espécies é sua imaturidade neurológica e funcional ao nascer, já que chega ao mundo ainda despreparado, inclusive para realizar funções básicas como a respiração. Diferentemente de outros animais, precisa passar por um processo de desenvolvimento que o leva dos atos reflexos aos comportamentos conscientes e intencionais. No âmbito das relações sociais, evolui de uma condição inicial de dependência e simbiose com a mãe para a construção da individualidade e da vida em grupo.

Entretanto, essa condição de vulnerabilidade nos primeiros anos de vida é justamente o que possibilita ao ser humano desenvolver amplas capacidades de adaptação, criação, associação, resolução de problemas e intervenção em seu cotidiano.

A evolução da criança tem duas origens: filogenética - a da espécie humana, e ontogenética - maturação biológica (neuropsicomotora). Para ao desenvolvimento pleno, necessita de midiatização adequada do adulto e da cultura social. Assim sendo, a interação dinâmica e perpétua entre maturação biológica (natura) e relação com o meio (o ensino da geografia), com os objetos e com o outro (cultura), que, na primeira infância, é praticamente por via lúdica, é que vai propiciar seu o desenvolvimento total.

De acordo com Bousquet, (1991) impulso lúdico, também chamado de impulso de curiosidade ou de exploração- dá à espécie e ao indivíduo, evidente vantagem de seleção natural; afirma também, que a capacidade e o hábito de explorar, ao acaso, o ensino da geografia resultam em situações de instrução e enfrentamento de imprevistos.

Ao ingressar no universo do lúdico, a criança vivencia experiências fundamentais para a construção de sua inteligência e para o seu desenvolvimento global. No primeiro período da vida, que vai do nascimento até o surgimento da linguagem, Jean Piaget (1987) denomina essa fase, do ponto de vista da inteligência, como estágio sensório-motor. Nesse período, é possível identificar três momentos: o dos reflexos, o da organização das percepções e dos hábitos, e o da inteligência propriamente dita.

Posteriormente, esse estágio é sucedido por uma fase que abrange aproximadamente dos um aos dois anos de idade, conhecida como fase de latência, ou fase do “fazer”. Nessa etapa, o brinquedo assume papel central, pois a criança passa a manipular, explorar e imitar, com ações voltadas principalmente para si mesma.

Com a aquisição da linguagem, que geralmente ocorre entre um ano e meio e dois anos de idade, a criança ingressa no período simbólico, também denominado primeira infância, estágio pré-operatório ou intuitivo. Nesse momento, conforme aponta Jean Le Boulch (2004), desenvolve-se a função de interiorização, que permite à criança tomar consciência de seu corpo e expressar-se verbalmente por meio da função simbólica.

A partir daí, a criança começa a representar as ações vivenciadas no mundo. No contexto da educação infantil, especialmente no ensino de geografia, esse processo se torna significativo, pois, nessa fase, a criança ainda não resolve todos os problemas de forma mental, recorrendo ao corpo, à exploração e às brincadeiras para compreender a realidade.

Durante a primeira infância, o desenvolvimento ocorre de forma qualitativa, especialmente na elaboração do pensamento simbólico. O uso do brinquedo e do faz de conta contribui para a construção de noções relacionadas ao tempo, espaço, objetos e causalidade, favorecendo a compreensão do mundo. Gradualmente, a criança passa do concreto ao abstrato, utilizando representações mentais para interagir socialmente e avançar em sua maturidade cognitiva, afetiva e social. Trata-se, portanto, de um período marcado pelo fazer e pelo compreender.

Por volta dos seis aos sete anos, a criança ingressa na fase da cooperação e do raciocínio lógico, denominada estágio operatório-concreto. Nesse período, especialmente no contexto do ensino de geografia, ela passa a ser capaz de resolver problemas e estabelecer relações com os outros, embora ainda esteja vinculada a situações concretas e práticas.

Ao ter acesso a diferentes espaços de brincadeira, com recursos variados e oportunidades de interação com crianças de diversas faixas etárias, a criança amplia suas experiências. Nesse processo, pode descobrir o novo, manipular e construir brinquedos, desafiar seus próprios limites, criar regras e agir de maneira intuitiva e espontânea. Tais vivências, especialmente no ensino de geografia, contribuem para o desenvolvimento de sua autonomia, inteligência e socialização.

Dessa forma, cabe às famílias, às escolas e às demais instituições que atuam na infância a responsabilidade de proporcionar ambientes que favoreçam o desenvolvimento de projetos e práticas lúdicas. Esses espaços são essenciais para atender às características do universo infantil, marcado pela criatividade, curiosidade e desejo de explorar, contribuindo para a formação de crianças mais felizes e integradas à sociedade.

O lúdico é um importante componente na aprendizagem. É pelo lúdico e com o lúdico que o sujeito vai se construindo e se apropriando da realidade, tecendo suas relações sociais e exercitando-se de corpo inteiro. Na vivência lúdica experimenta situações novas, desafios, aventuras. No espaço lúdico ele também vai formando seus conhecimentos vão somando aquisições de valores, aprendendo limites, trabalhando a autoestima, além de superar seus medos e adquirir autoconfiança.

O termo “lúdico” tem origem na palavra latina ludus, que significa “jogo”. Caso permanecesse restrito a esse sentido original, estaria relacionado apenas ao ato de jogar, brincar ou ao movimento espontâneo. No entanto, ao longo do tempo, o lúdico passou a ser compreendido como um elemento fundamental da psicofisiologia do comportamento humano. Assim, deixou de ser visto apenas como sinônimo de jogo, ampliando-se para além das atividades espontâneas, de modo a abarcar necessidades e dimensões mais complexas da experiência humana. (ALMEIDA, 1973).

O lúdico possui um papel singular ao longo da trajetória da vida humana, sendo especialmente relevante na infância e na adolescência, quando assume uma função essencialmente pedagógica. Nesse período, é comum que crianças e jovens apresentem certa resistência à escola e ao ensino, sobretudo quando estes não incorporam elementos lúdicos e deixam de proporcionar experiências prazerosas. (NEVES, 2010).

De acordo com Jean Piaget, o desenvolvimento infantil ocorre por meio das atividades lúdicas. A criança necessita brincar para se desenvolver, utilizando o jogo como uma forma de equilíbrio em sua relação com o mundo.

Para Vital Didonet (2001, p. 43):

 

É uma verdade que o brinquedo é apenas um suporte do jogo, do brincar, e que é possível brincar com a imaginação. Mas é verdade, também que sem o brinquedo é muito mais difícil realizar a atividade lúdica, porque é ele que permiti simular situações.

 

De acordo com Nunes (2000), a ludicidade possui um valor educacional intrínseco e, além disso, tem sido amplamente utilizada como recurso pedagógico no processo de ensino e aprendizagem. Segundo Teixeira (1995, apud Nunes, 2000), existem diversas razões que levam os educadores a incorporarem atividades lúdicas em suas práticas.

As atividades lúdicas correspondem a um impulso natural da criança, atendendo a uma necessidade interna, já que o ser humano apresenta uma tendência espontânea ao lúdico. Dois elementos caracterizam essas atividades: o prazer e o esforço voluntário. O caráter prazeroso decorre da capacidade que o lúdico tem de envolver intensamente o indivíduo, criando um ambiente de entusiasmo e motivação. Esse envolvimento emocional favorece um alto nível de engajamento, gerando energia e disposição para a realização das atividades.

Apesar de serem prazerosas, as atividades lúdicas também exigem esforço voluntário, uma vez que direcionam as energias do indivíduo para a concretização de objetivos. Dessa forma, são ao mesmo tempo estimulantes e desafiadoras.

Além disso, as situações lúdicas mobilizam esquemas mentais. Por se tratar de uma atividade que envolve dimensões físicas e cognitivas, a ludicidade ativa funções psiconeurológicas e operações mentais, contribuindo para o desenvolvimento do pensamento.

De modo geral, o que diferencia um jogo pedagógico de uma atividade apenas recreativa é a intencionalidade. O jogo pedagógico é planejado com o objetivo de promover uma aprendizagem significativa, estimular a construção de novos conhecimentos e desenvolver habilidades operatórias, permitindo ao indivíduo compreender e intervir nos fenômenos sociais e culturais, estabelecendo conexões relevantes (NUNES, 2000). Piaget (1971) define a atividade lúdica é o berço obrigatório das atividades intelectual da criança. Estas não apenas são uma forma de desabafo ou entretenimento para gastar energia das crianças, mas meios que contribuem e enriquecem o desenvolvimento intelectual.

O lúdico ligado ao ensino da geografia na educação infantil, possibilita que a criança exerça sua capacidade de criar que é imprescindível. O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998) relata a importância do brincar para as crianças. Na BNCC há cinco unidades temáticas que dão norte ao ensino de Geografia. De acordo com esses temas, eles possibilitam o ensino da geografia não apenas para transmitir informações para os alunos, mas sim que os mesmos possam ampliar a visibilidade do mundo e assim possam compreender relações da realidade ao seu redor.

Com isso a brincadeira junto ao ensino da geografia, auxilia as crianças   superarem progressivamente suas aquisições de forma criativa. Brincar contribui, assim, para a interiorização de determinados modelos de adultos, no âmbito de grupos sociais diversos. Essas significações atribuídas ao brincar transformam-no em um esforço singular de constituição infantil.

 

 

3. METODOLOGIA

 

O presente trabalho por meio de pesquisa bibliográfica nos remete a uma reflexão da importância do lúdico no ensino da geografia na educação infantil, bem como se discute as bases do significado da ludicidade, ressaltando seu caráter de unicidade e como as brincadeiras e jogos no espaço escolar pode-se transformar em um espaço agradável, prazeroso, de forma a permitir que o educador alcance sucesso em sala de aula.

A coleta de dados deste trabalho será realizada por meio de revisão documental, utilizando livros, revistas pedagógicas, sites da internet, entre outros materiais. De acordo com Gil (1991, p. 48), a pesquisa documental e bibliográfica é desenvolvida com base em materiais já elaborados, sendo constituída principalmente por livros e artigos relacionados ao tema em estudo.

Para a realização deste trabalho, foram utilizados diversos artigos e obras bibliográficas, com o objetivo de reunir contribuições de autores que já abordaram a temática. Além disso, foi desenvolvida uma pesquisa de campo, com a finalidade de observar a importância do lúdico na educação infantil, por meio de jogos e brincadeiras, bem como a mediação do professor nesse processo. Essa abordagem permite um ensino mais leve, sem caráter de cobrança, tornando a aprendizagem mais significativa e prazerosa.

Dessa forma, na realização da pesquisa bibliográfica, foram adotados os seguintes procedimentos técnicos:

 

a) Seleção bibliográfica e documentos afins à temática e em meios físicos e na Internet, interdisciplinares, capazes e suficientes para que o pesquisador construa um referencial teórico coerente sobre o tema em estudo, responda ao problema proposto, corrobore ou refute as hipóteses levantadas e atinja os objetivos propostos na pesquisa;

b) Leitura do material selecionado;

c) Análise e reflexão crítica sobre o material selecionado;

d) Exposição dos resultados obtidos através de um texto escrito. (GIL, 1991, p.49).

 

De acordo com Garcia (1998, p. 44), o método consiste em um procedimento racional e organizado, composto por instrumentos fundamentais, que envolve o uso da reflexão e da experimentação para alcançar os objetivos previamente estabelecidos no planejamento da pesquisa.

Conforme afirmam Ferreira, Torrecilha e Machado (2012, p. 3), a técnica de observação é amplamente utilizada em diferentes áreas do conhecimento, pois permite ao pesquisador obter informações relevantes a partir da análise de grupos e situações.

As observações podem ser classificadas como estruturadas, semiestruturadas ou não estruturadas. Isso significa que o pesquisador pode realizar o trabalho de campo com um roteiro previamente definido ou de maneira mais livre. Na observação não estruturada, por exemplo, o pesquisador atua com maior autonomia, observando os fatos e decidindo, no momento da investigação, o que considera significativo (FERREIRA; TORRECILHA; MACHADO, 2012, p. 4).

A metodologia utilizada consiste na busca de conceitos, através da pesquisa bibliográfica, onde foi feito o levantamento de autores que analisam a temática aqui abordada. Para realização do presente, apoia-se em diferentes teóricos, dentre eles destaca-se os principais Piaget (1971) e Vygotsky (1984) além de outros documentos como: BNCC, Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, Estatuto da Criança e do Adolescente e Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que discutem sobre a relevância da temática abordada na presente pesquisa.

 

 

4. CONCLUSÃO

 

Em conformidade as teorias e estudos sob a temática analisada nesse trabalho conclui-se que o lúdico deve ser considerado como parte integrante da vida do homem não só no aspecto de divertimento ou como forma de descarregar tensões, mas também como uma forma de penetrar no âmbito da realidade, inclusive na realidade social.

O jogo é a mais importante das atividades da infância, pois a criança necessita brincar, jogar, criar e inventar para manter seu equilíbrio com o mundo. Convive-se dentro das escolas com certos preconceitos, entre eles o de que jogar e brincar são atividades reservadas somente para o horário do recreio; em sala de aula é necessário ter seriedade. Mas há professores que afirmam serem o jogo e a brincadeira “enrolação de tempo”. Porém, mal sabem eles que todos os jogos, por sua própria essência, são educativos e contribuem para o desenvolvimento infantil. Jogar é uma função indispensável à criança. Jogar com ela, deixá-la jogar com seus parceiros e em grupos é um compromisso que todo educador deveria ter, uma vez que o jogo favorece o seu desenvolvimento motor, cognitivo e socioafetivo. O jogo, como proposta pedagógica em sala de aula associado ao ensino da geografia, proporciona a relação e a interação entre os parceiros.

Durante a brincadeira, a criança estabelece decisões, resolve seus conflitos, vence desafios, descobre novas alternativas e cria novas possibilidades de invenções. O jogo passa a ter mais significado quando o professor proporciona um trabalho coletivo de cooperação e socialização. Isso dá oportunidade às crianças de construírem os jogos, de decidirem regras, de mostrarem como se joga, de perceberem seus limites através dos direitos e deveres e de aprenderem a conviver e a participar, mantendo sua individualidade e respeitando o outro.

Em outras palavras, através do jogo a criança desenvolverá a capacidade de perceber suas atitudes de cooperação, oferecendo a ela própria, que está em formação, oportunidades de descobrir seus próprios recursos e testar suas próprias habilidades, além de aprender a conviver com os colegas nessa interação. É, também, na atividade lúdica que pode conviver com os diferentes sentimentos que fazem parte de sua realidade interior.

Na brincadeira, a criança aprende a se conhecer melhor e a aceitar a existência do outro, organizando, assim, suas relações emocionais e estabelecendo relações sociais. Educadores e pais necessitam ter clareza quanto aos brinquedos, brincadeiras e/ou jogos que são necessários para a criança: precisam saber que trazem enormes contribuições ao desenvolvimento da habilidade de aprender a pensar. No jogo, ela está livre para explorar, brincar e/ou jogar com seus próprios ritmos para autocontrolar suas atividades.

A importância da inserção e utilização dos brinquedos, jogos e brincadeiras na prática pedagógica na educação infantil em ligação ao ensino da geografia é uma realidade que se impõe ao professor. Brinquedos não devem ser explorados só como lazer, mas também como elementos bastante enriquecedores para promover a aprendizagem.

Diante de tudo que foi observado, pesquisado até aqui, entende-se claramente um ponto bastante discutido na área educacional escolar, ou não: a intencionalidade pedagógica no ensino da geografia perante a atividade lúdica infantil e a seriedade no tratamento do tema. Os professores precisam estar cientes de que a brincadeira é necessária e que traz enormes contribuições para o desenvolvimento da habilidade de aprender a pensar, para o desenvolvimento motor e socioafetivo.

 

 

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